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Consumo alimentar na população portuguesa : análise dos dados do Inquérito Nacional de Saúde entre 1987 e 2006

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RESUMO - Enquadramento: O consumo alimentar é um poderoso determinante da saúde. É capaz de promover bem-estar ou originar doença. Uma alimentação pouco saudável, nutricional e energeticamente desequilibrada, pode potenciar o aparecimento de algumas das doenças crónicas, não transmissíveis, mais incapacitantes e mortais em todo o mundo como doença cardíaca isquémica (DCI), acidente vascular cerebral (AVC), cancro, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial (HTA). Objectivos: O presente estudo tem como objectivo geral caracterizar a ingestão alimentar dos Portugueses a residir em território nacional entre 1987 e 2006. Especificamente, pretende-se 1) caracterizar a frequência alimentar de sopa, produtos hortícolas, fruta, batata/massa/arroz, leite, peixe e carne, de acordo com o sexo, a idade, o nível de escolaridade, a ocupação e o índice de massa corporal; 2) caracterizar a prevalência de excesso de peso e obesidade em Portugal em 1995/1996, 1998/1999 e 2005/2006; 3) identificar a tendência do consumo alimentar em Portugal, entre 1987 e 2005/2006; 4) e analisar se tem evoluído de acordo com as recomendações nacionais e internacionais. Metodologia/Resultados: estudo epidemiológico observacional transversal, que se baseia na análise dos resultados dos quatro inquéritos de base populacional, os Inquéritos Nacionais de Saúde, realizados em 1987, 1995/1996, 1998/1999 e 2005/2005. Número amostral total: 181.102, dos quais 86.835 homens e 94.267 mulheres. Procedeu-se à análise estatística descritiva para caracterizar a população em estudo, do ponto de vista socio-demográfico, de saúde e do consumo alimentar. Realizaram-se testes de qui-quadrado para a hipótese nula de independência entre as variáveis idade, nível educacional, ocupação e índice de massa corporal, e o ano de realização dos INS, de acordo com o sexo, para cada consumo, e testes de tendência linear para verificar a existência de consumos tendenciais ao longo do período de tempo em estudo. Para ambos os testes, o nível de significância escolhido foi p=0,05. Conclusões: Entre 1987 e 2005/2006 o consumo de sopa diminuiu, de forma tendencial, em ambos os sexos. A comparação desses consumos, entre indivíduos, do mesmo sexo, mostrou que os indivíduos com menor escolaridade e sem ocupação registaram maiores consumos de sopa quando comparados com aqueles com mais anos de escolaridade completa e a trabalhar, respectivamente. Contrariamente àquilo que a Balança Alimentar Portuguesa mostra, o consumo de produtos hortícolas reduziu entre 1987 e 2005/2006 e explicação poderá dever-se ao elevado desperdício alimentar na cadeia de aprovisionamento dos produtos hortícolas. De 1987 a 2005/2006 os Portugueses aumentarem ligeiramente o consumo de fruta, mas a ingestão diária continua a ser insuficiente, tal como a de produtos hortícolas, de acordo com as recomendações nacionais e internacionais. O consumo de leite aumentou tendencialmente, em ambos os sexos e para todas as idades, níveis de escolaridade, ocupação e classes de IMC no período de tempo em estudo. Os portugueses consumiam, em 2005/2006, peixe com menor frequência que em 1987. Esta tendência decrescente no consumo de peixe foi contrária ao aumento do consumo de carne, no período em estudo, para ambos os sexos (nos homens o consumo aumentou em 10% e nas mulheres em 14%.). Ainda, verifica-se que, de acordo com o nível de escolaridade e a ocupação, o consumo de carne foi mais frequente nos homens e mulheres com nível de escolaridade médio a alto e com ocupação. No entanto, nos homens não se verificou existir dependência entre o consumo de carne e o nível de escolaridade mais elevado (13 ou + anos) (p=0,212). A prevalência de excesso de peso reduziu, em ambos os sexos, entre 1995/1996 e 2005/2006 mas aumentou a prevalência de obesidade o que sugere que alguns casos de excesso de peso tenham evoluído para obesidade, implicando por isso maiores riscos para a saúde. Em linha com estudos anteriores, verificou-se a dependência do consumo de produtos hortícolas, fruta e leite, e nível de escolaridade, e a relação entre maior nível de escolaridade e maior consumo destes alimentos. De uma forma geral, os hábitos alimentares dos portugueses afastaram-se das recomendações nacionais e internacionais.
ABSTRACT - Scope: Food consumption is a powerful health determinant. It is either capable of promoting well-being as leading to the disease. Unhealthy food habits and life style are associated to the most mortal non communicable diseases, as known as chronic diseases, like cardiovascular diseases (heart attacks and stroke), cancers, chronic respiratory diseases (such as chronic obstructed pulmonary disease and asthma) and diabetes. Aim/objectives: This study aims to assess trends of food intake in Portugal, specifically of vegetables soup, vegetables, fruits, potato/pasta/rice, milk, fish and meat, between 1987 and 2006, according to gender, age, educational level, occupation and body mass index and assess the prevalence of excess body weight and obesity in Portugal between 1995/1996 and 2005/2006. Methods/Results: Epidemiological population based-study, based on the analysis of four cross-sectional studies: 1987, 1995/1996, 1998/1999 and 2005/2006. Total sample: 181.102 (86.835 men and 94.267 women). Statistical Descriptive Analysis including Pearson Chi-Square and Linear-by-Linear Association (confidence level 5%) was applied between-survey analysis. Conclusions: Between 1987 and 2005/2006 consumption of vegetables soup tend to decrease, in both genders. The comparison of consumptions, between individuals, of the same gender, showed that the individuals with less educational level and without occupation had higher frequencies of soup consumptions when compared with those with more education and employed. The vegetables consumption decreased against all expectations according to Portuguese Food Balance Sheets and that decrease is believed to be result of food waist through food production and supply chain. Consumption of fruit slightly increased between 1987 and 2005/2006 but, like vegetables its consumption is still lower than desired and recommended. Milk consumption increased in Portugal in this period of time, for all ages, educational levels, occupation and BMI classification, for both genders. In 1987 the Portuguese population consumed more frequently fish than in 2005/2006. In other hand, the consumption of meet increased 10% in men and 14% in women. Excess body weight and obesity prevalence changed between 1987 and 2005/2006: in both genders, excess body weight decreased and obesity increased. Like previous studies showed the consumption of vegetables, fruit and milk depends on educational level and higher educational level is linked to higher vegetables, fruit and milk consumption. Portuguese food habits are now more far from national and recommendations than in 1987.
trends of food consumption; population survey; health; epidemiologic study; Portugal; health; educational level

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Tendência do consumo alimentar Inquérito populacional Estudo epidemiológico Portugal Saúde Nível de escolaridade Trends of food consumption Population survey Health Epidemiologic study Portugal Educational level

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