ENSP - Trabalhos Finais de Especialização em Administração Hospitalar
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- Comparação das Estratégias e Sistemas de Monitorização da PrEP : Uma Scoping ReviewPublication . Pinto, Francisco José FerreiraRESUMO - A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) constitui uma estratégia biomédica eficaz na prevenção da infeção por VIH, especialmente em populações em risco acrescido. A sua implementação requer sistemas de monitorização robustos, capazes de avaliar a cobertura, a adesão, a eficácia e o impacto da intervenção, garantindo simultaneamente a equidade no acesso e a qualidade dos cuidados. Este trabalho teve como objetivo analisar os sistemas de monitorização da PrEP em Portugal e em países europeus selecionados, identificando indicadores utilizados, métodos de recolha, análise e comunicação dos dados, bem como boas práticas e desafios. Foi realizada uma Scoping Review, seguindo as diretrizes PRISMA-ScR, com base em 65 documentos publicados entre 2014 e 2025, abrangendo seis países europeus: Alemanha, Espanha, França, Países Baixos, Portugal e Reino Unido. Os resultados evidenciam três modelos distintos: sistemas centralizados e interoperáveis (Reino Unido e Países Baixos), modelos intermédios (Alemanha e Espanha) e sistemas embrionários (Portugal). Verificou-se que Portugal apresenta cerca de 33,3 % de conformidade com os indicadores recomendados pelo ECDC, utiliza recolha manual de dados, regista fraca interoperabilidade entre plataformas e limitações na desagregação por grupo vulnerável. Entre as boas práticas identificadas nos países com sistemas consolidados destacam-se a existência de plataformas digitais, auditorias regulares, integração dos sistemas de informação e envolvimento comunitário. Conclui-se que, para fortalecer a monitorização da PrEP em Portugal, é essencial adotar integralmente os indicadores do ECDC, garantir a interoperabilidade dos sistemas nacionais de informação e instituir um comité técnico-científico inclusivo, assegurando uma vigilância epidemiológica rigorosa, equitativa e baseada em dados fiáveis.
- Indicadores de qualidade para os cuidados de saúde prestados pelas Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI): uma scoping reviewPublication . Marques, Sara Rita Remédio de CruzRESUMO - O envelhecimento populacional e o aumento da carga de doenças crónicas impõem pressões acrescidas sobre os sistemas de saúde, exigindo respostas mais integradas, eficientes e centradas no utente. Neste contexto, os cuidados domiciliários prestados por Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) representam uma estratégia fundamental. Esta dissertação teve como objetivos: i) identificar as subáreas da qualidade organizacional com maior investimento institucional; ii) mapear os principais indicadores utilizados internacionalmente para avaliar a qualidade organizacional das ECCI; iii) sintetizar as lacunas identificadas na literatura e propor linhas de investigação futuras. A metodologia adotada foi uma scoping review, conduzida em quatro fases, recorrendo às bases PubMed, Scopus e Web of Science. Dos 2.483 artigos inicialmente identificados, 15 cumpriram os critérios de inclusão. A análise foi enquadrada pela tríade de Donabedian (estrutura, processo e resultados), permitindo identificar uma predominância de indicadores orientados para outcomes e processos, com particular foco na centralidade no cidadão e na melhoria contínua da qualidade. A comparação com a realidade portuguesa evidenciou divergências conceptuais, nomeadamente entre os conceitos de patient-centredness e "centralidade no cidadão", bem como diferenças nos instrumentos de avaliação utilizados, destacando-se o uso sistemático do Resident Assessment Instrument – Home Care (RAI-HC) a nível internacional. Conclui-se que o reforço da qualidade organizacional das ECCI requer a definição clara do seu enquadramento institucional, a adoção de indicadores comparáveis e a implementação de sistemas de monitorização baseados em evidência científica.
