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Orientador(es)
Resumo(s)
Um dos traços essenciais da ideologia real nas monarquias de
Israel e da Mesopotâmia é a relação entre o rei e o deus criador. É
essencialmente da complexidade dessa metáfora que depende, no
plano ideológico, o poder real e a sua inteligibilidade em termos
gerais. O rei é entendido como representação da divindade tutelar e
demiúrgica.
Na ideologia real israelita, a metáfora encontra a sua plenitude
no conceito de aliança, contrução fundamentalmente teológica, mas
que estrutura um corpo de ideias sobre o poder, sobre a sua origem,
sobre o seu exercício e sobre os seus limites . Paralelamente, encontramos
nas monarquias mesopotâmicas uma concepção sobre o poder
que nos sugere muitas similaridades com a visão vetero-testamentária.
Em ambos os casos, o poder resulta da delegação divina e da sua
representação no plano terreno .
Um dos exemplos paradigmáticos da metáfora bíblica é a descrição
alegórica de 2 Sam.7, retomada no s1.89. Esta narraa promessa de
uma dinastia a David. A promessa insere-se no quadro de uma aliança
que compromete ambas as partes - Iavé e o rei . O rei torna-se o interlocutor
privilegiado de Iavé, escolhido por ele para mediar a sua relação
com Israel. Através deste processo de eleição/escolha, David é
exaltado como figura eminente e perdendo a sua condição de homem
comum, de simples pastor, é escolhido por Iavé para ser o rei de
Israel.
