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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Pretende-se com esta investigação sobre a Villa romana do Rabaçal, descoberta a partir de 1984,
no território da ciuitas de Conímbriga, Conuentus Scallabitanus, da província da Lusitânia,
reunir e caracterizar as suas colecções, no âmbito da arte e sociedade da Antiguidade Tardia, e
contextualizá-las tanto localmente como alargando a sua compreensão ao magnífico conjunto de
Villae com mosaicos, na sua maior parte tardias, descobertas na Península Ibérica, bem como na
bacia do Mediterrâneo.
A pars urbana da Villa do Rabaçal, inteiramente escavada, apresenta um vasto peristilo
octogonal para o qual se abrem um pórtico e salas de recepção, ornados de mosaicos
sumptuosos de produção médio-oriental, os quais suscitam intrigantes questões, como a de não
serem comparáveis com outros do território português, nem mesmo com os das oficinas de
Conímbriga, cidade esta que se situa na sua imediata proximidade. Os paralelos terão de ir
buscar-se além-fronteiras e no quadro de diferentes contextos da Antiguidade Tardia (séculos
III/IV-VIII).
Mas os artífices que os executaram eram possuidores de boa técnica, conheciam e interpretavam
bem os modelos. Devemos estar perante obra de oficina itinerante, que procuraremos definir
nesta investigação, e da qual talvez venhamos, no futuro, a conhecer outros produtos.
Esta Villa é considerada, até agora, a estação arqueológica mais importante da área que
dependia administrativamente da antiga cidade de Conímbriga.
Trata-se da residência de um grande proprietário, cujas terras, de dimensão dificilmente
calculável, poderiam credivelmente alcançar mais de 100 hectares. O proprietário vivia numa
residência sumptuosa, com seu edifício de banhos próprio, e instalações para os seus numerosos
criados e todos os edifícios que uma casa de lavoura exigia.
Os séculos IV, V e VI foram, durante muito tempo, considerados como época de escassa
produção artística nesta parte ocidental da Península. Se para o Império e os Reinos que lhe
sucederam este foi efectivamente um período de crise política e financeira, a verdade é que deve
ter havido grandes e sólidas fortunas particulares. Deduz-se isso da riqueza arquitectónica e
decorativa de muitas Villae e edifícios de culto cristão construídos ainda na segunda metade do
século IV e séculos V e VI.
Por outro lado, parece haver, nessas Villae, grande variedade de soluções arquitectónicas quer a
nível das plantas, quer dos alçados.
Da comparação de exemplos bem datados parece deduzir-se a ausência da estandardização e,
pelo contrário, um espírito industrioso e inventivo dos arquitectos de um período que preludia a
arte bizantina. A história da arquitectura privada do século IV e V vai certamente trazer muitas
surpresas.
É também objectivo desta investigação, dado estarmos na Villa romana do Rabaçal em presença
de um objecto artístico de uma grande originalidade (tipologia, aspectos construtivos e
decoração), definir os seus conteúdos e paralelos, dado ser fundamental, nesse período, para
caracterizar a fase protobizantina da história da arte em Portugal, no âmbito da evolução de
uma linha de continuidade da matriz clássica e das suas transformações resultantes da
integração do cristianismo na sociedade na Antiguidade Tardia.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de
Doutor em História da Arte da Antiguidade.
Palavras-chave
Rabaçal, Villa Antiguidade Tardia Mosaicos
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
