FCSH: DGPR - Teses de Doutoramento
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- O contributo da informação geográfica gerada pelo cidadão nas relações de governança e no incremento da cidadaniaPublication . Rui Manuel Pires Dias; Julião, Rui PedroA Informação Geográfica Gerada pelo Cidadão (IGGC) tem potencial como instrumento de apoio à governação municipal, promovendo a participação cívica, a eficiência administrativa e a capacitação territorial. Com o crescimento das tecnologias móveis, sensores e plataformas digitais, os cidadãos assumem um papel ativo na produção de dados espaciais, que podem complementar as fontes oficiais de informação utilizadas pelas autarquias. A investigação parte de uma fundamentação teórica sobre governança participativa, cidadania ativa e a natureza da IGGC, abordando os seus tipos (voluntária, involuntária, colaborativa) e desafios associados (privacidade, ética, qualidade dos dados). Identificam-se os fatores que influenciam o sucesso da adoção da IGGC na administração pública, com especial enfoque no contexto português. Recorrendo a quatro casos de estudo práticos – pontos de interesse e comércio, gestão de ocorrências urbanas, mobilidade e sensorização – evidencia-se o valor da IGGC em áreas como o planeamento urbano, a mobilidade sustentável e a resposta a ocorrências. Adicionalmente, um inquérito nacional dirigido a municípios portugueses avalia o grau de utilização, perceções e barreiras à integração da IGGC na prática administrativa. Com base nos resultados obtidos, é proposto um modelo de articulação entre IGGC e informação geográfica oficial, composto por componentes tecnológicos, institucionais, formativos e regulamentares, e suportado por metodologias de validação e indicadores de desempenho. Este modelo, alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, visa apoiar os municípios na utilização estratégica da IGGC que, quando devidamente enquadrada, pode constituir uma mais-valia para uma governação local mais participativa, transparente e eficiente.
- Uso e gestão do solo na Margem Esquerda do Guadiana: trajectórias de transformação e serviços de ecossistema num clima em mudançaPublication . Henrique Morgado Cerqueira; Roxo, Maria José; Calvo-Cases, AdolfoNas paisagens semiáridas do Baixo Alentejo interior, as dinâmicas de uso e gestão do solo apresentam forte heterogeneidade, resultante da relação entre a evolução histórica da ocupação agrícola e os recursos naturais disponíveis, em particular o solo e a água. Na Margem Esquerda do Guadiana coexistem trajectórias contrastantes: nos solos férteis persistem os cereais de sequeiro; nas áreas beneficiárias do regadio do Alqueva instalaram-se sistemas super-intensivos de culturas permanentes, como o olival; e nos solos pobres e declivosos, com propriedade fragmentada, verifica-se uma trajectória dual, onde o regime extensivo do Montado coexiste com o abandono agrícola e a renaturalização espontânea. A cessação da actividade agrícola implica perda de valor económico directo, mas promove a recuperação ecológica e a produção de serviços de ecossistema, incluindo o suporte à biodiversidade e a regulação climática através do sequestro de carbono. A análise dos processos de reorganização ecológica após o abandono é, por isso, essencial para compreender o potencial de regeneração, o ritmo da recuperação e os limiares que a condicionam. Os talhões do Centro Experimental de Erosão de Vale Formoso (CEEVF), na Serra de Serpa e Mértola, constituem um laboratório para o estudo da degradação e regeneração sob condições controladas. Foram analisadas trajectórias de recuperação com base na evolução da vegetação e da camada superficial do solo após o abandono em diferentes momentos, pontos de partida e graus de degradação prévia. Os resultados mostram uma transição de sistemas dominados por processos físicos de erosão para sistemas regulados biologicamente, com aumento do coberto vegetal e acumulação de carbono no solo até à estabilização a partir da fase arbustiva. Estes resultados suportam um modelo conceptual de trajectórias de recuperação com histerese ecológica, onde a intensidade e a duração do uso agrícola condicionam o ritmo e a amplitude da regeneração. A compreensão destes mecanismos de regeneração espontânea é fundamental para orientar estratégias de planeamento territorial e gestão dos recursos naturais com vista à mitigação e adaptação à mudança climática.
