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Resumo(s)
Três Histórias de Esquecimento (2021) é uma coletânea de narrativas que reúne os já publicados A Visão das Plantas (2019) e Maremoto (2021) pela mesma editora, Relógio d’Água, e o inédito Bruma. Sendo uma coletânea que surge por iniciativa da sua autora, Djaimilia Pereira de Almeida, Três Histórias de Esquecimento centra-se nos percursos de vida de três homens que, conforme a apresentação da sua editora, são “encarnações do desespero perante perguntas a que a História não responde”: um antigo traficante de escravizados regressado a casa para morrer, um ex-combatente angolano das guerras de libertação na Guiné-Bissau que é arrumador de carros em Lisboa e um velho escudeiro negro que lia histórias à criança que foi Eça de Queiroz rememoram as suas vidas. Argumenta-se que esta coletânea se configura enquanto um projeto literário de Almeida que centraliza as vozes de figuras que fazem parte da importantes momentos que moldaram a história de Portugal e que a historiografia rasurou ou não relevou, atos que tiveram a cumplicidade da literatura portuguesa porque se esta nunca as explorou, muito menos as suas subjetividades foram consideradas. Partindo de frases breves de Os Pescadores, de Raul Brandão e da correspondência de Eça de Queiroz e da ainda não suficientemente explorada história da participação dos combatentes negros nos contingentes portugueses, Almeida inscreve-as num processo de historização contra-hegemónico, cabendo ao leitor questionar-se sobre os limites éticos do esquecimento no presente. Três Histórias de Esquecimento apresenta-se, deste modo, como uma escrita literária reparativa da memória rasurada em tempos pós-coloniais.
Descrição
UIDB/00417/2020
UIDP/00417/2020
PTDC/LLT-LES/0858/2021
Palavras-chave
Memória Histórica Literatura Escrita Reparativa Rasura Djaimilia Pereira de Almeida
Contexto Educativo
Citação
Editora
Universidade do Minho (Portugal)
