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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Impõe-se, para começar, pôr em causa duas idéias feitas: a de que
Alberto Caeiro, o Mestre da família pessoana, é um "poeta da Natureza",
como ele a si próprio se apelidou, e a outra, mais geral, de que a Natureza é
paisagem.
Convém lembrar que Pessoa foi um citadino assumido. Nasceu e morreu
em Lisboa, passou oito anos numa cidade da África do Sul, Durban, e fez
nascer em três cidades diferentes de Portugal os seus heterônimos: Alberto
Caeiro em Lisboa, Álvaro de Campos em Tavira e Ricardo Reis no Porto. É
verdade! até Caeiro nasceu numa cidade, Lisboa, apesar de ter ido muito
novo viver para o campo - para o Ribatejo.
Instado por um amigo, Francisco Cabral Metelo, a quem fez o favor de
um prefácio, a ir passar uns tempos com ele no campo, na quinta dos pais.
Pessoa respondeu, declinando o convite, que tinha o espírito "insuficientemente
panorâmico"'. E para melhor exprimir o anti-bucolismo dessa sua
alma citadina ainda acrescentou que "há árvores, pedras, flores, rios que são
tão estúpidos que parecem gente".
Também convém não esquecer que, numa célebre carta a João Gaspar
Simões, que ele sempre gostou de arreliar. Pessoa desmistifica os seus "fingimentos"
autobiográficos que o exegeta tinha interpretado ao pé da letra,
lembrando-lhe que "o sino da sua aldeia" era o da Igreja dos Mártires, ali ao
Chiado - onde até por sinal fora baptizado.
