| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 46.25 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
21 de Maio de 1510, um anónimo fidalgo criado do 4º duque de Bragança, D. Jaime,
parte de Chaves em direcção a Roma, para só regressar a Portugal em Setembro de
1517. Após o seu regresso redige um extenso relato tradicionalmente conhecido como
Memórias de um Fidalgo de Chaves. Partindo da única cópia manuscrita conhecida deste
original perdido em língua portuguesa, cuja caligrafia situa cronologicamente na segunda
metade do século XVI, procedemos à transcrição e estudo integral e sistemático deste
precioso e singular documento, por um lado, representativo de uma época e de um
espaço cruciais da história europeia, e, por outro, testemunho privilegiado, diríamos
mesmo em muitos aspectos, único, de um olhar “português” sobre a Roma do
Renascimento, no dealbar do século XVI. Ao longo das sete partes que compõem esta
dissertação procurámos destacar outras tantas problemáticas inerentes à construção do
texto pelo seu autor. Assim, num primeiro momento, indagamos do valor da fonte
enquanto documento histórico, ou seja, enquanto reflexo da época que pretende
descrever. A segunda parte, por sua vez, polariza-se em torno da questão da autoria e da
identidade onomástica do fidalgo de Chaves. Em seguida analisamos uma temática
transversal a todo o texto: o poder. É nossa intenção aqui explorar tal tópico nas suas
múltiplas expressões e evidências, com particular destaque para as embaixadas à cúria
pontifícia onde a festa, a propaganda e a simbólica do poder são núcleos estruturantes, o novo modelo do príncipe que marca o início do Estado moderno e a própria cúria
romana com todo o seu pragmatismo e uma ampla rede de cumplicidades e de poderes
em exercício. O quarto grande momento do nosso estudo explicita o contexto militar da
época pela voz do fidalgo de Chaves. No seu relato o autor flaviense dá a ver como, no
quadro do confronto das potências emergentes, a Espanha e a França, os destinos
políticos da Europa são decididos no teatro maior do desenvolvimento das Guerras de
Itália (1494-1559). Da descrição dos conflitos armados ao apelo às guerras de Cruzada,
passando pelos novos armamentos e a inovadora linguagem da arquitectura militar que
impera em Itália, nada escapa ao olhar perscrutador do fidalgo e ao seu implacável, mas
também emotivo, juízo crítico. Uma quinta parte visa a heterogénea sociedade romana e
o seu intenso quotidiano, bem como tópicos estruturantes no conjunto da fonte como a
diplomacia, o novo tipo social do homem de corte, o património construído romano e o
cosmopolitismo romano de Quinhentos. Já o sexto passo do nosso trabalho incide na
leitura crítica dos exercícios de alteridade presentes no documento. Finalmente, a sétima
e última parte da nossa dissertação consiste na transcrição e fixação integrais do texto
manuscrito das Memórias de um Fidalgo de Chaves, um passo imprescindível ao seu
estudo e à sua utilização por outros investigadores.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau
de Doutor em História (Especialidade: História Moderna)
Tese editada
Tese editada
Palavras-chave
Europa Roma Poder Sociedade Quotidiano Guerra Cúria Papado Alteridade Visão do Outro Encontro civilizacional
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
