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Orientador(es)
Resumo(s)
Os diplomatas acreditados em Lisboa na segunda metade do século XVIII constituiram um círculo privilegiado para aceder e divulgar na capital portuguesa novos modelos de sociabilidade elegante e cosmopolita, nos quais a música e outras artes performativas desempenhavam um papel fundamental. Com base nos relatos de viajantes estrangeiros (cartas e diários) e noutras fontes, este capítulo apresenta uma panorâmica dessas actividades nos palácios que habitaram em Lisboa e noutros espaços a partir de duas abordagens complementares: 1) as práticas de sociabilidade que incluíam música, dança e, ocasionalmente, poesia e teatro, promovidas por diplomatas nas suas residências, entre os quais o Marquês de Bombelles (França), o Conde de Fernán Núñez (Espanha) e Robert Walpole (Inglaterra); 2) as festas, concertos, assembleias (principalmente a Assembleia das Nações Estramgeiras e a Assembleia Britânica), bailes e encontros informais que frequentavam, tanto no seio do corpo diplomático, como entre a aristocracia e as elites mercantis. O estudo centra-se nos espaços interiores e jardins privados, excluindo as festividades públicas ao ar livre, a música nas igrejas e nos teatros públicos, que têm sido abordadas noutras investigações. Analisam-se diversas práticas musicais, por profissionais e amadores, incluindo membros de famílias dos diplomatas e da aristocracia, bem como as danças sociais mais em voga. O estudo mostra ainda como os repertórios de origem francesa, inglesa e germânica (para além da forte presença italiana) interagiram com as obras de compositores portugueses e estrangeiros residentes em Lisboa (Pedro António Avondano, Jerónimo Francisco de Lima, Policarpo da Silva, José Palomino, entre outros), e o papel dos diplomatas na formação de uma cultura musical europeia transnacional.
Descrição
UID/00472/2025
https://doi.org/10.54499/UID/00472/2025
Palavras-chave
Música e Diplomacia Sociabilidades Musicais Lisboa século XVIII
