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Orientador(es)
Resumo(s)
A presente dissertação debruça-se sobre o pensamento estético de Adorno e procura
esclarecer aquele que é talvez o seu desafio mais decisivo: a captação e a exploração
críticas do «teor de verdade» de obras de arte. Que a verdade da arte, segundo Adorno
– para quem esta questão se declina no singular, a respeito de obras de arte concretas
–, seja inseparável do seu potencial crítico, da sua negatividade, é insofismável.
Contudo, esse potencial revela-se irredutível à lógica de uma arte explicitamente
política e não é possível pensá-lo abstraindo da imanência dos processos artísticos.
Em consonância com a insistência de Adorno na tese de que o potencial crítico da arte
e a sua autonomia não se contradizem, a dialéctica entre «verdade» e «aparência»
ocupou um lugar central na recepção da estética de Adorno. Nos termos dessa
dialéctica, de que nos ocuparemos na Primeira Parte, a arte é crítica não só na medida
em que certas obras de arte exibem a negatividade do real, mas também por nelas
aparecer justamente o que de súbito escapa a essa mesma negatividade. O «teor de
verdade» seria então a «aparência do não-aparente», ou seja, a aparência da
reconciliação de contradições que, sendo as do real, penetraram historicamente na
esfera imanente das artes. Ora, é para desequilibrar esta dialéctica entre verdade e
aparência – que, como tentaremos explicitar, não faz justiça à estética de Adorno, na
medida em que permite confundi-la com uma estética de carácter utópico – que
deslocaremos a nossa atenção, na Segunda Parte, para o conceito de «enigma» e para
a sua relação com o de «verdade».
Segundo a nossa hipótese – e baseando-nos sempre em passagens decisivas da Teoria
Estética, bem como de outros textos dispersos pelo corpus adorniano – o «teor de
verdade» de obras de arte jogar-se-ia eminentemente no facto de estas, em virtude do
seu «carácter enigmático», resistirem à interpretação. Em vários casos – sendo que
nos deteremos nos estudos dedicados a Beethoven, a Kafka, a Hölderlin, a Beckett e a
Mahler – o âmago da estética adorniana residiria no desdobramento dos efeitos
críticos de uma tal experiência do «enigmático». Ou seja, cabe salientar que, para
Adorno, a arte, considerando o seu potencial crítico, não se limita a denunciar o real –
sob a figura do «protesto» – ou a antecipar um outro real por vir – sob a figura da
«utopia» – mas, enquanto «enigma», lança a razão numa crise de compreensão que
abala as condições de inteligibilidade do real e, consequentemente, da sua possível
transformação.
Assim, na esteira da exploração das vertentes negativa e afirmativa da arte em relação
ao «carácter enigmático», a nossa pesquisa desembocará na hipótese de que, por mor
tanto da captação da sua singularidade quanto do enfoque na sua actualidade, convém
destacar na estética adorniana o conceito de «enigma» – em detrimento dos de «belo»
e de «sublime» – e pensá-la como uma «estética do enigmático».
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção
do grau de Doutor em Filosofia Contemporânea
Palavras-chave
Verdade Enigma Estética Adorno Arte Crítica Aparência
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