- A Ciência de Dados na Literacia EspacialPublication . Roberto Miguel de Oliveira Machado; Tenedório, José António Pereira; Silva, Teresa Alexandra Gonçalves dos SantosEsta investigação analisa o contributo da ciência de dados para o reforço da literacia espacial, entendida como a capacidade de observar, interpretar, analisar e comunicar informação espacial com rigor, pensamento crítico e sentido de contexto. A relevância do estudo decorre da crescente disponibilidade de grandes volumes de dados espaciais e da necessidade de metodologias que liguem análise quantitativa, interpretação qualitativa e aplicação prática. O objetivo principal é integrar conceitos e técnicas de ciência de dados — incluindo big spatial data, ciência aberta e inteligência artificial explicável — na promoção da literacia espacial. A metodologia combina uma revisão sistemática da literatura, segundo o protocolo PRISMA, com o desenvolvimento e implementação da plataforma GEOinsightLab, concebida para aplicar e testar modelos analíticos em contexto real. O estudo de caso no município do Porto e uma oficina experimental com utilizadores permitiram avaliar o impacto da abordagem na compreensão e uso da informação espacial. Os resultados indicam que a ciência de dados, quando associada a práticas interativas e explicáveis, amplia a capacidade de interpretar padrões espaciais, apoiar decisões territoriais e fomentar participação informada. No plano científico, a investigação aproxima geografia, literacia espacial e ciência de dados num enquadramento integrado. No plano prático, propõe um modelo replicável de análise e comunicação espacial, aplicável a desafios de planeamento e sustentabilidade.
- Statistical and Geospatial Data Integration for Policy-making The Role of Data Integration in Public PoliciesPublication . Figueiredo, Rossano Manuel da Costa das Neves; Julião, Rui Pedro de Sousa Pereira MonteiroThe data and methodological gaps that undermine the implementation of the 2030 Agenda for Sustainable Development have pointed to statistical-geospatial data integration as a promising path to provide new geospatial statistics for measuring and monitoring the Sustainable Development Goals and supporting policy-making at multiple geographical levels. The modernisation of official statistics has recognised the potential of new data sources, such as geospatial data, to enrich statistical data and produce high-quality, timely, comparable and detailed statistical outputs, as well as the increased awareness of the importance of location as a matching key to link different data domains, address policy demands and meet data requirements and user needs. The benefits of integrating statistical and geospatial data have been acknowledged by key stakeholders from both statistical and geospatial communities towards the implementation roadmap of the high-level global statistical-geospatial framework - and its European version - as a key governance driver to produce harmonised geospatial statistics in a consistent and systematic manner. Statistical organisations have made joint efforts to follow general and methodological guidelines, adhere to common standards and best practices, strengthen institutional collaboration, carry out data integration activities and enhance their statistical-geospatial capacity to align and mainstream geospatial production components (data, processes, services and other capabilities) into their statistical production processes from technical and non-technical perspectives. The experiences and practical use cases over the years have confirmed the advantages of geospatial data and technology in modernising official statistics and production systems through authoritative location data, georeferenced statistical/administrative data, common geographies and new analysis and visualisation opportunities that ended up improving the harmonisation and quality of business processes and outputs. Statistical-geospatial data integration was also demonstrated to support policy-making processes by enabling more territorially targeted policy responses and interventions, and contributing to more data-driven and evidence-based decisions that underpin global policy frameworks, regional development agendas and national priorities. Based on the internationally endorsed frameworks and reference models from the statistical-geospatial operating environment, a Production Model and Assessment Matrix were developed to assist statistical organisations in producing geospatial statistics and evaluate their statistical-geospatial capacity and maturity levels at the national institutional environments, as a complement to existing methodological guidance. The two methodological parts were applied to a project that promotes territorial cohesion, underlining a statistical operation to map accessibility geographies from georeferenced data of facilities and to produce territorial indicators to be displayed in the web dissemination platform embodying search and spatial analysis tools. The results enabled to identify gaps and development areas in governance, data/information, technology, institutional and capacity building issues and provided a set of improvement actions and recommendations to enhance statistical-geospatial integration capabilities. The methodological application in the case study also showcased the added value and operational benefits of statistical-geospatial integration in statistical production in order to produce relevant insights associated with location for better public policy design and implementation, especially related to the provision and access to facilities and services of general interest at the national, regional and local levels.
