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Orientador(es)
Resumo(s)
O presente trabalho de investigação em Relações Internacionais — Globalização e
Ambiente, inscrito na esfera da política climática internacional, visa observar, analisar
e compreender o contexto económico e energético de uma das grandes potências
climáticas — o Brasil —, bem como o seu posicionamento nas arenas internacionais de
discussão do clima global. O principal objetivo deste estudo consiste em aferir o grau
de capacidade do país para impulsionar um grande acordo de mitigação e, assim,
contribuir para a resolução do problema climático.
Quando observamos a matriz energética brasileira, verificamos que cerca de 47% da
energia do país advém de fontes renováveis, facto que revela um forte potencial de
transição para uma economia de baixo carbono. Para tal perfil energético, contribuem
a hidroeletricidade e os biocombustíveis. 60% das emissões de GEE do país advêm,
atualmente, da desflorestação na Amazónia e no Cerrado, e das atividades
agropecuárias.
Internacionalmente, e embora o Brasil possua uma matriz energética bastante
renovável, a orientação do país tem sido pautada por uma posição de resistência, alicerçada numa clivagem Norte/Sul, em aliança com países emergentes
extremamente poluentes e conservadores em matéria ambiental (como China e Índia).
Contudo, o potencial brasileiro de transição para uma economia de baixo carbono é,
de facto, elevado, o que, a concretizar-se, colocaria o Brasil numa posição
extremamente favorável para funcionar como “ponte” de ligação entre países
desenvolvidos e emergentes, rumo a um importante acordo de mitigação das
alterações climáticas.
Porém, apesar de todo o potencial, estamos perante um país em desenvolvimento,
cuja procura energética aumentará exponencialmente nos próximos anos.
Adversidades energéticas resultantes de alterações no clima poderão comprometer a
fiabilidade e o potencial da produção hidroelétrica brasileira, bem como a produção de
biocombustíveis, o que, aliado ao crescimento económico, poderá traduzir-se em
níveis de poluição para lá do expectável. A nível governamental, verificam-se sinais
favoráveis à expansão do setor petrolífero, o que se reflete na estagnação do projeto
do etanol.
Os recursos do pré-sal (petróleo e gás) recentemente descobertos no território
brasileiro poderão auxiliar o país na transição económica; no entanto, o Brasil corre o
risco de cair numa falsa matriz energética de transição, ou seja, na inércia da utilização
excessiva e prolongada daqueles recursos como resposta ao aumento da procura
energética.
Neste contexto, dada a incerteza em torno do futuro económico e energético do país,
a presente investigação procura descortinar uma série de possibilidades para a
evolução do contexto nacional brasileiro, assim como a presença do Brasil na cena
política internacional entre 2020 e 2024. Através da construção de quatro cenários,
procura-se avaliar a capacidade do país para promover um importante acordo de
mitigação da mudança climática global.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau
de Doutor em Relações Internacionais, na especialidade de Globalização e
Ambiente
Palavras-chave
Segurança Climática Brasil Economia de Baixo Carbono Biocombustíveis Pré-sal Agronegócio
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
