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Resumo(s)
Representar a Revolução de Abril nas paredes e muros das ruas portuguesas é significativo enquanto ato de transgressão: transgressão enquanto representação de um acontecimento que determinou o fim de um regime ditatorial e a implementação de um regime democrático; pintar ou grafitar paredes e muros sem autorização representa um ato de vandalismo, enquadrado na lei. Quarenta anos volvidos sobre 1974, o graffiti, o stencil e a arte mural fazem parte das ruas portuguesas – e principalmente das ruas da capital – constituindo-se em arte urbana promovida pelas entidades oficiais, devidamente institucionalizada. Exemplos incluem o Passeio Literário da Graça, que contou com a colaboração do projeto Ebanocollective que fez murais alusivos a escritores portugueses; o street2target, um mapa interativo que assinala os vários murais em Lisboa; e a Galeria de Arte Urbana de Lisboa, uma plataforma criada pela Câmara Municipal de Lisboa em 2008 que salvaguarda “património artístico e cultural” e promove “novas expressões de arte urbana”. Por outro lado, o Wool – Festival de Arte Urbana da Covilhã e o Muro – Festival de Arte Urbana em Lisboa são dois exemplos de promoção de arte urbana pelas autoridades municipais. Em 2014, a APAUrb (Associação Portuguesa de Arte Urbana) criou o projeto 25 de Abril de 1974: 40 Anos/40 Murais enquanto iniciativa cívica com o objetivo de relacionar as intervenções murais da década de 70 com a arte mural do século XXI, apelando à aproximação de gerações diferentes de muralistas, e chamando à atenção para a importância da memória cultural, enquanto interação entre o passado e presente em contexto sociocultural (Erll, 2008). Tendo a arte urbana merecido reconhecimento institucional e representando um ponto de viragem cultural, equivalente à receção da Pop Art nos anos 60 (Irvine, 2012), o que resta enquanto ato de transgressão quando se escolhe assinalar a Revolução de Abril com arte mural? A presente comunicação analisa os murais alusivos à Revolução de 1974, pintados a partir de 2014, discutindo em que medida é que eles continuam a transgressão enquanto ato que questiona a lógica de intramuros/extramuros subjacente à organização social (Irvine, 2012), e como manifestação de cultura marginal ou se, pelo contrário, os novos murais se enquadram no cânone, enquanto objetivação de valores que colaboram para a perpetuação da memória coletiva (Grabes, 2008).
Descrição
UID/HIS/04666/2019
UID/HIS/04666/2019
Palavras-chave
Revolução dos Cravos Murais Memória Resistência Resistance Murals Revolution Street Art
