FCSH: DHA - Teses de Doutoramento
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- SÍNTESE DAS ARTES: Pensamento e Prática em Portugal (1944-1979)Publication . Moura, Sónia Carla da Cunha Melo Martins de; Silva, Raquel Henriques da; Matos, Lúcia AlmeidaEsta tese estuda a colaboração entre arquitectos, pintores e escultores em Portugal (1944-1979) à luz do movimento internacionalmente conhecido por Síntese das Artes examinando a sua manifestação na crítica, no ensino e em obras. A Síntese das Artes projectou-se internacionalmente nos anos do segundo pós- Guerra no contexto da reconstrução europeia, constituindo uma plataforma favorável à reflexão crítica do movimento moderno. Esta reflexão sustentou-se no desejo de humanização da arquitectura por via do discurso da Nova Monumentalidade, cujo programa defendia a integração de valor lírico e humano na arquitectura moderna, entendida como excessivamente racionalista. Correspondendo a um encontro de interesses entre arquitectos e artistas na configuração do espaço arquitectónico, a Síntese das Artes aproximou áreas disciplinares e, nesse exercício, fomentou o confronto de propostas críticas, no que ficaria caracterizado como um debate longo, plural, mas inconclusivo. Para além da heterogeneidade e complexidade que caracterizou o discurso crítico, no plano operativo este programa materializou-se de forma permanente e tangível, e está consagrado num património de características próprias, claramente identificáveis. A comunidade artística e cultural portuguesa participou activamente deste movimento internacional desenvolvendo o seu programa no campo teórico e prático. Apesar das evidencias deste envolvimento se exibirem em obra construída, o compromisso efectivo da comunidade artística com o movimento da Síntese das Artes é um assunto que carece de revisitação e destaque. Caracterizando o seu desenvolvimento dentro da especificidade política, social e artística ao longo da cronologia identificada, detectando e mapeando os factores que informaram o espectro de discussão e concretização, esta tese pretende inscrever o movimento da Síntese das Artes no discurso teórico e historiográfico da arte e da arquitectura em Portugal. Pretende ainda contribuir para novos entendimentos e leituras do modernismo em arte e arquitectura, assim como para o estudo, divulgação e valorização de uma tipologia de património insuficientemente reconhecida.
- Global trajectories of quadratura painting: the microhistory of Giovanni Gherardini (1655-1723) between Italy, France and China. Transnational dynamics and cultural transfersPublication . Iorio, Francesca; Campos, Alexandra Curvelo da Silva; Raggi, GiuseppinaThe thesis presented here and financed by the FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, is entitled: Global trajectories of quadratura painting: the microhistory of Giovanni Gherardini (1655-1723) between Italy, France and China. Transnational dynamics and cultural transfers. The aim of the research is to investigate the circulation of quadratura painting between the seventeenth and eighteenth centuries and identify it as a global artistic phenomenon. This involves understanding the context that welcomed and fostered interest in this pictorial practice. More specifically, the study focuses on analysing quadratura painting as a global artistic phenomenon through the biographical trajectory and case study of the quadraturist Giovanni Gherardini (circa 1655-1723 or 1729). Gherardini, who was educated in the Bolognese school of quadratura, initially arrived in France in 1680 and later travelled to China in 1698. Through the alternation of micro and macro historical investigations entwined with the political, social, and cultural contexts shaping Giovanni Gherardini’s artistic endeavors, it becomes possible to delineate and map a global trajectory of quadratura, that in this case study is Italy-France-China. This is accomplished by employing an investigative framework that seeks not cultural hierarchies but rather points of convergence whenever diverse visual cultures intersect. This approach is made feasible by leveraging the operational concepts put forth by global art history, which aims to provide investigative tools for studies on artistic circulation founded on the notions of cultural encounter and exchange rather than unilateral influence. The research, therefore, from a data collection point of view, is based on the intersection of documents of different natures, works of art, drawings, archival manuscript documents and printed texts, in a multi-language, and “multi-support” setting. Finally, from a macro perspective, this research offers the possibility to understand how and why the migration of painters and mural paintings occurred in the early modern period, how the interaction and exchange between different visual cultures took place, and above all how knowledge was shared.
