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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Confrontado com perigos, suspeitados e insuspeitados, dotado de recursos
científicos e tecnológicos ainda incipientes, comparados com os séculos
vindouros, o homem quinhentista oscila entre o gigantismo ousado das grandes
realizações oceânicas e o primitivismo nômada da pré-história. Repartido
entre a função emotiva e poética, de caracter elegíaco, e a função referencial
da linguagem, o discurso veiculado na História Trágico-Marítima enfatiza
de modo recorrente e exaustivo o conflito dramático do homo viator na
luta pela sobrevivência. Num apelo constante à piedade alheia, o texto trágico
realiza intencionalmente uma cátharsis, ou processo de purificação do leitor/
espectador, a partir da comunhão vivencial com a dor das personagens
intervenientes. Nesta partilha espiritual de experiências e dificuldades, emoções
e sentimentos, põe-se em funcionamento um mecanismo dialéctico
implícito, comum a toda a actividade humana mas aqui naturalmente mais
saliente, devido aos condicionalismos específicos da situação expansionista,
que é constituído pelos binômios instinto versus razão e natura versus cultura.
Esta tensão, explicitada no domínio das carências básicas, abrange a
fome/sede e a alimentação, a nudez e o vestuário, o sono e a vigilância, o
repouso e o trabalho.
