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Haverá um falar-de-mulher?

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Resumo(s)

Este artigo surge no encalço de um trabalho em desenvolvimento e visa complementá-lo. Partindo da questão lançada por Maria de Lourdes Pintasilgo, em Os Novos Feminismos (1981) - “Haverá um falar-de-mulher?” -, equaciona-se a possibilidade de existir um modo de falar próprio das mulheres, uma “prática feminina de escrita”, em que o sujeito (mulher) se diz a partir de uma linguagem diferente, subversiva, inédita, porque “vinda do vivido de cada uma” (p. 42). Enquadrando-se na área da Linguística do Texto e do Discurso, a proposta visa analisar, por um lado, de que modo(s) se representa(m) as mulheres nos textos e, por outro, de que forma representam as outras (mulheres) que evocam. Na perspetiva, ainda, de se verificar se existe efetivamente uma escrita “específica” de mulheres, enceta-se um estudo comparativo com textos de homens, com o objetivo de se verificar como falam de si e dos outros e se se implicam ou não nos textos. A análise orienta-se pelos pressupostos teórico-metodológicos do Interacionismo Sociodiscursivo (Bronckart, 1999, 2006, 2008; Coutinho, 2014; Miranda, 2010), com enfoque no conceito de folhado textual, por enquadrar as ferramentas linguísticas que possibilitam aferir se o discurso é implicado ou não - os tipos de discurso e, consequentemente, as marcas de implicação que mobilizam. Assim, metodologicamente, inventariam-se e analisam-se as marcas de implicação em ocorrência nos textos, no sentido de se aferir i) quais privilegiam, de um lado, as mulheres e, do outro, os homens; ii) e quais atestam um discurso implicado. O corpus de análise conforma textos pertencentes ao género entrevista, mais especificamente quatro entrevistas, sendo os entrevistados duas mulheres e, comparativamente, dois homens, influentes no panorama social e político português. As análises apresentadas, exploratórias e em desenvolvimento, atestam conclusões significativas: as mulheres recorrem, com maior ênfase, às formas linguísticas de implicação (falam de si, sobretudo, na 1ª PS (“eu”) e utilizam o pronome indefinido “se” com valor exofórico), e têm tendência a falar de outras mulheres, especificando-as a partir do seu ato pessoal como um ato coletivo. Contrariamente, os homens privilegiam as formas de construção sem valor deítico (sujeito indeterminado), representam-se maioritariamente na 1ª PPL, e não falam de outros homens.

Descrição

UIDB/LIN/03213/2020 PD/BD/128130/2016 UIDB/03213/2020 UIDP/03213/2020

Palavras-chave

Prática de escrita feminina Mecanismos de implicação Tipos de discurso Género Entrevistas

Contexto Educativo

Citação

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Fascículo

Editora

NOVA FCSH/CLUNL

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