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Publicação

Cantos de Camões em tempos de revolução – Turbulências operísticas

dc.contributor.authorGomes-Ribeiro, Paula
dc.contributor.institutionDepartamento de Ciências Musicais (DCM)
dc.contributor.institutionCentro de Estudos em Música (CESEM - NOVA FCSH)
dc.date.accessioned2025-05-29T21:06:20Z
dc.date.available2025-05-29T21:06:20Z
dc.date.issued2025-02-13
dc.descriptionUID/00693/2025 https://doi.org/10.54499/UID/00693/2025
dc.description.abstractA primeira tentativa de representação da ópera Canto da Ocidental Praia, op. 39, de António Victorino de Almeida, no Teatro Nacional de S. Carlos que se encontrava então sob a direção artística de João de Freitas Branco, foi impedida pela PIDE, que apreendeu, segundo o compositor, os programas previamente impressos levando a equipa a suspender a estreia, antevendo-se que o espetáculo estaria, inevitavelmente, condenado à interdição. A ópera fora encomendada ao compositor em 1971 pela RTP com a finalidade de ser não só representada ao vivo, mas também registada em áudio e posteriormente realizada em vídeo, num cenário natural. Segundo o compositor, Canto da Ocidental Praia “é a vida do Camões relatada só com palavras dele, só com textos dele, poemas ou até cartas também, e também com documentos oficiais da época” (Victorino d’Almeida 2011). A estreia mundial da ópera sucede, assim, após o 25 de abril, já sob o período de direção artística de João Paes (1974-1981), que fora proposto por João de Freitas Branco para o substituir nesse cargo em agosto de 1974, quando este último é nomeado diretor-geral dos Assuntos Culturais (cf. Vieira de Carvalho 1992, p. 259). A ópera estreia-se em pleno PREC, a 10 de junho de 1975, por ocasião das celebrações do dia de Camões cujo feriado viria a coincidir com o segundo “dia de trabalho para a nação”, tendo o primeiro sido registado a 6 de outubro de 1974, por proposta de Vasco Gonçalves e Costa Martins. A produção da ópera teve duas das récitas no TNSC, seguindo posteriormente para o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e depois para o Coliseu do Porto. É esta última récita que a RTP transmite em direto, sobrevivendo o registo audiovisual do espetáculo. Esta comunicação, que visa abordar a breve passagem pela cena portuguesa da ópera O Canto da Ocidental Praia, assenta em três linhas principais de investigação cujo cruzamento tem como objetivo uma compreensão mais profunda e sistemática de aspetos operativos, ideológicos e políticos que enraízam a produção da ópera em questão, e do modo como a representação da figura de Camões (e da História de Portugal), se manifesta como um dos grandes eixos da polémica que a envolve. A primeira linha introduz e debate a visão músico-dramatúrgica de Victorino de Almeida sobre a vida de Luís de Camões, num complexo e tumultuoso contexto político e cultural de transição entre o Estado Novo e a Democracia. A segunda, examina e discute as complexas condições de produção que envolvem esta estreia mundial, alicerçando se em narrativas de vários dos intervenientes neste evento, bem como nas do próprio compositor. A terceira, introduz uma análise da prolífica receção na imprensa escrita desta produção. Ao abordar a produção e receção da ópera Canto da Ocidental Praia, esta comunicação analisa o modo como a obra reflete as tensões culturais e políticas de um Portugal em transformação, e questiona até que ponto a figura de Camões foi utilizada, tanto pela censura quanto pelos seus críticos, como um catalisador de disputas ideológicas que marcaram a época.en
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dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10362/183596
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dc.relationCentre for the Study of the Sociology and Aesthetics of Music
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dc.subjectÓpera
dc.subjectAntónio Victorino d’Almeida
dc.subjectLuís de Camões
dc.subjectHistória de Portugal
dc.subjectPREC
dc.titleCantos de Camões em tempos de revolução – Turbulências operísticaspt
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degois.publication.titleIII Congresso Internacional 'A Língua Portuguesa em Música - Camões, 500 anos'
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