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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Este trabalho visa contribuir para o esclarecimento de
uma questão cuja pertinência e constante actualidade não tem
encontrado resposta satisfatória no campo da teoria e da
história do cinema: perante a natureza frágil do tecido
produtivo dos diferentes modos de produção cinematográficos,
que condições favorecem a existência de certos filmes e o
aniquilamento ou destruição de outros, que razões conduzem ao
bom acolhimento institucional de um determinado cinema e à
prescrição de um conjunto importante e significativo de
alternativas estéticas, tecnológicas e, mesmo, narrativas; em
suma, o que fez que fosse este, precisamente, o passado do
cinema, e não outro qualquer?
A resposta a esta questão - que é uma questão
retrospectiva, mas também prospectiva - passa, em nosso
entender, pela elaboração de uma primeira hipótese geral:
assumir a existência de uma identidade racional e global que
liga as condições de prescrição às condições de produção,
como partes indissociáveis - e reciprocamente inteligíveis -
de um mesmo sistema, de uma mesma lógica e de uma mesma
inteligência. Se a história do cinema é, como diz Deleuze, o
terreno de uma longa "martirologia" , não é apenas porque "os grandes autores de cinema são, simplesmente , muito mais
vulneráveis; porque é infinitamente mais fácil impedi-los de
fazer a sua obra" (Deleuze, 1983:8), é também porque o acto
prescritivo no cinema assume a forma paradoxal de um acto de
criação e expressa, no próprio desejo de "não fazer" , a
vontade colectiva e organizada de "fazer outra coisa". 0 que
leva à escolha de um filme, ao favorecimento de um projecto,
é exactamente o mesmo que leva ao esquecimento e à
impossibilidade (improbabilidade) de muitos outros. Um filme
está sempre no lugar de outro, ao mesmo tempo que exibe, na
realização material do seu próprio enunciado "audio-visual" ,
a possibilidade do seguinte.
Favorecendo o exame dos factores de pressão sobre o
enunciado fílmico e a compreensão das lógicas que estabilizam
essa mesma pressão, esta hipótese possui uma incidência
pragmática, cujas manifestações (de objecto e método) se
devem entender numa dupla perspectiva:
(1) - não se faz um filme como se escreve um livro ou se
pinta um quadro ou se modela uma estátua; as condições
práticas de realização do cinema dependem da formação de
consensos provisórios (de factores de decisão) que se
expressam no próprio enunciado e determinam a estabilidade
(também ela provisória) de um certo conceito de experiência
do cinema (os chamados " standards" de produção são um exemplo
primário destes consensos: que o cinema se realize em "filmes", isto é, em unidades com uma certa duracão - um
certo "tamanho" - e com uma certa consistência narrativa). 0
destino pragmático do cinema esbate-se, assim, numa série
medonha e longa de impossibilidades materiais, de barreiras
burocráticas, financeiras e, no pior dos casos, politicas, de
factores que lhe são exteriores e, quantas vezes, adversos. 0
perverso cruzamento da arte do cinema, como forma própria de
pensar e modelar o espaço, o tempo e o movimento, com a
indústria de filmes (movie industry) introduziu, a montante do próprio acto de produção, um desejo de ordem e a sua
correspondente discursividade. No entanto, se é verdade que o
custo dos factores de produção, que são específicos do
cinema, comportam, em geral e independentemente dos casos
"nacionais", uma importante dimensão de censurância, as
palavras deste discurso da ordem formam campos discursivo
(ou "formações discursivas" , para utilizar a expressão de
Foucault) com uma consistência e uma coerência mais ou menos
tipificadas: nuns casos será o discurso da "eficácia
política", noutros o da "rentabilidade comercial", noutros
ainda o da "importância cultural".
Descrição
Palavras-chave
Cinema americano Cinema Hollywood (EUA) Estados Unidos da América (EUA)
