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Além, o poema russo de Mário de Sá-Carneiro

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Resumo(s)

Este artigo examina tanto o processo de criação de “Além” e “Bailado”, de Mário de Sá-Carneiro, incluídos em Céu em Fogo como um apêndice a “Asas”, como o desen-volvimento paralelo da narrativa ficcional da sua génese. Ambos estão amplamente documentados na correspondência entre Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, em que aquele expõe uma poética própria, que tem como conceito central a ideia de transvio. Assumindo o caráter ostensivamente fragmentário desses textos, cujo sen-tido seria apenas sugerido e não coerentemente afirmado, Sá-Carneiro apresenta-os como uma tentativa de tematizar a distância entre a ideia abstrata do texto e a sua realização material. É esta poética o objeto de reflexão na primeira parte deste artigo. Na segunda, deter-nos-emos na moldura ficcional criada em “Asas” para salvar e tornar legíveis “Além” e “Bailado”, depois das críticas de Pessoa, que os considerara ininteligíveis. Serão ambos apresentados, finalmente, como traduções de textos atri-buídos ao poeta ficcional Petrus Ivanowitch Zagoriansky, autor de um Poema perfeitoque se teria desmaterializado no momento da sua conclusão. Estas traduções seriam tudo o que restava da sua obra. Os deslocamentos autorais (e linguísticos) implicados por esta moldura traduzirão em termos narrativos a mencionada ideia do transvio.

Descrição

UIDB/00657/2020 UIDP/00657/2020

Palavras-chave

Génese Poética Tradução Fernando Pessoa

Contexto Educativo

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