| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 2.84 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Esta dissertação tenta fazer uma análise filosófica do problema da Identidade e
da Vida no pensamento de Virginia Woolf. Situa-se no cruzamento entre as estruturas do
conceito, próprias da filosofia, e as estruturas do significado, próprias da literatura. O
que se procura determinar é até que ponto é possível encontrar no pensamento de Woolf
qualquer coisa como uma «ontologia literária» – e, em especial, uma ontologia que leve
a cabo o projecto filosófico de captação da identidade das coisas.
Na introdução, desenha-se o percurso geral do problema a partir dos cortes e
continuidades entre as diferentes formas de «olhar» para o problema do «território» da
identidade. Começamos por analisar como é que o ponto de vista natural tem sempre já
constituída uma compreensão da identidade: uma rede de identidades e diferenças das
«coisas». Em seguida, considera-se o modo como o ponto de vista científico se afasta da
perspectiva natural, mas ao mesmo tempo mantém a mesma estrutura fundamental de
reconhecimento das coisas. Em terceiro lugar, considera-se o ponto de vista filosófico,
enquanto ponto de vista crítico, que assume a tarefa de detectar os equívocos e
inconsistências das outras formas de olhar para a identidade das coisas. Foca-se em
especial o complexo de problemas que enfrenta e o facto de não conseguir levar
inteiramente a cabo o projecto de dizer a identidade das coisas. É aqui que entra em
cena o ponto de vista literário, enquanto ponto de vista que lida com significados e que
pode completar o projecto filosófico.
Na primeira parte, em diálogo entre a tradição filosófica sobre a questão da
mónada (em especial Leibniz) e o pensamento de Woolf, procura-se traçar o «território»
da identidade própria, da identidade «monádica», determinar quais são as suas fronteiras
e o que fica para lá delas. O que constitui a identidade monádica é, por um lado, ser uma
ínfima parte no meio de tudo o mais e, por outro, ser já esse mais de que se diferencia,
de tal forma que a sua identidade própria se atravessa em tudo o mais, é omnienglobante
e tem o carácter daquilo a que Leibniz chama pars totalis. Neste sentido,
procura-se determinar as diferentes formas em que a identidade se atravessa no mundo,
nos outros e no tempo.
Na segunda parte, analisa-se a forma como se acha constituído o acesso à
identidade. Estuda-se o problema da “distância da pars totalis em relação a si mesma”, a
diferença woolfiana entre being e non being, o duplo carácter da experiência enquanto
experiência dos factos e experiência do significado e o acontecimento da mónada como
totalidade de significado em demanda de si.
Na terceira parte, considera-se a forma como o nosso olhar (e tudo isso a que
chamamos realidade) está constitutivamente atravessado por conteúdos de ficção. A
partir daqui procura-se perceber até que ponto a nossa visão habitual é semelhante à narrativa ficcional e se é ou não possível constituir qualquer coisa como uma biografia
integral, i.e., se é ou não possível dizer a vida (a totalidade da vida).
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em
Filosofia (especialidade Ontologia e Filosofia da Natureza)
Palavras-chave
V.Woolf, Leibniz Bergson Identidade Pessoal
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