- Impacto da referenciação para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados na duração de internamento de um hospitalPublication . Oliveira, Jorge Miguel CostaRESUMO - Enquadramento: O envelhecimento da população, associado a maiores níveis de dependência e incidência de doenças crónicas, tem contribuído para a necessidade de reestruturação de novas políticas de saúde/sociais, direcionadas para o cidadão idoso. Assiste-se, por isso, à crescente procura de cuidados continuados, consubstanciados na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), que presta cuidados de saúde e sociais. A RNCCI apresenta o duplo objetivo de melhorar os cuidados a estes utentes e aumentar a eficiência dos serviços hospitalares, permitindo a alta dos utentes dos serviços de agudos, quando deixam de ter essa necessidade. Desta forma, o estudo pretende determinar o impacto da referenciação para a RNCCI, analisando se a eficiência hospitalar, relativamente à duração de internamento, está a ser alcançada no hospital A. Metodologia: Foram analisados os episódios de internamento do hospital A, entre os anos de 2017 e 2020 (n=82013), sendo caracterizados os episódios referenciados à RNCCI neste período (n=3806). Foram comparados os episódios referenciados com os não referenciados para os 5 GDH mais referenciados (GDH 45, GDH 139, GDH 308, GDH 194 e GDH 301), nomeadamente, no que diz respeito à caraterização demográfica, mas também à Demora Média (DM), aos dias pós-alta clínica, à severidade e mortalidade. Na última fase foi analisada a duração de cada etapa do circuito de referenciação à RNCCI. Resultados: A DM da totalidade dos episódios cifra-se em 7,52 dias, ao passo que, nos episódios referenciados para a RNCCI a DM passa para 39,72. Nos 5 GDH mais referenciados à RNCCI, esta realidade mantém-se. O processo de referenciação processase em quatro etapas: do início do internamento até à sinalização (Mediana (Md) 6 dias), seguidamente até à referenciação (Md 4 dias), depois até ao estado de “aguardar vaga” (Md 4 dias) e a última fase até admissão na RNCCI (Md 11 dias). Conclusões: Foi possível concluir que a referenciação à RNCCI aumenta a DM. Relativamente aos 5 GDH mais referenciados verifica-se que apresentam DM superior nos episódios referenciados, quando comparados com os não referenciados, permanecendo os utentes durante períodos superiores ao necessário, aumentando os riscos inerentes ao internamento hospitalar e atrasando os processos de reabilitação, quando se adequa. O processo de referenciação pode ser dividido em 2 fases: um de responsabilidade exclusiva do hospital, e outro com responsabilidade conjunta da RNCCI. Assim é possível afirmar que o processo permanece sobe a responsabilidade exclusiva do hospital durante 40% do tempo do percurso. No âmbito da Administração Hospitalar será importante analisar de que forma podem ser melhorados os resultados que dependem exclusivamente da ação do hospital.
- O turnover de especialistas em Medicina Geral e Familiar na ARS Norte I.P. e sua associação com o desempenho dos ACESPublication . Martins, António Gabriel GonçalvesRESUMO - Introdução: O turnover de profissionais nas organizações, e particularmente na Saúde, tem sido descrito como um fenómeno que importa quantificar e avaliar as implicações. Mormente aferir intervalos e valores que permitam traduzir até onde o turnover é positivo e benéfico para a organização e a partir de que valor ele impacta negativamente no desempenho organizacional. No caso particular do exercício de Medicina Geral e Familiar nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), e particularidades desta especialidade em termos de modelo de recrutamento, importa perceber se o turnover destes médicos está associado com o desempenho das respetivas organizações. Metodologia: Foi realizado um estudo retrospetivo, descritivo e correlacional, com base na estatística descritiva, analisando o turnover de médicos de família nos 24 ACES da ARS Norte, num período de 5 anos, compreendido entre 2017 a 2021. Posteriormente verificou-se a respetiva associação desse turnover com o Índice de Desempenho Global anual dos ACES, através de um modelo de regressão linear controlado para a dimensão destes em termos de número de médicos de família. Resultados: Verificou-se a existência de uma correlação negativa entre as duas variáveis indicando que quanto maior é o índice de rotatividade menor é o índice de desempenho global do ACES. Ajustando o modelo para a dimensão em termos de número de médicos constata-se que o aumento de uma unidade no índice de rotatividade está associada uma diminuição de 0,29 no índice de desempenho global. Conclusão: Através deste estudo foram lançadas perspetivas que podem contribuir para uma melhor aferição dos efeitos do turnover de médicos de família. Pretende-se que possa servir como uma base quer para a compreensão desses efeitos, quer para a mitigação de consequências adversas, ajustando inclusivamente o modelo da avaliação do desempenho da organização. Seriam necessários mais estudos, com amostras mais significativas, para permitir concluir relações causa-efeito, com intervalos mais precisos e com menos variáveis de confundimento.