- Novo Modelo de Participação em Políticas Públicas Territoriais de base local: a Visualização Narrativa DigitalPublication . Baptista, Luís Manuel Gonçalves; Julião, Rui Pedro de Sousa Pereira MonteiroO modelo de Governância é um processo que privilegia o diálogo entre as várias partes e que permite recolher e analisar a informação decorrente de múltiplas perspetivas sobre a formulação, implementação e monitorização das políticas públicas, procurando obter resultados mais eficazes e inclusivos, neutralizando a vigência de práticas predatórias na relação entre o poder político e os cidadãos (Ivo, 2002). As TIC contemporâneas usadas no planeamento estão focadas na criação de sistemas dinâmicos que integrem dados e visualização para capturar, explicar e reproduzir as dinâmicas que são o motor da evolução espacial das cidades e territórios, percebidas no âmbito socioeconómico para gerar um espaço edificado construído a partir da paisagem natural que o suporta” (Pinto, Tenedório, Antunes, & Cladera, 2014, p. XV). Ao falar de políticas públicas territoriais, o suporte à comunicação, o canal da mensagem, é suportado por mapas no seu formato analógico ou digital. Estudos evocam a frequente dificuldade de estabelecer a relação entre a forma e o conteúdo dos elementos cartográficos (Santos I. S., 2012) (Martins, 2011). Para reduzir esta dificuldade, propõe-se a utilização da visualização narrativa que consiste num estilo de visualização que usa a interação entre os aspetos exploratórios e a visualização comunicativa (Segel & Heer, 2010), adaptando os sistemas de visualização e de interação para que estes suportem a narrativa (Wojtkowski & Wojtkowski, 2002). Transmitindo a informação com um bom sistema de comunicação adaptado às necessidades, criam-se as condições para que o cidadão possa estar devidamente informado. Esta tese começa com uma abordagem às políticas públicas e governância, assente num pilar de participação pública. No caso de políticas territoriais, o canal privilegiado para transmitir informação são os mapas, mas estes de per si não incluem o contexto da informação a transmitir. Assim, através da análise das formas de comunicação digital e storytelling, pretende-se criar um guia de boas práticas para a construção de geoportais e apresentações que recorram à visualização narrativa, de forma a aumentar a capacidade de retenção de informação transmitida e de uma melhor compreensão da mesma. O propósito consiste em melhorar o sistema de comunicação para transmitir informação territorial, recorrendo a storymaps de visualização narrativa. Páginas que permitem incluir vários elementos multimédia, com uma narrativa que ajuda a explicar o que se vê, ao mesmo tempo que se ilustra o que se escreve tornando a mensagem mais completa, integrada e de melhor compreensão. A informação é assim transmitida de forma transparente, melhorando a relação entre governo local e cidadãos, tendo estes ao seu dispor condições para participar ativamente.
- Evolução da temática das alterações climáticas nas políticas agrícolas e na investigação agrária: o papel do EstadoPublication . Martins, Margarida Maria Lucas Quintela; Roxo, Maria José Leitão Barroso; Reis, Pedro Arnaldo de Sousa e SilvaA agricultura produz os bens alimentares de que a Humanidade precisa e é uma atividade fortemente dependente de condições ambientais e dos recursos naturais. Este trabalho teve como objetivo analisar a evolução da temática das alterações climáticas na agenda de investigação agrária desenvolvida no Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV). O INIAV é o Laboratório do Estado, com a competência de investigação nas áreas da agricultura e produção animal. A metodologia consistiu na análise de conteúdo a resumos de projetos do INIAV no período de 1995 a 2019 e em entrevistas a investigadores do Instituto. Foram analisadas as GOP – Grandes Opções do Plano nas áreas de agricultura e desenvolvimento rural, no mesmo período temporal. Apesar de as alterações climáticas, não serem uma área específica de investigação do Instituto, os investigadores das diferentes áreas de especialização, têm vindo a desenvolver linhas de investigação, para dar resposta a situações relacionadas com mudanças de clima. Por parte do Estado, as políticas públicas de agricultura e desenvolvimento rural, não são consideradas das mais relevantes, mesmo perante o problema das mudanças de clima e da necessidade crescente de produção de alimentos. Este estudo demonstra as evidências encontradas nesta matéria e alerta para a importância da definição de políticas de agricultura e desenvolvimento rural, planeadas para médio e longo prazo tomando em consideração o problema das alterações climáticas, da água, do solo e da preservação da biodiversidade. O futuro das políticas públicas neste setor deveria apostar na intensificação sustentável da agricultura e na formação e disseminação do conhecimento científico sobre a sustentabilidade da agricultura e adaptação e mitigação das alterações climáticas.
