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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Lisboa foi, no decurso do século XVIII e até às primeiras décadas do século
XIX, uma das principais cidades portuárias do Atlântico, a capital de um vasto império
colonial e uma das cidades mais populosas da Europa, com uma população estimada,
nas vésperas do Sismo de 1755, entre os 200 000 e os 250 000 habitantes.
A situação geopolítica da cidade, embora lhe garantisse importantes benefícios
de ordem económico-cultural, também lhe trazia graves inconvenientes no que
concernia à saúde pública, uma vez que a expunha a todo o tipo de doenças epidémicas
trazidas pelos mareantes, pelos estrangeiros e pelos migrantes.
A multiplicação dos surtos epidémicos na capital portuguesa associou-se por um
lado às características da sua malha urbana de matriz medieval – com ruas estreitas,
tortuosas e pouco ventiladas - e, por outro lado, com a insuficiência dos meios sanitários
e os limitados conhecimentos médicos e os ineficazes e absurdos métodos terapêuticos
em uso na época.
Dadas as dificuldades de tratar as doenças, os médicos pré-modernos e
modernos de Setecentos apostaram sobretudo na prevenção e, por isso, difundiram-se
por toda a Europa os textos e tratados higienistas, dois dos quais - a Anchora Medicinal
para preservar a vida com saúde (1731) e o Tratado da conservação da Saúde dos
Povos (1756) – se deveram aos médicos portugueses Fonseca Henriques e Ribeiro
Sanches, respectivamente.
O discurso higienista – que defendia, acima de tudo, a purificação do ar, factor
primordial na preservação da saúde – foi assimilado pelas elites urbanas e repercutiu-se
nas medidas implementadas pelos monarcas esclarecidos os quais, embora interessados
no embelezamento das suas capitais segundo os sucessivos “figurinos estilísticos” - do
Barroco ao Rococó e ao Neoclássico -, se preocuparam em salvaguardar a saúde dos
seus súbditos.
Para melhorar o saneamento urbano e preservar a qualidade do ar na cidade de
Lisboa, D. João V determinou um novo sistema de limpeza urbana, a cobertura de
esgotos, a regularização e alargamento das ruas e a construção do Aqueduto das Águas
Livres mas, muitas destas intervenções foram interrompidas ou mesmo anuladas pelo
Sismo de 1755.
O programa de reconstrução da cidade, elaborado sob o prisma das Luzes e sob a
influência das ideias higienistas, dotou a cidade não só de uma nova malha urbana -
com amplas praças e ruas rectilíneas, largas e calcetadas -, mas também de infraestruturas
e equipamentos sanitários – rede de esgotos e chafarizes – e de um novo
hospital público.
A cidade em reconstrução – renovação (de 1758 a meados do século XIX), no
entanto, apresentava-se muito desordenada e para resolver os problemas da insegurança
pública, o poder central criou, em 1760, a Intendência Geral da Polícia. No reinado de
D. Maria I, essa instituição policial foi dotada de novas competências o que lhe permitiu
actuar com mais eficácia não só no combate à criminalidade, mas também na melhoria
do saneamento urbano e na implementação de medidas indispensáveis à salvaguarda da
saúde pública, dentre as quais, o combate aos charlatães, a qualificação dos agentes da
saúde e a criação dos primeiros cemitérios públicos.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Doutor em História da Arte
Palavras-chave
Epidemias Médicos Tratados de higiene Ar puro Desordem Ordem Polícia Saneamento Hospitais Cemitérios Urbanismo
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
