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Música, interatividade e economia afectiva e simbólica nos novos media

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Cientes que, nos últimos anos, os hábitos, comportamentos e modelos de produção, circulação, consumo e escuta musical têm vindo a reconfigurar-se, de modo célere e radical, propomo-nos, neste painel, discutir aspectos específicos da economia afectiva e simbólica no actual paradigma comunicacional da música na Web 2.0. Nesta mudança de paradigma, incluem-se aspectos tão diversos como o acesso legal e rápido a ficheiros musicais (no centro da decisiva transformação das indústrias discográficas), a vulgarização de plataformas e dispositivos de escuta móvel, a disseminação de dinâmicas de circulação de música, e discursos sobre esta, em redes sociais, blogs, e todo o tipo de fóruns online, a intensa disseminação de equipamento e software de criação musical (e a expansão de práticas DIY), o incremento da produção de produtos audiovisuais digitais, de vasta circulação e acesso, como vídeos musicais, jogos vídeo, reality shows, séries, animação, e outros programas televisivos e/ou produtos audiovisuais... Não iremos, no entanto, concentrar-nos no que consideramos ser um processo infinito e infrutífero de identificação e análise de objectos, meios, processos ou instrumentos de circulação musical/audiovisual, mas sim deter- nos especificamente em aspectos concretos inerentes às dinâmicas comunicacionais, e de construção e negociação de identidades sociais, num conjunto de casos circunscritos, ancorando-nos em três conceitos primordiais: convergência, participação e interactividade (seguindo, entre outras, a indagação de Jenkins, 2006, 2013). Neste âmbito, e por considerarmos que são problemas centrais nesta mudança de paradigma, interessa-nos discutir, no contexto das sociabilidades em rede (Castells, Jenkins etc.) e nos seus diversos planos de mediação de universos sonoros, aspectos relacionados com 1) a criação/transformação de valor e significado; 2) a capacidade de legitimação, distinção e estratificação social; 3) o potencial da ‘online fandom’ na geração, gestão e/ou reconfiguração de conhecimento partilhado, e na negociação de identidades e capital simbólico (Bourdieu; Hall; Bauman). Grossberg argumentava, em 1992, que os núcleos de fãs garantiam o mapeamento de interesses ou conteúdos do mundo cultural, gerando focos de investimento e novas divisões culturais. Ora, a intensa proliferação de comunidades de entusiastas, de cyber-groups, fóruns, comunidades, em torno de conteúdos, ideias ou missões, cívicas, sociais, de apreciação, de todos os tipos, leva-nos a incluir na nossa reflexão as comunidades virtuais como nichos de actuação (Witse, 2004), agentes que procuram resistir às grandes divisões corporativas e à ordenação geral dos conteúdos online, assumindo uma importância crescente e decisiva não só ao nível cultural como política, interferindo directamente na modelação e geração de conteúdos, programas e balizas culturais.

Descrição

UID/EAT/00693/2013

Palavras-chave

Music in the digital age Digital music Sociology of music Interactivity Digital networks Digital Cultures General Arts and Humanities General Social Sciences

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