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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Magic lantern is the term, deriving from the Latin
lanterna magica, used to designate an early
form of a slide projector in which transparent positive images depicted on glass slides (magic
lantern slides) were projected onto a white surface such as a wall or screen. The invention of this
apparatus in the mid-17th century allowed, for the first time, the projection of illuminated and
magnified images to be viewed by collective audiences.
The materials and methods applied to produce painted magic lantern glass slides and specific
conservation strategies remain an understudied field. As a result, their severe deterioration
problems represent an aggravated challenge for conservation professionals. The present work
was developed as the first systematic study on the materials and techniques used to produce
painted magic lantern glass slides (entirely painted and coloured over printed outlines), bridging
the gap between 18th- and 19th-century written and material sources while addressing preventive
conservation and restoration challenges.
A literature review of 18th- and 19th-century written sources stating the materials and
techniques applied in the magic lantern slide production was conducted, allowing for an
overview of the types of glass support procured and the colour palette and binders available.
The evolution of magic lantern instruments and illumination systems is also explored.
Formulations of Winsor & Newton watercolours were investigated, revealing great complexity
and individuality depending on the colourant used in each formulation.
The context of the use and impact of the magic lanterns in Portugal throughout time was
briefly investigated, and two Portuguese collections of magic lantern slides held by the
Portuguese Cinematheque – Museum of Cinema (CPMC) and the National Museum of Natural
History and Science (MUHNAC) of the University of Lisbon were selected for the present study.
These collections’ characteristics are discussed, and the glass support and painting materials
used in 48 of their slides, attributed to a European production of the 18th and 19th centuries, were
studied by resorting to a multi-analytical approach.
The techniques of Energy Dispersive X-Ray Fluorescence spectrometry (EDXRF), Ultraviolet-
Visible (UV-VIS) and Raman spectroscopies were applied
in situ, and Fourier Transformed
Infrared spectroscopy (FTIR) and Surface-enhanced Raman Spectroscopy (SERS) were carried
out on micro-samples. EDXRF allied with semi-quantitative analysis by WinAxil program
(making use of glass standards from Corning Museum of Glass (Corning, NY, USA) for
validation) allowed the identification of four main glass compositional groups: potassium-rich,
mixed-alkali, high-lime low-alkali, and synthetic soda-rich glass. These results, along with visual
analysis, verified the preference for high-quality glass reported by historical documentation, and the characteristics of each compositional group helped in the slides’ attributions to certain
regions and periods of production. By complementing EDXRF with UV-VIS, Raman, and FTIR
spectroscopy, it was possible to identify several colourants, including yellow ochre, gamboge,
red ochre, cochineal-based lakes, geranium lakes, vermilion, Prussian blue, ultramarine blue,
copper-green, and carbon black, and fillers such as gypsum. Regarding these paints’ binding
components, FTIR detected terpenoid resins, namely mastic and shellac and the possible
presence of oils. Finally, the SERS technique enabled the identification of carminic acid in a
reddish micro-sample. These analyses verified the use of a reduced colour palette, the artist’s
preference for bright and pure colours, and simple mixtures to create different hues and
gradients.
This material characterisation unveiled a strong correlation between the glass and painting
materials identified in 18th- and 19th-century slides and those described by coeval written sources
and enabled the development of a timeline comprising the evolution of glass procured and the
colour palette used in the production of painted slides. It was also possible to find differences
between manufacturers, countries, and periods, which may help attribute slides more precisely.
Finally, the conservation challenges faced by caretakers and conservation professionals were
addressed. The state of preservation of more than 350 slides of interest from the Portuguese
collections studied was assessed, and the most common damages were identified, some of them
resorting to Optical Microscopy. This study demonstrated that the glass and the painting layers
are the most fragile and damaged materials that compose these slides. Considering the material
knowledge gathered and inputs from national and international institutions shared through a
questionnaire, preventive conservation guidelines tailored to painted slide collections were
developed to complement current conservation standards. As around 20 % of the slides studied
are in poor or very poor conditions and need remedial or restoration actions, and no guidelines
for these procedures on painted magic lantern slides were found by the author, this study also
explored methods for cleaning painted surfaces and reassembling their glass support. However,
a deep investigation regarding consolidation materials and methods for these transparent
painting layers is fundamental.
