| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 3.25 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Esta tese centra-se no cruzamento entre o jornalismo, a participação e as culturas
juvenis. Numa era em que o jornalismo é posto em causa, muito em especial junto dos
mais jovens, quisemos saber Qual o papel das notícias na construção da participação
(cívica e política) ao longo do tempo? A ideia de partida centrava-se na oportunidade de
perceber em que contextos e de que forma estes elementos complexos (jovens,
jornalismo e participação nas suas pluridimensões) se cruzavam e de que forma isso
poderia possibilitar leituras (diferenciadas) do quotidiano desses jovens. O consumo de
notícias em geral, de notícias de política e as formas de participação constituíram
elementos base de análise, muito embora nos tivéssemos preocupado ainda com
propostas que os jovens fizeram para ligar os jovens ao jornalismo e à participação e nas
razões que desmotivam a participação.
A amostra inicial foi constituída por 35 jovens (32=15-18 anos; 1=14 anos; 2=21
anos; 16 raparigas e 19 rapazes), com graus/níveis e tipos de participação muito
diferenciadas (Parlamento dos Jovens, assembleia de bairro, juventudes partidárias,
jornais escolares, graffiti, música). Estes são os exemplos de participação pelos quais os
selecionámos, embora tenhamos descoberto muitos outros modos de participação. Estes
jovens possuem backgrounds familiares, educacionais, culturais e económicos muito
distintos e também competências individuais diferenciadas. Neste estudo qualitativo e
longitudinal (2010-2011) foi feita observação direta, duas fases de entrevistas
semiestruturadas (em 2010=35 jovens; em 2011=30 jovens) e duas fases de grupos de
foco (grupos de foco tradicionais=15 jovens; grupos de foco participatórios=10 jovens).
Procurámos dar voz aos jovens na própria investigação, fazendo deles quasiinvestigadores.
Através da leitura dos cinco perfis constituídos (com base no consumo de
notícias gerais, de notícias de política e nas formas autorreportadas de participação),
verificámos que o jornalismo continua a ter preponderância muito diferenciada junto
dos jovens, também fruto dos contextos de participação, dos backgrounds familiares e
das vontades pessoais. O discurso simplista da geração digital é mais retórico do que
efetivo e pode camuflar realidades, desinvestimentos e carências profundas de literacia
cívico-mediática. O cerne das necessidades e da intervenção está na sociedade e não na
tecnologia. Mas a tecnologia, aliada a formas de intervenção e de participação, pode
facilitar modelos de resiliência (ao longo do tempo) mesmo junto de jovens que vivem
em contextos desfavorecidos. Além dos capitais económico e cultural, são fundamentais
os sociais e cívicos, que podem também estabelecer alavancas de empoderamento,
capazes de fomentar consumos e participação. Demos conta de que a família se
constituiu como grupo relevante no que toca ao potenciar dos consumos informativos e
de que a escola teve papel importante no fomento da participação. De anotar ainda que
outros elementos de sociabilidade foram relevantes, como os amigos e os colegas.
Esferas sociais mais alargadas só se evidenciaram junto de uma minoria de jovens com
maior consumo de notícias e de participação.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau
de Doutor em Ciências da Comunicação (especialidade em estudos dos Media
e do Jornalismo)
Palavras-chave
Jovens Jornalismo Participação Media Quotidianos
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
