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ABSTRACT: Erythrophagocytosis is a highly regulated process where sequential events ensure the proper internalization and clearance of red blood cells. However, details on these processes are scarce and not fully understood, making it difficult to modulate and possibly treat associated diseases, such as malaria and sickle-cell disease. After their development in the bone marrow, red blood cells have a life span of approximately 120 days. With time, the plasma membrane of red blood cells undergoes deleterious changes that make the cell susceptible to clearance by macrophages – a process known as senescence. Before this process, erythrocytes may undergo cell death – eryptosis - a similar process that occurs in nucleated cells. In both cases, clearance must occur efficiently in order to avoid the accumulation of free hemoglobin and heme and maintain the iron levels required for homeostasis. Processing of red blood cells by macrophages implies the interaction of nascent phagosomes with endocytic compartments until fusion with lysosomes where component degradation takes place –phagolysosome biogenesis. In the first part of this dissertation, this process was assessed in mouse macrophages from two different sources: bone marrow and the peritoneal cavity. As phagocytic particles involved in erythrophagocytosis, we generated three types of red blood cell models: 1) senescent/eryptotic red blood cells (aged red blood cells) from human blood, and opsonized-red blood cells from sheep blood, 2) IgG- and 3) complement-opsonized. After assessing the acquisition of early and late markers of phagolysosome biogenesis, we concluded that aged red blood cells containing phagosomes mature slower compared to opsonized targets and therefore reach the lysosomes with a delay. As aged red blood cells are the best suited model to mimic senescence/eryptosis due to the exposure of phosphatidylserine on the surface, another aim of this dissertation was to identify other molecular partners in the process of phagolysosome biogenesis. We have found, for the first time, that erythrophagocytosis is LAP-mediated, that is, it involves the recruitment of LC3. Additionally, we identified other proteins from the autophagy machinery such as p62, NBR1 and NDP52, and their association to phagosomes is dependent on ubiquitin. They exhibit different association hierarchies with phagosomal membranes and comparing differences between aged and IgG-Opsonized red blood cells, the most striking outcome was obtained for p62. This autophagy effector exhibited selectivity for aged RBC-containing phagosomal membranes and, surprisingly, it is crucial for their degradation. Interestingly, phosphorylation of p62 on its Ser351 residue after erythrophagocytosis activates the non-canonical NRF2-signalling pathway, inducing the translocation of this transcription factor to the nucleus where p62, Hmox1 and Sod2 genes are up-regulated, contributing to the maintenance of cell homeostasis. In the absence of NRF2, degradation of red blood cells is also impaired. These outcomes imply a positive feedback loop between p62 and NRF2 in promoting efficient red blood cell clearance. Therefore, our findings contributed to unravelling the molecular mechanisms underlying phagolysosome biogenesis in erythrophagocytosis, opening new avenues to understand the severity of hemolytic diseases and possibly modulate the process.
RESUMO: A eritrofagocitose é um processo altamente regulado onde eventos sequenciais asseguram a internalização e remoção de células vermelhas do sangue. No entanto, os detalhes acerca deste processo são escassos, dificultando a compreensão e a modelação de doenças associadas com os mesmos, como a malária ou anemia falciforme. Após o seu desenvolvimento na medula óssea, as células vermelhas têm um tempo de vida de aproximadamente 120 dias. Com o tempo, a membrana plasmática das células vermelhas passa por várias alterações nefastas, tornando-as susceptíveis a serem eliminadas pelos macrófagos - senescência. Antes deste processo, os eritrócitos podem sofrer morte celular – eriptose – processo semelhante que ocorre em células nucleadas. Em ambos os casos, o processo de remoção tem de ocorrer de forma eficiente, de modo a evitar a acumulação de hemoglobina e ferro livres e manter os níveis de ferro necessários à homeostase. O processamento das células vermelhas pelos macrófagos implica a interação entre os fagossomas que são formados após internalização e compartimentos da via endocítica, culminando na fusão com os lisossomas, onde ocorre a degradação dos seus constituintes – biogénese do fagolisossoma. Na primeira parte desta dissertação, este processo foi testado utilizando macrófagos de ratinho a partir de dois tecidos diferentes: medula óssea e cavidade peritoneal. Como partículas fagocíticas envolvidas na eritrofagocitose, geramos três distintos modelos de células vermelhas: 1) senescentes/eriptóticas (células envelhecidas) a partir de sangue humano, e células vermelhas opsonizadas com 2) IgG e 3) complemento, a partir de células vermelhas de ovelha. Após a avaliação da biogénese do fagolisossoma pela aquisição de marcadores iniciais e tardios da via endocítica, pudemos concluir que fagossomas contendo células vermelhas envelhecidas maturam mais lentamente quando comparadas com células vermelhas opsonizadas e, deste modo, fundem mais tardiamente com os lisosomas. Uma vez que células envelhecidas são o modelo que melhor mimetizam os processos de senescência/eriptose por externalizarem fosfatidilserina à superfície da membrana, outro dos objetivos desta dissertação foi tentar identificar proteínas adicionais envolvidas na biogénese do fagolisosoma. Verificámos, pela primeira vez, que a eritrofagocitose depende do processo LAP, isto é, envolve o recrutamento de LC3. Adicionalmente, identificámos outras proteínas da maquinaria da autofagia tais como o p62, NBR1 e o NDP52, cuja associação aos fagosomas depende da ubiquitina. Esta maquinaria apresenta diferentes hierarquias de associação aos fagosomas e, comparando diferenças entre células vermelhas envelhecidas e opsonizadas com IgG, observamos que o p62 se associa preferencialmente aos fagosomas de células envelhecidas. Surpreendentemente, este efetor da autofagia seletiva é crucial para a degradação das mesmas. Curiosamente, a fosforilação do p62 no resíduo de serina 351 ocorre depois da eritrofagocitose ser estimulada, levando à activação da via de sinalização não canónica do NRF2, induzindo a translocação deste factor de transcrição para o núcleo e consequentemente a expressão de genes envolvidos na homeostase celular, como o p62, Hmox1 e Sod2. Na ausência do NRF2, a degradação das células vermelhas envelhecidas é também afectada. Estes resultados levam a crer que existe um feedback positivo entre o p62 e o NRF2 na degradação eficiente das células envelhecidas. Desta forma, os nossos resultados contribuem para desvendar parte dos mecanismos moleculares envolvidos na biogénese do fagolisosoma após o processo de eritrofagocitose, abrindo novas portas para entender a severidade das doenças hemolíticas e possivelmente modular as mesmas.
