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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Constituindo um dos acontecimentos mais traumáticos da História do século
XX, a Grande Guerra encerra uma afectação global e revolve nevralgicamente todas
as sociedades mobilizadas. No âmbito da História Cultural, com uma inevitável
aproximação à História Política e Social, são aqui investigadas as políticas de
memória da I Guerra Mundial em Portugal (1918-1933), num quadro de referência
europeu. Reconhecendo a existência de uma cultura de guerra europeia, homogénea e
hegemónica, procura-se perceber a natureza do mito da experiência de guerra em
Portugal, numa análise que não pode deixar de considerar as profundas divergências
em torno da sua participação no conflito em território europeu, assim como os
desastrosos efeitos que determinaram a especificidade do seu processo rememorativo
e que o relegaram ao possível estatuto de vencedor mutilado.
Numa dialéctica entre memória oficial, pública e de grupo, pretende-se
esmiuçar as políticas da memória através dos projectos oficiais de rememoração, pelo
cruzamento dos seguintes eixos de análise: os combatentes como protagonistas, da
sua integração social à regulamentação associativa; os processos de
monumentalização da memória de guerra (formas, ritmos de implantação e rituais de
reactualização do seu significado). Eixos que poderão esclarecer algumas questões.
Em primeiro lugar, explicar até que ponto a incapacidade da I República em projectar
uma consistente política memorial e a incapacidade em lidar com os traumas gerados
pela guerra reflectiram a sua fragilidade, tendo precipitado a sua falência em 1926.
Em segundo lugar, atendendo à delineação histórica dos espaços públicos de
memória, identificar se existiu uma estruturação oficial da concepção memorial na
base da legitimação histórica da política republicana. Por fim, a partir da natureza dos
processos rememorativos, apreender se a apropriação da experiência da frente pela
cultura de guerra alimentou e legitimou o discurso das transformações políticas de
Portugal no pós-guerra. Neste sentido, este exercício visa desconstruir, por um lado,
a ideia de que a génese dos regimes autoritários de direita acorreu exclusivamente na
guerra e, por outro, a noção de que a guerra e a cultura de guerra inauguram uma
ruptura de modernidade nas sociedades liberais.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Doutor em História
Palavras-chave
I Guerra Mundial Portugal I República Antigo Combatente Cultura de Guerra Memória
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
