Revista da FCSH -1989
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Foi este o número da Revista da Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas subordinado ao tema A Cultura Tradicional.
Num período em que as novas tecnologias surgem como a palavra
de ordem deste fim de século, o estudo da cultura tradicional poderá
parecer um mero trabalho de arqueólogos do saber, mais preocupados
com o passado do que com o presente das ciências humanas e sociais.
Nada de mais errado.
Com efeito, constata-se, nestes últimos anos do século XX, uma
reviviscência do interesse por culturas marginalizadas, interesse este que
não pode deixar de ser significativo.
Se bem que este fenômeno não é de todo em todo propriedade do
homem actual, apresenta-se hoje revestido de características próprias.
Deste modo, a cultura tradicional revela-se, em certas disciplinas, como
uma cultura repleta de ensinamentos merecedores da maior atenção,
dado que através deles poder-se-ão encontrar altemativas
profundamente "inovadoras"; por seu tumo - e penso nas chamadas
culturas orais - o próprio processo de conservação e transmissão do
saber, paradoxalmente, está muito mais próximo dos nossos dias do que
à primeira vista se possa crer: não serão as memórias electrónicas, como
muito bem viu Diego Catalán, espaços dedicados à preservação de um
saber efêmero, tal como as memórias humanas o foram, antes da
arrogância do saber impresso, quimérica ilusão do conhecimento fixado
para todo o sempre?
Com os estudos de Abel Barros Baptísta, Maria Teresa Araújo,
Ana Firmino, José Joaquim Dias Marques, Ana Maria Amado e o
projecto de investigação que nos propõem Ana Maria Pina, Antônio
Camões Gouveia e João Carlos Brigola, julgamos contribuir para uma
reflexão em tomo deste tema tão palpitante.
