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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O presente artigo discute várias narrativas de viagem desta autora, bem como E a noite roda e O meu amante de domingo para argumentar que nelas se mostra o tanto que a razão e a curiosidade cosmopolitas (Santos, 2002; Appiah, 2006) desconstroem o olhar e o conhecimento eurocêntricos para assumir o dever ético de hospitalidade absoluta e incondicional perante o Outro (Derrida, 2003). A viagem é o esforço decolonial de desaprendizagem; esta, através da escuta, cria espaço para que outras histórias possam ser narradas em nome próprio, desafiando a simplificação do olhar e conhecimento eurocêntricos, os últimos redutos coloniais europeus. Por um lado, o olhar eurocêntrico exotiza as vidas não europeias, em particular as das mulheres, enquanto a sua desconstrução decolonial abre-se como espaço de hospitalidade à subjetividade e individualidade. Por outro lado, refletindo o campo de poder do mundo, o cânone literário ocidental tem representado demasiadas vezes vidas das mulheres a partir da perspetiva e da experiência patriarcal. Assim, as narrativas de ficção de Coelho resgatam a densidade subjetiva das mulheres, porque os cânones são, antes de mais, reflexos da hospitalidade condicional a estas vozes. Contrariar representações literárias das vidas das mulheres condicionadas a uma perspetiva hegemónica é um imperativo ético de consciência que aumenta o mundo.
Descrição
UIDB/04666/2020
UIDP/04666/2020
Palavras-chave
Alexandra Lucas Coelho Mulheres Hospitalidade Escuta Decolonial Alteridade
Contexto Educativo
Citação
Editora
Imprensa da Universidade de Coimbra