- Alterações Climáticas, Migrações e Segurança: Haverá motivo para alarme? A segurança interna portuguesa perante a imigração climáticaPublication . Pereira, David Marcos Borralho; Roxo, Maria José; Saraiva, Rute
- Metodologia para avaliação técnica e melhoria da resiliência a inundações em meio urbanoPublication . Miranda, Ingrid Tonon; Roxo, Maria José; Buarque, Diogo CostaA complexidade das grandes cidades, com elevado crescimento e a urbanização sem o devido planeamento, conjugadas com os efeitos das alterações climáticas, podem resultar em transtornos ambientais e socioeconómicos, como são exemplo, as inundações urbanas. Esses eventos constituem uma preocupação relevante para a sociedade, uma vez que interagem com aspetos físicos, sociais e ambientais. Atualmente, o fenómeno tornou-se mais intenso e severo, devido ao agravamento da intensidade das precipitações, à localização costeira de muitas cidades e às características do sistema de drenagem, entre outros fatores. Muitas ações vêm sendo desenvolvidas no âmbito da resiliência urbana, com vista a mitigar os inconvenientes para a sociedade, frente aos distúrbios, decorrentes de inundações. Salienta-se que a resiliência urbana no contexto desta tese propõe uma abordagem integrativa, ou seja, considerando os vários aspetos que a compõem, baseando-se na capacidade do sistema urbano e suas redes constituintes, como os serviços urbanos, em manter ou retornar rapidamente as suas funções principais perante um distúrbio, e adaptar ou transformar os sistemas que limitam a respetiva capacidade. Neste contexto, surge a necessidade de ir mais a fundo nos estudos da resiliência, complementando os estudos sociais à respeito do tema e disponibilizando ferramentas quantitativas, baseadas em indicadores, para avaliação da resiliência em meio urbano. Este estudo propõe uma metodologia replicável, para o cálculo de um índice de resiliência urbana face às inundações, baseado em diversos indicadores e apontam-se as principais intervenções urbanas que podem ser tomadas para aumentar a resiliência urbana em cenário de alterações climáticas. A metodologia foi aplicada ao caso de estudo da bacia de Bento Ferreira da cidade de Vitória, capital do estado de Espírito Santo, Brasil. Esta bacia combina vários fatores negativos: tem interface com o mar, valores de altitude muito baixas é servida por um sistema de drenagem de águas pluviais deficitário, em que o extravasamento da água das redes pluviais e as inundações são recorrentes. O impacto das inundações para diferentes cenários foi avaliado com recurso ao software SWMM (Storm Water Management Model), desenvolvido pela US-EPA (United States Environmental Protection Agency), e programas de Sistema de Informação Geográfica. Para a avaliação da resiliência, teve-se em especial atenção as interdependências entre serviços urbanos e os efeitos em cascata. Os resultados obtidos foram a classificação dos indicadores de resiliência urbana face às inundações (IRUI), bem como o índice global para avaliação de resiliência face às inundações (ARUIg), sendo essa uma ferramenta interessante para a avaliação das melhores propostas de melhorias em nível estrutural e não-estrutural, favorecendo a gestão urbana face a eventos extremos de precipitação.