- Cantando a Revolução: O Papel das Canções e da Ópera na Disseminação do Comunismo na China de Mao ZedongPublication . Silva, Sofia Beatriz Ferreira da; Rocha, Luzia Aurora Valeiro de Sousa; Sun, LamO panorama musical da China de Mao Zedong, essencialmente constituído por música cantada, ficara marcado por dois fenómenos distintos. O primeiro corresponderia à disseminação de “canções revolucionárias,” melodias simples inspiradas nas tradições ocidental e nativa, de conteúdo político acessível à generalidade das massas. O segundo, em voga durante a Revolução Cultural (1966-1976), corresponderia aos “espetáculosmodelo” (yangbanxi), compostos, entre outros, por óperas de Pequim revolucionárias, fundindo as tradições operáticas chinesa e ocidental para representação clara de heróis e vilões. A sua popularização dependia de meios como a rádio, as equipas de propaganda, o cinema e os cartazes, encorajando a participação ativa em eventos relacionados e, assim, a assimilação eficaz das mensagens do Partido Comunista Chinês. Na forma e conteúdo, canções e óperas refletem processos de significação diretamente relacionados com o modus vivendi das massas, fundindo o ideário comunista com sistemas de pensamento nativos com vista à interpretação correta da mensagem propagandeada. Tal só seria possível pelo envolvimento nos dispositivos de propaganda e atividades relacionadas, geradores de diversos graus de perceção e receção da sua configuração e mensagem. Partindo deste pressuposto, a investigação pretende explorar a simbologia presente na música e ópera revolucionárias para a representação do ideário a disseminar pelo governo maoísta, bem como a sua influência sobre a perceção das massas das ideias representadas. Pretende-se, ainda, analisar a promoção via meios de propaganda da participação popular na aprendizagem musical, assim como a sua importância na construção da paisagem sonora da China de meados do século XX e dos modos de visualização da música na sociedade da época.
- Nanban Armours: Cultural Transfer Processes Between Early Modern Europe and JapanPublication . Matos, Madalena Almeida Azevedo; Campos, Alexandra Curvelo da Silva; Klautau, OrionThis thesis explores the transcultural phenomena that led to the creation of nanban armours, a distinctive typology of Japanese armours that emerged between the late sixteenth to the early seventeenth century, marked by the assimilation of European armour components or European inspired elements into Japanese armours. This period of intense cultural exchange was initiated by the arrival of the Portuguese in Japan in 1542/43, followed by the Spanish, English and Dutch, leading to unprecedented interactions between the Japanese military elite and European traders and missionaries. The hybrid nanban armours, artefacts that combine and assimilate elements from both European and Japanese cultural matrix, serve as material testament to these exchanges. Through a transcultural lens, the present thesis examines the introduction, adoption and adaptation of European armour in Japan, distinguishing between armours made with European components (nanban gusoku) and those entirely crafted in Japan following models of European inspiration (wasei nanban gusoku). It delves into the hybridisation process underlying the creation of nanban armours, revealing a complex interplay of actions of selection, appropriation, adaptation, and integration that reflect the ingenuity and agency of Japanese armourers. In addition, it scrutinises the reception of European armour in Japan and the roles nanban armours played beyond their immediate martial utility – functioning as diplomatic gifts, markers of social status, mediators of the supernatural, and symbols of power and authority. This study is grounded in a comprehensive review of literature, integrating insights of historians, conservators, and collectors to construct a nuanced re-examination of the technical and cultural arguments previously forwarded regarding the emergence of nanban armours. By analysing these armours within the broader contexts of Japanese-European relations, this work contributes to our understanding of the dynamic nature of transcultural exchange and its capacity to produce new forms of material culture. Nanban armours, thus, emerge not merely as artefacts of warfare but as cultural agents in a transformative era of Japanese history, affecting and reflecting the intricate interchange of cultural, technological, and political forces of a changing pre-modern Japan.
