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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Sem pretender, já que não é esse o objecto do nosso estudo, sistematizar razões
para que tal asserção seja uma realidade geralmente indiscutida, duas constatações
parecem perfilar-se quando avaliamos o conjunto da produção cultural então realizada.
Em primeiro lugar, e numa perspectiva comparada, a chamada “cultura dos príncipes
de Avis” representa um dos raros momentos em que a criação cultural parece escapar
à “fatalidade” da periferia, que condiciona a cultura portuguesa ao longo dos séculos,
numa sintonia com o que se fazia noutras terras e noutros lugares que ainda hoje em
certos aspectos surpreende. Em segundo lugar, ao situar-se decisivamente num meio
social bem definido –a corte régia– pela primeira vez se desenha de forma nítida em
Portugal o papel da corte na produção de modelos culturais, facto que testemunha a
profunda mutação então em marcha relativamente ao quase absoluto predomínio, no
quadro medieval, de uma cultura clerical produzida em meio monástico, e anuncia o
lugar da corte na criação e na vida cultural ao longo da Época Moderna. Aliás, o lugar
que o livro e a cultura letrada iam ganhando na corte de Avis com o exemplo dos
próprios príncipes exprimia, de modo mais amplo, a forma como a aristocracia
progressivamente integrava, a par das armas, o interesse pelas letras, num processo
que deve ser visto num âmbito peninsular, dado o relevo das relações culturais na primeira metade do século XV, depois de alcançada a paz, entre a corte de Avis e a
corte castelhana (Freitas de Carvalho 77-82; Monteiro 89-103; Santos 243-74; Salazar
215-26).
Descrição
Palavras-chave
Contexto Educativo
Citação
Editora
Antonio Cortijo Ocaña