This interdisciplinary research offers a valuable contribution to the understanding of painted
magic lantern slides, aiming at increasing awareness and appreciation for these collections to
ensure their long-term preservation and fruition by present and future generations.
Lanterna mágica é o termo, derivado do latim lanterna magica, utilizado para designar o primeiro projetor de diapositivos através do qual imagens positivas transparentes representadas em diapositivos de vidro (diapositivos de lanterna mágica) eram projetadas numa superfície branca, como uma parede ou um ecrã. A invenção deste instrumento ótico, em meados do século XVII, permitiu, pela primeira vez, a projeção de imagens iluminadas e ampliadas que podiam ser observadas por uma audiência coletiva. Os materiais e métodos de produção de diapositivos de vidro pintados para lanternas mágicas e o desenvolvimento de estratégias de conservação continuam a ser um domínio pouco estudado. Como resultado, os problemas de deterioração mais severos representam um desafio agravado para os conservadores. O presente trabalho foi desenvolvido como o primeiro estudo sistemático sobre os materiais e técnicas utilizados na produção de diapositivos de vidro pintados para lanterna mágica (inteiramente pintados e coloridos sobre contornos impressos), criando uma ponte entre as fontes escritas e materiais dos séculos XVIII e XIX, ao mesmo tempo que aborda desafios de conservação preventiva e restauro. Foi efetuada uma revisão bibliográfica de fontes escritas dos séculos XVIII e XIX que referem os materiais e técnicas aplicados na produção de diapositivos de lanterna mágica, permitindo uma visão geral dos tipos de suporte de vidro adquiridos e da paleta de cores e aglutinantes disponíveis na época. Foi também explorada a evolução dos instrumentos de lanterna mágica e dos sistemas de iluminação ao longo do tempo. As formulações das aguarelas Winsor & Newton foram investigadas, revelando grande complexidade e individualidade consoante o corante utilizado em cada formulação. Foi feita uma breve investigação sobre o contexto da utilização e o impacto das lanternas mágicas em Portugal ao longo dos tempos e foram selecionadas para o presente estudo duas coleções portuguesas de diapositivos de lanterna mágica pertencentes à Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema (CPMC) e ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC) da Universidade de Lisboa. As características destas coleções são discutidas, e o suporte vítreo e os materiais de pintura utilizados em 48 dos seus diapositivos, atribuídos a uma produção europeia dos séculos XVIII e XIX, foram estudados com recurso a uma abordagem multi-analítica. As técnicas de espectrometria de Fluorescência de Raios-X Dispersiva de Energia (EDXRF), e espectroscopias de Ultravioleta-Visível (UV-VIS) e Raman foram aplicadas in situ e a espetroscopia de Infravermelhos com Transformada de Fourier (FTIR) e a Espetroscopia Raman Amplificada por Superfície (SERS) foram efetuadas em micro-amostras. Aliando EDXRF à análise semi-quantitativa com o programa WinAxil (utilizando padrões de vidro do Corning Museum of Glass (Corning, NY, EUA) para validação) foi possível a identificação de quatro grupos principais de composições vítreas: vidros ricos em potássio, alcalinos-mistos, com alto teor de cálcio e baixo teor de iões alcalinos e vidros ricos em soda sintética. Estes resultados permitiram verificar a preferência por vidros de grande qualidade, como relatado na documentação histórica, e cada grupo composicional pode ser associado a períodos e centros de produção específicos, fornecendo pistas cruciais para a atribuição destes diapositivos. Complementando a técnica de EDXRF com espetroscopia UV-VIS, Raman e FTIR, foi possível identificar vários colorantes, incluindo ocre amarelo, gamboge, ocre vermelho, lacas à base de cochonilha, lacas gerânio, vermelhão, azul da Prússia, azul ultramarino, verde de cobre e negro de carvão, e cargas como o gesso. Relativamente ao componente aglutinante destas pinturas, foram detetadas por FTIR resinas terpenóides, nomeadamente mástique e goma-laca, bem como a possível presença de óleos. Finalmente, a técnica de SERS permitiu a identificação de ácido carmínico numa amostra avermelhada. Estes resultados verificaram o uso de uma paleta de cor reduzida, a preferência dos artistas por cores