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Resumo(s)
O ensaio examina a questĂŁo "inteligĂȘncia de quem?" no contexto dos grandes modelos de linguagem (Large Language Models - LLMs) e seu impacto na formação de inteligĂȘncia coletiva. Como nootecnologias, isto Ă©, tecnologias que modulam diretamente consciĂȘncia, atenção e memĂłria, os LLMs funcionam como coletores universais, ingerindo a produção discursiva humana e transformando-a em pesos dentro de espaços vetoriais hiperdimensionais. Este feito tecnolĂłgico levanta questĂ”es fundamentais sobre processos de individuação coletiva e sobre os sistemas mnemĂŽnicos que os suportam. Baseando-se na atenção de Bruno Latour aos "coletores" que reĂșnem coletivos e na perspectiva organolĂłgica de Bernard Stiegler o ensaio desenvolve o conceito de "atenção infraestrutural" â uma orientação metodolĂłgica que convoca engajamento Ăntimo, transindividual com as prĂłprias infraestruturas que moldam nossos processos de subj. Informada pela teoria feminista de Elizabeth von Samsonow e pela filosofia de processo, enfatiza-se "o que significa atravessar e ser atravessado" pelas tecnologias digitais. A anĂĄlise move-se atravĂ©s de mĂșltiplas escalas: dos debates sobre soberania digital europeia (examinando a proposta EuroStack e tensĂ”es entre Benjamin Bratton e Evgeny Morozov) Ă s micro-prĂĄticas de cultivar "interstĂcios", espaços onde a novidade genuĂna emerge atravĂ©s de encontros entre diferentes formas de devir. O ensaio argumenta que a inteligĂȘncia coletiva nĂŁo pode ser automatizada ou extraĂda, mas pode ser apoiada atravĂ©s de uma infraestruturação apropriada que a nutre ao invĂ©s de consumir o "fervor" que anima a genuĂna investigação coletiva. Por fim, a questĂŁo "inteligĂȘncia de quem?" carrega uma restrição transformativa: interpretar tudo em termos de localidades processuais e generativas que resistem Ă mĂ©dia estatĂstica enquanto permanecem abertas ao incremento tecnolĂłgico.
Descrição
UID/00183/2025
https://doi.org/10.54499/UID/00183/2025
Palavras-chave
InteligĂȘncia Coletiva Atenção infraestrutural Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) Nootecnologias Transindividuação Soberania Digital
