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Orientador(es)
Resumo(s)
A presente dissertação tem como objectivo a identificação, análise, registo e
estudo das evidências de Faiança Portuguesa recuperadas nas Ilhas Britânicas.
Reconheceram-se 737 peças, distribuídas por vinte e três cidades e setenta e nove
arqueossítios, em contextos de finais do século XVI a inícios do século XVIII. Aquelas
foram, sempre que se justificou, com base na sua dimensão, estado de conservação e
importância, registadas graficamente, descritas e organizadas em corpus, que se aqui se
apresenta. Foram igualmente considerados os contextos arqueológicos que as
ofereceram, bem como a cultura material que as acompanhava, inserindo as peças lusas
em contextos sociais, económicos e culturais.
A fraca incidência de trabalhos em torno da Faiança Portuguesa, tanto em
Portugal como no estrangeiro, fez-nos iniciar este estudo com tabula rasa de
conhecimentos. Saber como era produzida, por quem e com que recursos foi
fundamental na compreensão das peças e na sua interpretação. Matérias-primas,
métodos de produção, olarias e artífices foram analisados, tentando desvendar todas as
possíveis informações técnicas e artísticas que nos ajudassem na sua compreensão.
Estas informações foram obtidas através de tratados estrangeiros descrevendo a
elaboração de cerâmica estanífera em Itália, Países Baixos e França, mas também de
informações retiradas directamente dos centros produtores. Só a visualização de
cerâmicas oriundas das oficinas seiscentistas de Lisboa, Coimbra e Vila Nova, podiam
confirmar a origem das peças exumadas nas Ilhas Britânicas, fornecendo paralelos
seguros. Neste sentido, foram observadas colecções arqueológicas em contexto de
produção, determinantes na caracterização dos objectos em estudo.
A decoração foi sempre uma das principais características destas produções e
aquela que mais interesse suscitou aos investigadores desde o século XIX, todavia,
esses trabalhos encontravam-se quase exclusivamente efectuados por Historiadores de
Arte. Nos últimos anos, a Arqueologia deu um contributo valioso no estudo das
faianças, sobretudo através das peças oferecidas pelos contextos arqueológicos.
Aquelas, constituídas maioritariamente pelo que podemos designar de cerâmica de
utilização quotidiana, diferem dos objectos sumptuosos existentes nas colecções
museológicas, fornecendo novos dados ao estudo da tipologia decorativa. A Faiança
Portuguesa recuperada nas Ilhas Britânicas deu igualmente o seu contributo na
determinação de formas e tipos decorativos, mas sobretudo na sua evolução
cronológica.
Conclui-se qual a importância que as peças estudadas tinham nos contextos
ingleses e irlandeses, mas igualmente as consequências da exportação nas olarias
portuguesas e em que tipo de comércio estariam envolvidas. Para chegar a essas ilações
foi necessária a leitura e interpretação das novidades oferecidas por diversos
documentos onde se registaram as mercadorias exportadas pelas cidades portuguesas e
importadas pelas urbes britânicas. Cruzaram-se assim informações arqueológicas e
documentais, concluindo que a Faiança Portuguesa, ainda que uma importação
constante e reconhecida naquelas latitudes, não seria adquirida em grandes quantidades.
Descrição
Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Doutor em História, especialidade de Arqueologia.
Palavras-chave
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
