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Orientador(es)
Resumo(s)
O século XX representa a aproximação progressiva da conservação e restauro às
actividades de carácter técnico-científicoe o distanciamento das suas origens nas artes e ofícios.
Em termos profissionais, assiste-se à substituição do artífice pelo técnico especializado e pelo cientista. A área dos documentos gráficos é um exemplo desta evolução. Partindo-se da fusão entre o encadernador e o amador, assiste-se à emergência do técnico, em meados do século e à afirmação do conservador-restaurador, na década de oitenta. Em Portugal, o primeiro serviço de restauro de documentos gráficos, criado no AHU, após as inundações da década de sessenta, revela este percurso, apesar de alguns sinais de atraso visível e de dificuldades que tendem a tornar-se estruturais.
No século XX, se a mudança de paradigma na actividade de conservação é caracterizada
pelo recurso crescente à ciência, ela representa, antes de mais, uma mudança de mentalidades, resultante da síntese da dialéctica valor estético/valor histórico e expressa pelo abandono do ideal de busca do original e pela recusa do restauro mimético, ao mesmo tempo que se observa a emergência da noção de autenticidade. A evolução a que se assiste não foi uniforme, tendo estado dependente não só da hierarquia patrimonial, que atribui distintos valores a diferentes
tipos de património, mas também das tradições culturais dos diversos países.
Apesar do salto qualitativo ocorrido no século XX, no que se refere à teoria do restauro e à formação dos seus profissionais, o operacional continua à procura de uma identidade própria. O carácter contraditório da conservação, tal como a entendemos hoje, deriva de factores
diversos que vão desde a noção de consciência histórica e a transformação radical do conceito de Património, precipitada nas últimas décadas pelo seu alargamento à dimensão antropológica;
à abertura do conhecimento à sociedade civil e o respeito crescente pelas sociedades
multiculturais, exigindo a aceitação de diferentes escalas de valores. Todos estes factores têm contribuído para a actual situação de indefinição, impedindo o crescimento harmonioso da profissão e mantendo o conservador-restaurador numa posição subalterna, ao mesmo tempo que
concorre com outros profissionais bem estabelecidos e é confrontado pelas comunidades locais, usufrutuárias do património. A resolução da situação de crise exige, no presente, o entendimento da actividade como verdadeiramente interdisciplinar e científica, sem negar as suas origens artísticas e evitando o desperdício dos esforços mais recentes de valorização da profissão. Trata-se de resolver a dialéctica arte/ciência, e criar uma comunidade plural de conservadores, através de um ensino multifacetado, mas coordenado, que permita a criação dos vários perfis necessários, dentro da profissão.
Descrição
Dissertação para obtenção do grau de Doutor em Conservação e Restauro: Teoria, História e
Técnicas
Palavras-chave
Conservador-restaurador Documentos gráficos Teorias de restauro Profissionalização Património AHU
