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Orientador(es)
Resumo(s)
O cancro da próstata (CaP) é o cancro mais comum e a segunda principal causa de morte por cancro em homens, estando 90% da mortalidade associada ao desenvolvimento de doença metastática, após a ineficiência de uma combinação de regimes terapêuticos disponíveis. Recentemente, foi demonstrado que o microambiente tumoral (MT) e as alterações metabólicas associadas às células que o compõem desempenham um papel determinante na tumorigénese. A realização de um screening genético com o intuito de identificar alterações na expressão génica associadas a pior prognóstico e maior capacidade de metastização revelou que a Aspartoacilase (ASPA) poderá estar relacionada com uma maior agressividade da doença. O principal objetivo deste projeto é caracterizar o MT do CaP usando microscopia multiespectral, estabelecendo uma correlação das características do MT com os estágios da doença e o quadro clínico dos pacientes. Ao recorrer à técnica de imunofluorescência pretende-se desvendar um possível fenótipo que poderá prever o desenvolvimento de metástases antes da sua manifestação clínica. Uma coorte de 123 amostras humanas, que inclui hiperplasias benignas da próstata (n = 20), CaP primários (n = 85) e metastáticos (n = 18), foi caracterizada imunofenotipicamente usando um painel otimizado de 5 biomarcadores (ASPA, CD31, CD68, Citoqueratina 18 e Desmina). Recorrendo a uma Multiplex de Imunofluorescência, foi possível avaliar a expressão de ASPA no MT, bem como as populações de fibroblastos (Desmina) e macrófagos (CD68). O marcador CD31 foi incluído com o intuito de determinar a densidade vascular nas amostras em estudo. O sinal de Citoqueratina 18 permitiu identificar as células tumorais, guiando a aquisição de imagens microscópicas. Em particular, áreas estromais entre as glândulas tumorais e na periferia dos ninhos tumorais foram adquiridas e analisadas recorrendo a softwares adequados. Os nossos resultados demonstram que a expressão de ASPA co-localiza fortemente com a população de fibroblastos e diminui significativamente com a progressão tumoral. É também evidente um infiltrado de macrófagos abundante, principalmente nas regiões intratumorais, podendo correlacionar-se com pior prognóstico dos doentes. Verifica-se aumento da densidade vascular com a evolução da doença, mas não há co-localização entre a expressão da enzima e a expressão de CD31, sugerindo que os vasos sanguíneos não estão envolvidos no fenômeno de expressão da enzima no MT. Além disso, é demonstrado que o ASPA é um biomarcador de pior evolução clínica, uma vez que os pacientes com os menores níveis de expressão de ASPA são mais propensos a apresentar uma evolução menos favorável da doença, principalmente no que se refere à sobrevivência livre de metástases. O cenário descrito pode ser atribuído à desregulação da enzima ou à acumulação do seu metabolito N-acetil-aspartato (NAA), que poderá ser responsável pela emissão de sinais | viii moleculares que culminam na ativação de vias metabólicas das células tumorais, levando à manifestação de um fenótipo mais agressivo da doença. Ao adotar uma abordagem de diagnóstico e terapêutica orientada por biomarcadores, caminhamos no sentido de uma medicina mais precisa, oferecendo o benefício máximo para cada paciente.
Descrição
Palavras-chave
Prostate Cancer Metastasis Aspartoacylase Tumour microenvironment Immunofluorescence Multispectral Microscopy
