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"Homens sem Cabeça": a Casa da Marcha, um terreno etnográfico segundo três partes do corpo

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Resumo(s)

Movida por uma curiosidade profunda acerca de como pessoas e coisas são parte constitutiva de um mesmo espaço e de uma mesma temporalidade esta pesquisa abre-se a pensar os materiais e a matéria como inerentemente vivos para entender como mundos de prática se constituem e transformam. Este é um questionamento processual dos pressupostos da antropologia vista de uma posição epistemológica particular e toma a forma de um filme etnográfico ancorado no conhecimento de um cinema observacional. O seu recorte incide nos processos que dão forma à marcha Gualteriana de Guimarães e na performatividade do seu fazer segundo três partes do corpo olho mão e cabeça. “olho” abre considerações sobre o filme como um processo de passagem da observação à linguagem e do terreno à imagem tentando pôr em prática um pensamento incorporado e háptico: ver como tocar, pensar como fazer; “mão” defende criticamente um ponto de vista material e uma perspectiva materialista e para-lá-de-humana para a antropologia; “cabeça” imagina o que seria uma antropologia sem a própria cabeça, como seria redistribuir a noção de antropos inscrita na própria palavra antropologia e levanta questões epistemológicas acerca da prática antropológica, vistas do ponto de vista particular desta etnografia. Encarando o universo material produzido pela Casa da marcha Gualteriana através de uma lente ontológica, que desafia a forma como vemos tocamos, fazemos, pensamos e agimos com e através dos materiais e da matéria, esta pesquisa pretende contribuir para nos situarmos de uma forma sustentável dentro dos sistemas relacionais que diariamente habitamos e dos lugares que através deles fazemos. Este tipo de pensamento surge como tentativa de formular um conceito teórico de performatividade relacional e material que considere as formas de agência humanas e não humanas para as ciências sociais e para demais disciplinas. Talvez seja assim possível reconhecer a cultura e a natureza, o corpo e a materialidade na plenitude do seu devir sem recorrer à teorização do humano como causa ou efeito. Serve por isso, esta pesquisa, para continuar a questionar acerca de lugares de prática, as suas coisas materiais e matérias e sobre a forma como tudo isso se emaranha nas vidas e nos corpos das pessoas e vice-versa.

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Palavras-chave

Casa da Marcha Etnografia Fazer Materiais Conhecimento háptico Pós-humanismo Mutualidade Intersubjectividade Epistemologia em antropologia

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