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A formação dos jornalistas na viragem de oitocentos para novecentos

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Ao longo do século XIX ser jornalista era uma ocupação reservada a homens de letras e homens de leis, que viram na imprensa uma plataforma de intervenção e reconhecimento público. Contudo, no último quartel do século a situação alterou-se, perante uma mudança no mercado dos bens simbólicos, e foi este o período determinante na autonomização do jornalismo enquanto profissão autónoma numa modernidade inscrita na viragem para o século XX. Um dos aspetos decisivos para a profissionalização, e que pode ajudar a compreender as tensões e disputas simbólicas no campo intelectual por parte de um setor emergente e crescente de jornalistas, é precisamente a formação da classe. No caso do jornalismo português, o estudo da formação de jornalistas tem sido feito a partir de meados do século XX (Sobreira, 2003), havendo poucos dados concretos sobre as competências técnicas e formativas dos jornalistas do período agora em estudo. É no quadro do movimento associativo de final do século, a partir de 1880, que o ensino da profissão entra de alguma forma no horizonte. Sabe-se também que, além do caso norte-americano (Mollier et al., 2006), em contextos similares europeus, este é um campo essencial para a compreensão da construção identitária da classe, com repercussões na sua legitimação simbólica e com consequências concretas no robustecimento do espaço público (Delporte, 1999; Cornu & Ruellan, 1993). Esta abordagem procura saber o que se passou em Portugal: através de fontes primárias e testemunhos de época, compreender que formação tinham os jornalistas que, na viragem de oitocentos para novecentos, alimentavam redações de grande dimensão, como em jornais de espectro tão diferenciado como o Diário Ilustrado, O Século ou O Mundo, o que nos leva a estudar formas de acesso à cultura e à aprendizagem, fenómenos de autodidatismo e de educação informal que se refletem no Jornalismo e permitem definir a sua escola.

Descrição

UIDB/04209/2020 UIDP/04209/2020 PTDC/COM-JOR/28144/2017

Palavras-chave

Ensino profissional Ensino informal Associativismo Jornalistas Homens de letras Professional training Informal education Associative movements Journalists Men of letters

Contexto Educativo

Citação

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Fascículo

Editora

ICNOVA – Instituto de Comunicação da Nova

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