- Aqua in Palatio. Water in 16th century European palaces. The Iberian Peninsula as a case of studyPublication . Gumiel Campos, Pablo; Senos, Nuno de Carvalho CondeThere was a crucial transformation in the use of water in 16th-century palaces. Grottoes, mythological fountains, scherzi, and automata changed the way water was employed by introducing new concepts of leisure, erudition, representation, or magnificence. To meet the new high demands of water, major hydraulic engineering projects were carried out. Initially, technology implemented to collect and transport water was indebted to that developed during the late Middle Ages, but in the 1580s, the first hydraulic pumps were devised, breaking with the tradition of gravity-driven aqueducts. This dissertation aims to conduct a cross-sectional and comparative analysis of the hydraulic systems of ninety-four 16th-century European palaces to understand the historic-architectonical evolution of their supply systems, as well as the progressive implementation of new uses of water. Several questions will be answered: How did the hydraulic systems of 16th-century palaces work? Was there mobility of water engineers and artists? Or when, where, and why did leisure objects such as grottoes or hydraulic organs appear? A more profound study of the Iberian Peninsula will be conducted by analysing the water systems of four specific palaces: The Alcázar of Seville, the National Palace of Sintra, the Ducal Palace of Vila Viçosa and the Royal Monastery of El Escorial. With this, it is intended to understand the role that the Iberian Peninsula played in the development of hydraulics and usages of water in 16th-century Europe, bearing especially in mind the Arab legacy of the region. The applied methodology has been based on collecting bibliographic and archival information, fieldwork, and designing maps and databases with GIS software.
- Galerie Pedre Daupias. Uma coleção de pintura em LisboaPublication . Gonçalves, Ramiro Assis Gonçalves; Silva, Raquel Henriques da; Xavier, HugoPedro Eugénio Daupias (1818-1900), 1.º visconde e 1.º conde de Daupias, foi um dos mais importantes colecionadores em Portugal no último quartel do século XIX. Das várias coleções que reuniu, a de pintura, pela excelência de algumas peças, é a que ganha maior destaque para a História da Arte, estando alinhada com o gosto parisiense finissecular, embora as suas tendências ecléticas o tivessem levado a reunir todo o tipo de objetos artísticos: escultura, cerâmica, têxteis, mobiliário, ourivesaria, entre outros. A dispersão da coleção começou em 1892, quando uma seleção das melhores pinturas foi à praça em Paris. Em 1894, realizou-se um leilão dedicado às artes decorativas, novamente na capital francesa. E, dez anos após a morte do colecionador, em 1910, foi vendido num leilão em Lisboa o remanescente da coleção. O catálogo que o conde fez publicar em 1882, dedicado à pintura e escultura modernas da sua coleção, é um instrumento essencial para o seu conhecimento, tendo sido uma das bases mais importantes do presente trabalho.
- Da coleção sem paredes ao Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Histórias de uma oficiosa coleção «nacional» (1957-1994)Publication . Coimbra, Filipa Meneses Costa Vasconcelos; Duarte, AdelaideA Coleção do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) começou a ser formada, em 1957, como medida de apoio aos artistas portugueses contemporâneos. Cedo se tornaria numa «coleção sem paredes», formada fora da instituição museu, nos mesmos pressupostos das coleções do Arts Council e do British Council. No decorrer de um quarto de século, converter-se-ia na coleção do primeiro museu português a mostrar, de forma permanente e representativa, a arte moderna e contemporânea. Tal desiderato, impulsionado pela conquista da democracia e pelos esforços de integração na Comunidade Económica Europeia, corroborava um imaginário de oficiosa «coleção nacional», porém, esboçado nos anos da ditadura, no âmbito das políticas de descentralização artística e da diplomacia cultural. Nesta tese procura-se compreender – no que herda, abdica e acrescenta – a conversão da coleção mecenática, «sem paredes», na coleção museal, com o apoio em fontes primárias, na história institucional, expositiva e nas incorporações, bem como nas dinâmicas institucionais, académicas e do meio artístico português, até 1994, data que marca o fim da primeira direção do CAM. Esta investigação insere-se nos estudos sobre a formação de coleções institucionais, operando através da compreensão dos seus enunciados discursivos e do seu agenciamento enquanto tecnologia do Estado-nação, reconhecendo modelos curatoriais e narrativas. Analisa como uma coleção participa na diplomacia cultural oficial e nas relações culturais externas, compreendendo e articulando os contextos regional/ local/ global. O processo de formação de uma oficiosa «coleção nacional» assentou, todavia, num cosmopolitismo enraizado, que esta tese procura compreender, analisando os trânsitos e as transferências artísticas ocorridos. Pelos testemunhos da coleção discutem-se temas atuais no âmbito dos estudos de museus e da historiografia da arte portuguesa contemporânea, como a conflitualidade modernidade/colonialidade/decolonialidade, ou a institucionalização do modelo historiográfico introduzido por J.-A. França. Procurou-se ainda abrir a reflexão à representatividade e anseios dos diversos atores públicos nos museus e coleções.