- Gestão de Infraestruturas de Dados Espaciais: A IDE como infraestrutura da Política PúblicaPublication . Silva, Rafael Lopes da; Julião, Rui Pedro de Sousa Pereira MonteiroO uso das Infraestruturas de Dados Espaciais (IDE) é orientado para facilitar e organizar a geração, armazenamento, acesso, compartilhamento, disseminação, uso e exploração do dado geoespacial e da geoinformação. A IDE, normalmente, envolve a participação de atores governamentais e, na teoria, é uma base fundamental de dados e informações para apoiar o desenvolvimento de políticas públicas. Um dos modelos teóricos para análise de política pública denomina-se ciclo da política pública e consiste em etapas que se estruturam desde a identificação de um problema público até a avaliação do desenvolvimento da política, que pode resultar na sua conclusão ou na sua continuidade de acordo os ajustes necessários. Em paralelo, a tendência em fomentar a participação de atores não-governamentais na gestão de IDE e no desenvolvimento de políticas públicas é cada vez mais evidente. Uma das formas de possibilitar a participação de atores não-governamentais, como a sociedade, consiste em buscar a relação entre os dados abertos e o uso de informações geográficas voluntárias (VGI) neste processo. Neste contexto, a investigação tem sua fundamentação científica centrada no uso da IDE, de forma aberta, como base para a formulação, implementação, monitorização e avaliação da política pública de forma a possibilitar a participação de atores não-governamentais, incluindo a sociedade. Para fundamentar o embasamento teórico, a investigação adotou cinco temas fundamentais: Geoinformação, Políticas Públicas, IDE, Dados Abertos e VGI. O método científico utilizado foi o método do Inquérito por Questionário, no qual foi aplicado com público-alvo referente as entidades governamentais no Brasil e em Portugal. Com base no conhecimento e experiência do público-alvo foi possível a criação de um método de análise denominado na investigação como método GeoIDEPP, composto por três níveis: condicionante, estratégico e operacional. Com base nas análises do resultado do inquérito utilizando o método criado, foi possível definir uma metodologia de forma a caracterizar a utilização da IDE aberta no desenvolvimento da política pública. Uma das principais contribuições da investigação foi a proposta de um “Geociclo” da política pública, no qual a IDE aberta é base de referência para representar os dados e informações, referenciados ao território, utilizados nas etapas do ciclo tradicional da política pública. Outra contribuição relevante está a iniciação de uma nova linha de investigação para integrar e fortalecer o uso da geoinformação e da IDE no desenvolvimento de políticas públicas, de forma aberta e possibilitando uma maior participação da sociedade.
- Práticas tradicionais de adaptação às secas no semiárido brasileiro: o caso do município de Triunfo, PernambucoPublication . Mélo, Anastácia Brandão de; Roxo, Maria José Leitão Barroso; Ferreira, José GomesNas últimas décadas, as questões hídricas têm integrado a agenda internacional com preocupações a nível da escassezfísica, da qualidade e do acesso, ampliadas, em grande medida, pelas alterações climáticas. Medidas de adaptação têm vindo a ser discutidas para contribuir para a diminuição da vulnerabilidade e aumentar a sustentabilidade social, ambiental e económica das populações e dos ecossistemas, no sentido de enfrentar os eventos climáticos extremos. Os conhecimentos tradicionais sempre foram utilizados para superar as adversidades do clima. Paralelamente, existem cenários e projeções científicas que alertam para o agravamento de fenómenos climáticos extremos – chuvas torrenciais e secas severas – que requerem ações de adaptação, nomeadamente, enquanto garantia para a segurança hídrica. A convivência com situações de escassez de água pode revelar experiências e boas práticas de adaptação às secas. Procurando analisar essas práticas e suas implicações, formulam-se as seguintes questões: As práticas e tecnologias tradicionais de gestão da água podem contribuir na resposta aos problemas de escassez hídrica agravados pelas alterações climáticas? Essas práticas podem diminuir a vulnerabilidade às secas? A investigação tem por objetivo identificar e analisar práticas e tecnologias tradicionais utilizadas para fazer face à escassez de água como medidas de adaptação às secas e foi realizada tendo por base o método histórico e o estudo de caso, no município de Triunfo, localizado na região Semiárida de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Tradicionalmente, estas práticas enfatizam o papel da mulher a nível da gestão da água familiar; a cultura de armazenagem da água das chuvas, sementes e grãos; a reutilização de águas cinzentas; as interferências das secas nas mudanças de hábitos quotidianos e na produção agrícola; o respeito e a valorização da água; os processos conflituosos, mas também de entreajuda; diversidade de práticas e tecnologias tradicionais. A investigação permitiu concluir que os conhecimentos tradicionais são importantes no processo da compreensão das relações sociais com a água, principalmente, em momentos de escassez. Desse modo, a aumentar a resiliência dos povos sertanejos às secas é necessária uma disseminação de tecnologias sociais articuladas com políticas públicas. Desta forma, as análises podem ser utilizadas como subsídios para reduzir as vulnerabilidades perante as secas, assim como auxiliar nas estratégias de políticas públicas de adaptação. No entanto, existem algumas práticas tradicionais que podem desaparecer, devido aos efeitos das transformações ambientais.
