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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Neste estudo pretende-se averiguar a relação entre arte e filosofia no pensamento de
Nietzsche e demonstrar que é a segunda que ocupa o lugar determinante na sua obra.
Procurar-se-á mostrar que Nietzsche não constitui uma estética sistemática, embora a arte
desempenhe um papel essencial na tarefa que atribui à filosofia. A análise dos textos inéditos
contemporâneos do Nascimento da Tragédia e a transformação de Dioniso em deus-filósofo
servirão para esclarecer a passagem do interesse pelo âmbito da “ciência estética” para o da
filosofia. Defender-se-á que a tensão entre os elementos opostos apolíneo e dionisíaco é a
matriz que se mantém ao longo de todo o seu pensamento, e que ela sofre variações
conceptuais manifestas nas noções de “plástico” e “musical”, “força plástica” e “vontade de
poder”. Através desta matriz, Nietzsche pensa a relação da filosofia com a linguagem e com o
conhecimento, e do filósofo com a sua época. A análise da noção de “pessimismo dionisíaco”
permitirá compreender que Nietzsche propõe um conhecimento trágico e simultaneamente
afirmador, que visa superar o pessimismo e o niilismo modernos. A identificação da filosofia
com a “arte da transfiguração” ou “gaia ciência” mostrará que Nietzsche tem em mente uma
renovação da filosofia, que a destitui da sua condição metafísica e implica uma reavaliação do
âmbito sensível. A tese de que a arte, em especial a música, contribui decisivamente para uma
reabilitação dos sentidos, promovendo um alargamento do modo de sentir e de pensar, levarnos-
á a demonstrar que a compreensão da vida como vontade de poder é uma proposta de
alargamento das explicações científicas do mundo baseada num refinamento dos sentidos.
Investigar-se-á o modo como, pensando o mundo como estrutura de uma multiplicidade de
relações afectivas, Nietzsche procura estabelecer a ligação entre afecto e pensamento,
rejeitando os preconceitos dualistas da filosofia tradicional e os conceitos de sujeito e vontade
livre baseados na ficção lógica da unidade simples e atómica. Contra ela propõe uma
“psicofisiologia” para pensar um entrelaçamento entre o psíquico e o corpo, que implica uma
inteligibilidade instintiva e uma comunicação de ordem não verbal. Esta última alcança o seu
grau máximo de intensificação no estado estético em que o artista cria obras de arte.
Nietzsche designa este estado como “embriaguez”, um estado em que a vida se intensifica de
tal modo que transborda e gera novas configurações de si mesma. A embriaguez é desejo de
vida, e o artista suscita-a no contemplador através das obras que cria. Averiguar-se-á ainda a
crítica de Nietzsche à tendencial “intelectualização dos sentidos” na arte moderna e o modo
como esta favorece o declínio dos instintos e empobrece a relação com o mundo e a vontade
de viver. Wagner torna-se um alvo privilegiado das suas críticas e sustentar-se-á que na noção
de ritmo se concentram as preocupações de Nietzsche com a relação entre a arte e a vida. Do
mesmo modo, defender-se-á que nas noções de gosto e estilo se decide o que aproxima e o
que distingue um filósofo de um artista.
Descrição
Dissertação de Doutoramento em Filosofia
Palavras-chave
Nietzsche Arte Filosofia Estética Música Dioniso Vontade de poder Liberdade Corpo Embriaguez Modernidade Ritmo Gosto Estilo
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