- O Biblismo na arquitectura régia portuguesa. Séculos XII a XVIPublication . Oliveira, Nuno Baldaque Villamariz Santos; Moreira, RafaelA arquitectura portuguesa entre a formação da nacionalidade e o final da dinastia de Avis tem conhecido, ao longo das últimas décadas, diferentes leituras historiográficas. Apesar da existência de uma considerável abundância de estudos em diversas áreas, a interpretação antropológica dos espaços religiosos e sua relação com as espiritualidades inerentes aos monarcas e às ordens religiosas e militares tem sido relativamente escassa. Em termos internacionais, estas matérias têm conhecido um maior aprofundamento, relativamente circunscrito a diferenciados estudos monográficos de monumentos, todavia carecendo de leituras de conjunto. No Ocidente Europeu e no Oriente Latino, as relações que se estabelecem entre a espiritualidade cristã, a exegese bíblica e a manifestação de arquétipos bíblicos na arquitectura religiosa têm levantado novas perspectivas de análise. No caso português, tais assuntos estão ainda pouco desenvolvidos, sendo merecedores de maior reflexão, em especial no papel desempenhado por múltiplos monarcas na edificação de catedrais, mosteiros, conventos, palácios, hospitais e, nalguns casos, das respectivas envolventes urbanas. A crença cristã em arquitecturas de origem divina manifesta-se no ambiente mental e cultural português, evidenciando particularidades singulares. Assim, esta tese tem como objectivo principal a análise metrológica da arquitectura régia, associada ao aprofundamento da compreensão das medidas-padrão presentes em vários monumentos e sua comparação com outros congéneres no mapa da Cristandade. A linha de investigação definida assenta numa visão da História da Arquitectura na qual se expressa a hipótese da ascendência de interpretações dimensionais sobre posicionamentos intelectuais quase exclusivamente vinculados às estéticas das proporções. Neste contexto, é proposto o conceito de Biblismo arquitectónico, consubstanciado em arquétipos exemplares e positivos, simultaneamente morais e arquitectónicos, relevantes nos textos sagrados. Refere-se quer ao Antigo Testamento, casos da Arca de Noé, do Tabernáculo de Moisés, do Templo de Salomão, quer ao Novo Testamento, manifestado na Basílica da Natividade, no Templo de Jerusalém que Jesus e Maria conheceram, na Igreja do Túmulo da Virgem, no Santo Sepulcro e no Templum Domini. No plano escatológico, são da maior importância o Templo visionado pelo Profeta Ezequiel e o Templo da Jerusalém Celeste. No estudo de diversos exemplos da arquitectura régia portuguesa, pretende-se compreender princípios inerentes às concepções dessas obras paradigmáticas, tentando identificar as influências que recebem dos textos bíblicos e de vários edifícios, em Portugal e noutras latitudes. Cruzando a vida de monarcas, representantes de congregações religiosas e arquitectos com diversos factores, de ordem mental, cultural e política, procura-se discernir uma possível linhagem sequencial de diferentes monumentos, atravessando séculos, mas porventura unidos simbolicamente por um cordão umbilical.