RESUMO: A eritrofagocitose é um processo altamente regulado onde eventos sequenciais asseguram a internalização e remoção de células vermelhas do sangue. No entanto, os detalhes acerca deste processo são escassos, dificultando a compreensão e a modelação de doenças associadas com os mesmos, como a malária ou anemia falciforme. Após o seu desenvolvimento na medula óssea, as células vermelhas têm um tempo de vida de aproximadamente 120 dias. Com o tempo, a membrana plasmática das células vermelhas passa por várias alterações nefastas, tornando-as susceptíveis a serem eliminadas pelos macrófagos - senescência. Antes deste processo, os eritrócitos podem sofrer morte celular – eriptose – processo semelhante que ocorre em células nucleadas. Em ambos os casos, o processo de remoção tem de ocorrer de forma eficiente, de modo a evitar a acumulação de hemoglobina e ferro livres e manter os níveis de ferro necessários à homeostase. O processamento das células vermelhas pelos macrófagos implica a interação entre os fagossomas que são formados após internalização e compartimentos da via endocítica, culminando na fusão com os lisossomas, onde ocorre a degradação dos seus constituintes – biogénese do fagolisossoma. Na primeira parte desta dissertação, este processo foi testado utilizando macrófagos de ratinho a partir de dois tecidos diferentes: medula óssea e cavidade peritoneal. Como partículas fagocíticas envolvidas na eritrofagocitose, geramos três distintos modelos de células vermelhas: 1) senescentes/eriptóticas (células envelhecidas) a partir de sangue humano, e células vermelhas opsonizadas com 2) IgG e 3) complemento, a partir de células vermelhas de ovelha. Após a avaliação da biogénese do fagolisossoma pela aquisição de marcadores iniciais e tardios da via endocítica, pudemos concluir que fagossomas contendo células vermelhas envelhecidas maturam mais lentamente quando comparadas com células vermelhas opsonizadas e, deste modo, fundem mais tardiamente com os lisosomas. Uma vez que células envelhecidas são o modelo que melhor mimetizam os processos de senescência/eriptose por externalizarem fosfatidilserina à superfície da membrana, outro dos objetivos desta dissertação foi tentar identificar proteínas adicionais envolvidas na biogénese do fagolisosoma. Verificámos, pela primeira vez, que a eritrofagocitose depende do processo LAP, isto é, envolve o recrutamento de LC3. Adicionalmente, identificámos outras proteínas da maquinaria da autofagia tais como o p62, NBR1 e o NDP52, cuja associação aos fagosomas depende da ubiquitina. Esta maquinaria apresenta diferentes hierarquias de associação aos fagosomas e, comparando diferenças entre células vermelhas envelhecidas e opsonizadas com IgG, observamos que o p62 se associa preferencialmente aos fagosomas de células envelhecidas. Surpreendentemente, este efetor da autofagia seletiva é crucial para a degradação das mesmas. Curiosamente, a fosforilação do p62 no resíduo de serina 351 ocorre depois da eritrofagocitose ser estimulada, levando à activação da via de sinalização não canónica do NRF2, induzindo a translocação deste factor de transcrição para o núcleo e consequentemente a expressão de genes envolvidos na homeostase celular, como o p62, Hmox1 e Sod2. Na ausência do NRF2, a degradação das células vermelhas envelhecidas é também afectada. Estes resultados levam a crer que existe um feedback positivo entre o p62 e o NRF2 na degradação eficiente das células envelhecidas. Desta forma, os nossos resultados contribuem para desvendar parte dos mecanismos moleculares envolvidos na biogénese do fagolisosoma após o processo de eritrofagocitose, abrindo novas portas para entender a severidade das doenças hemolíticas e possivelmente modular as mesmas.
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Palavras-chave
Molecular and Cellular Biology Erythrophagocytosis Red Blood Cells Biologia Molecular e Celular Glóbulos Vermelhos Eritrofagocitose