vivas e puras, e a produção de misturas simples para a criação de diversos de tons e gradientes. Esta caraterização material revelou uma forte correlação entre o vidro e materiais de pintura identificados nos diapositivos dos séculos XVIII e XIX e os materiais descritos nas fontes documentais da época, permitindo a elaboração de uma linha cronológica que abrange a evolução do vidro suporte e da paleta de cores utilizada na produção destes diapositivos pintados. Foi também possível encontrar diferenças entre fabricantes, países e períodos, o que permitirá auxiliar a atribuição de diapositivos com maior precisão. Por fim, são abordados alguns desafios de conservação enfrentados pelos responsáveis por estas coleções e profissionais de conservação. Foi avaliado o estado de conservação de mais de 350 diapositivos pintados das coleções portuguesas estudadas e foram identificados os principais danos observados nestes objetos, alguns deles com recurso a Microscopia Ótica. Este estudo demonstrou que, dos materiais que constituem estes diapositivos, o vidro e as camadas de pintura são os materiais mais frágeis e danificados. Tendo em conta o conhecimento reunido do ponto de vista material, e informações prestadas por institucionais nacionais e internacionais através de um inquérito, foram elaboradas diretrizes de conservação preventiva adaptadas às coleções de diapositivos pintados, de forma a complementar as normas de conservação em vigor. Dado que cerca de 20 % dos diapositivos estudados se encontram em mau ou muito mau estado de preservação e necessitam de ações de conservação ou restauro, e não foram encontradas orientações para este tipo de procedimentos em diapositivos de lanterna mágica pintados, este estudo explorou também métodos de limpeza para estas pinturas e de união de fragmentos do vidro suporte. No entanto, considera-se fundamental uma investigação aprofundada sobre os materiais e métodos de consolidação destas camadas de pintura transparentes. Esta investigação interdisciplinar oferece um contributo valioso para a compreensão dos diapositivos de lanterna mágica pintados, com o objetivo de aumentar a sensibilização e a apreciação por estas coleções para assegurar a sua preservação e fruição pelas gerações presentes e futuras.
Lanterna mágica é o termo, derivado do latim lanterna magica, utilizado para designar o primeiro projetor de diapositivos através do qual imagens positivas transparentes representadas em diapositivos de vidro (diapositivos de lanterna mágica) eram projetadas numa superfície branca, como uma parede ou um ecrã. A invenção deste instrumento ótico, em meados do século XVII, permitiu, pela primeira vez, a projeção de imagens iluminadas e ampliadas que podiam ser observadas por uma audiência coletiva. Os materiais e métodos de produção de diapositivos de vidro pintados para lanternas mágicas e o desenvolvimento de estratégias de conservação continuam a ser um domínio pouco estudado. Como resultado, os problemas de deterioração mais severos representam um desafio agravado para os conservadores. O presente trabalho foi desenvolvido como o primeiro estudo sistemático sobre os materiais e técnicas utilizados na produção de diapositivos de vidro pintados para lanterna mágica (inteiramente pintados e coloridos sobre contornos impressos), criando uma ponte entre as fontes escritas e materiais dos séculos XVIII e XIX, ao mesmo tempo que aborda desafios de conservação preventiva e restauro. Foi efetuada uma revisão bibliográfica de fontes escritas dos séculos XVIII e XIX que referem os materiais e técnicas aplicados na produção de diapositivos de lanterna mágica, permitindo uma visão geral dos tipos de suporte de vidro adquiridos e da paleta de cores e aglutinantes disponíveis na época. Foi também explorada a evolução dos instrumentos de lanterna mágica e dos sistemas de iluminação ao longo do tempo. As formulações das aguarelas Winsor & Newton foram investigadas, revelando grande complexidade e individualidade consoante o corante utilizado em cada formulação. Foi feita uma breve investigação sobre o contexto da utilização e o impacto das lanternas mágicas em Portugal ao longo dos tempos e foram selecionadas para o presente estudo duas coleções portuguesas de diapositivos de lanterna mágica pertencentes à Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema (CPMC) e ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC) da Universidade de Lisboa. As características destas coleções são discutidas, e o suporte vítreo e os materiais de pintura utilizados em 48 dos seus diapositivos, atribuídos a uma produção europeia dos séculos XVIII e XIX, foram estudados com recurso a uma abordagem multi-analítica. As técnicas de espectrometria de Fluorescência de Raios-X Dispersiva de Energia (EDXRF), e espectroscopias de Ultravioleta-Visível (UV-VIS) e Raman foram aplicadas in situ e a espetroscopia de Infravermelhos com Transformada de Fourier (FTIR) e a Espetroscopia Raman Amplificada por Superfície (SERS) foram efetuadas em micro-amostras. Aliando EDXRF à análise semi-quantitativa com o programa WinAxil (utilizando padrões de vidro do Corning Museum of Glass (Corning, NY, EUA) para validação) foi possível a identificação de quatro grupos principais de composições vítreas: vidros ricos em potássio, alcalinos-mistos, com alto teor de cálcio e baixo teor de iões alcalinos e vidros ricos em soda sintética. Estes resultados permitiram verificar a preferência por vidros de grande qualidade, como relatado na documentação histórica, e cada grupo composicional pode ser associado a períodos e centros de produção específicos, fornecendo pistas cruciais para a atribuição destes diapositivos. Complementando a técnica de EDXRF com espetroscopia UV-VIS, Raman e FTIR, foi possível identificar vários colorantes, incluindo ocre amarelo, gamboge, ocre vermelho, lacas à base de cochonilha, lacas gerânio, vermelhão, azul da Prússia, azul ultramarino, verde de cobre e negro de carvão, e cargas como o gesso. Relativamente ao componente aglutinante destas pinturas, foram detetadas por FTIR resinas terpenóides, nomeadamente mástique e goma-laca, bem como a possível presença de óleos. Finalmente, a técnica de SERS permitiu a identificação de ácido carmínico numa amostra avermelhada. Estes resultados verificaram o uso de uma paleta de cor reduzida, a preferência dos artistas por cores vivas e puras, e a produção de misturas simples para a criação de diversos de tons e gradientes. Esta caraterização material revelou uma forte correlação entre o vidro e materiais de pintura identificados nos diapositivos dos séculos XVIII e XIX e os materiais descritos nas fontes documentais da época, permitindo a elaboração de uma linha cronológica que abrange a evolução do vidro suporte e da paleta de cores utilizada na produção destes diapositivos pintados. Foi também possível encontrar diferenças entre fabricantes, países e períodos, o que permitirá auxiliar a atribuição de diapositivos com maior precisão. Por fim, são abordados alguns desafios de conservação enfrentados pelos responsáveis por estas coleções e profissionais de conservação. Foi avaliado o estado de conservação de mais de 350 diapositivos pintados das coleções portuguesas estudadas e foram identificados os principais danos observados nestes objetos, alguns deles com recurso a Microscopia Ótica. Este estudo demonstrou que, dos materiais que constituem estes diapositivos, o vidro e as camadas de pintura são os materiais mais frágeis e danificados. Tendo em conta o conhecimento reunido do ponto de vista material, e informações prestadas por institucionais nacionais e internacionais através de um inquérito, foram elaboradas diretrizes de conservação preventiva adaptadas às coleções de diapositivos pintados, de forma a complementar as normas de conservação em vigor. Dado que cerca de 20 % dos diapositivos estudados se encontram em mau ou muito mau estado de preservação e necessitam de ações de conservação ou restauro, e não foram encontradas orientações para este tipo de procedimentos em diapositivos de lanterna mágica pintados, este estudo explorou também métodos de limpeza para estas pinturas e de união de fragmentos do vidro suporte. No entanto, considera-se fundamental uma investigação aprofundada sobre os materiais e métodos de consolidação destas camadas de pintura transparentes. Esta investigação interdisciplinar oferece um contributo valioso para a compreensão dos diapositivos de lanterna mágica pintados, com o objetivo de aumentar a sensibilização e a apreciação por estas coleções para assegurar a sua preservação e fruição pelas gerações presentes e futuras.
Descrição
Palavras-chave
Magic lantern slides Glass Cold painting Material characterisation Conservation Restoration