- Ecce Homo: um olhar sobre o feminino na metrópole de George GroszPublication . Reis, Fernanda Pulido dos; Leal, Joana CunhaEssa tese procura compreender o papel que as figuras femininas desempenham na obra Ecce Homo, de George Grosz (1893-1959). Trata-se de um catálogo de litografias e aquarelas, publicado entre 1922-1923, em que estão reunidas cem imagens dedicadas à paisagem urbana da Berlim do entre-guerras, produzidas entre os anos de 1915 e 1922. Com vista a explorar as possibilidades de leitura dessas imagens, o estudo se deu a partir da análise de algumas obras, escolhidas como amostra do álbum, onde são estudadas questões de ordem estética e sociológica, destacando-se uma imagem particular, em que o artista dialoga com Sigmund Freud (1856-1939), pai da Psicanálise, para se analisar, com isso, as questões de gênero que ali se encontram. O estudo tem um caráter exploratório e analítico, recorrendo-se à revisão teórica e à análise crítica de fontes secundárias, à própria fortuna crítica do artista, bem como sua autobiografia, e à análise formal e iconográfica das obras. Três aspectos centrais, alinhados ao objetivo deste trabalho - discutir a representação do feminino - constituem o foco do presente estudo: a) a vida urbana na metrópole alemã dos anos 1910-1920 e seus impactos para a produção artística; b) a experiência da mulher em tais circunstâncias e, finalmente; c) o estudo de sua imagem na obra Ecce Homo. Ao fim da investigação, o que se revela é o caráter encobridor das imagens como resistência ao novo estatuto que se abria para a experiência feminina, identificando-se como protagonista da obra a mulher que ali não está: a “nova mulher” (neue Frau), pontuando-se, com isso, que, em Ecce Homo, não se trata da mulher representada, mas daquela que se quis calar.
- Paisagens Cruzadas: Caminho e Rasto na Arte ContemporâneaPublication . Salvador, Luísa Grácio Nunes Sanchez; Alves, Ana Margarida Duarte Brito; Crespo, Nuno Alexandre CoimbraPaisagens cruzadas: caminho e rasto na arte contemporânea procura traçar possibilidades de leitura sobre a problematização que se viu ganhar forma: como se materializa a vivência de uma experiência subjectiva?, abordando-se modos de aproximação à questão. Procurar-se-á demonstrar que o contexto em que decorre a experiência subjectiva, sobre a qual a criação artística assenta, pode residir naquilo que designamos de Paisagem; que o modo como é feita a mediação entre o sujeito e o entorno pode ser através da operacionalidade do Caminhar; e que a materialização da experiência pode advir daquilo a que se designa, nesta dissertação, de Rasto. O presente trabalho divide-se em três grandes secções, cuja estrutura segue a mesma cadência com que surgem no título. Na primeira parte, partindo da ideia que uma paisagem resulta tanto das suas camadas geológicas quanto dos seus estratos de memória, desenvolve-se uma abordagem mnemónica à paisagem, através de mapeamentos e narrativas que permitem compreendê-la, não apenas de um modo subjectivo, mas, também, operativo. Na segunda parte, é abordada a acção de caminhar como uma das formas de aproximação à paisagem mais primordial e acessível; isto é, o caminhar enquanto modo de conhecimento de territórios, sítios e lugares, de entornos naturais e urbanos, a partir dos quais, quando cruzados pela marcha, surgem reflexões estéticas e criações artísticas. Irá ser aferido como este acto, por definição transitório e imaterial, veio a ter um papel fundamental, com profundas consequências no processo artístico da década de 1960 em diante, e a ser considerado uma prática artística em si. É na terceira parte, partindo destas várias acções e declarações artísticas em lugares, que se mobilizou o conceito de rasto como categoria e designação para a compreensão dessas criações artísticas. Nesta investigação, chamaremos a esses legados materiais, de uma experiência subjectiva que se dá na paisagem através da operacionalidade do caminhar, de rastos. São materializações que resgatam e identificam acções humanas, com uma intencionalidade e propósito específicos, que de outra forma desapareceriam, tal como uma pegada. Os rastos são vistos, neste contexto, como criações artísticas em tempos distintos, que perpetuam técnicas, mediações e escalas entre a criação e o território em que são materializadas - sobrevivendo anacronicamente aos tempos.
