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Resumo(s)
Este ensaio analisa a ideia de atraso inerente ao trabalho de José-Augusto França, responsável pelo desenvolvimento notável da historiografia da arte em Portugal depois da Segunda Guerra Mundial e por estabelecer um cânone historiográfico para a arte portuguesa dos séculos XIX e XX. Procura enquadrar o conceito de atraso no contexto da historiografia de arte portuguesa e da história política, e analisá-lo no quadro de uma genealogia de pensamento intelectual produzido num contexto imperial, revisitando alguns anteriores historiadores e autores importantes, como Antero de Quental e António Sérgio. O conceito de atraso associa-se à ideia de “civilização” e à ideia de “arte como civilização” e tem implicações nos constrangimentos e nas especificidades da escrita de uma narrativa hegemónica num país periférico, que procurava comparar-se a um modelo artístico e cultural parisiense. A necessidade de sublinhar o atraso foi particularmente sentida na segunda metade do século XX também para marcar uma posição política contra a ditadura que esteve no governo de 1926 a 1974. Parte da reacção ao fascismo expressava o desejo de seguir o exemplo democrático de outras nações, mas as avaliações auto-depreciativas sobre arte portuguesa estavam frequentemente associadas à identificação de motivos essencialistas — a “natureza” do povo português, a sua maneira de pensar e de viver, a sua falta de capacidades ou de competências — e a uma imagem de si próprio como sendo “primitivo” em comparação com outros países europeus, a qual tem antecedentes que remontam ao século XVIII. Abordarei a nostalgia pelo império e sua relação com a noção de atraso prevalecente ao longo de todo o século XX, no que diz respeito a aspectos por resolver face a essa nostalgia.
Descrição
UIDB/00417/2020 UIDP/00417/2020 PTDC/ART-HIS/29837/2017
Palavras-chave
Atraso Historiografia Modernismo Civilização Eurocentrismo Periferia General Arts and Humanities