- O impacto da implementação de medidas de eficiência energética no consumo de energia elétrica e na sustentabilidade financeira hospitalarPublication . Fernandes, Joana Isabel LibórioRESUMO - Introdução: Atendendo à atual crise climática e energética e ao movimento de mudança de paradigma sobre as políticas socioeconómicas, torna-se fulcral harmonizar a sustentabilidade energética, ambiental e financeira, mormente em ambiente hospitalar. O foco desta análise é o estudo do impacto da implementação de medidas de eficiência energética no consumo de energia elétrica e na sustentabilidade financeira hospitalar. Metodologia: Estudo observacional ecológico de séries temporais interrompidas, com colheita de dados retrospetiva entre 1 de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2022. Para avaliar o impacto da implementação das medidas de eficiência energética: metodologia de séries temporais interrompidas. Para avaliação do impacto das medidas ao nível populacional: comparação da tendência da evolução do outcome de interesse no período pré e pós-implementação da intervenção. Executada análise descritiva com medidas da tendência central e de dispersão, representadas em diagrama de dispersão. Modelado o consumo mensal da eletricidade com modelo de regressão linear ajustado a potenciais efeitos pandémicos COVID-19 e sazonalidade. Para avaliar o impacto financeiro: análise descritiva das frequências e calculada a média do gasto em energia elétrica e respetivo peso no orçamento global. Realizada análise comparativa de proporções, exibidas em gráfico de séries temporais com linhas de tendências lineares. Resultados: Tendência ligeira de diminuição do consumo de eletricidade prévio ao efeito conjunto das intervenções, revelando uma redução acentuada após. Apesar dos gastos associados ao consumo de energia terem aumentado no ano de 2022, é notório o alinhamento das linhas de tendências lineares do consumo total de eletricidade e o peso dos gastos com a eletricidade, num sentido descendente. Conclusão: A implementação das medidas de eficiência energética, teve retorno positivo verificando-se uma tendência de redução do consumo de energia acentuada após o efeito conjunto após a implementação das medidas em estudo. O retorno financeiro ainda não se verificou, corroborada pela bibliografia sobre o tema que defende um retorno financeiro a médio e longo prazo. Para o aumento dos custos associados à eletricidade, considera-se a conjuntura geopolítica-económica atual, a recuperação da pandemia COVID-19 e o conflito armado desde o fevereiro de 2022, precursor da crise energética vivida que estimulou a inflação no mercado energético. A implementação destas medidas serve de resposta para redução dos consumos de energia e dos seus gastos, cooperando na sustentabilidade financeira e ambiental.
- Hospitalização Domiciliária : um estudo comparativo da Eficiência e Efetividade com a hospitalização clássica, 2017 a 2019Publication . Viegas, Miriam de Almeida RodriguesRESUMO - Contexto: Em Portugal, nos últimos anos, investiu-se nas políticas de saúde para valorizar a Hospitalização Domiciliária (HD). Este tipo de internamento tem-se disseminado pelas instituições hospitalares, tendo-se verificado no 1º semestre de 2022 mais de 4.000 altas, em 35 Unidades de hospitalização domiciliária. Assim, torna-se necessário monitorizar e avaliar os resultados em HD. O objetivo deste trabalho foi analisar e comparar a HD com o Internamento Hospitalar Clássico (IHC), no que diz respeito a indicadores de eficiência e efetividade. Metodologia: Foi utilizada a base de dados de morbilidade hospitalar da ACSS referente aos anos de 2017 a 2019, com 848 episódio em HD de redução e 533 episódios em HD de substituição. Avaliou-se a homogeneidade das subpopulações em estudo para as variáveis género, idade, severidade e risco de mortalidade dos Grupos de Diagnóstico Homogéneos (GDH), utilizando o teste de independência qui-quadrado e o teste t de Student. Para comparar a HD com o IHC, procedeu-se à análise bivariada por regressão logística para as variáveis independentes categóricas (mortalidade no internamento e readmissão a 30 dias) e por regressão linear múltipla para a variável independente numérica (tempo de internamento). Por último, procedeu-se à mesma análise para cada um dos GDH mais frequentes na HD. Resultados: A mortalidade no internamento é inferior em 76,3% na HD face à IHC ([-83,0%; -67,0%] com IC 95%), sendo mais marcada no modelo de HD de redução em que é inferior em 81% ([-88,0%; -69,9%] com IC 95%), bastante visível no GDH 139 – Outras Pneumonias em que a mortalidade é 72% ([-88,7%; -30,4%] com IC 95%) e 87% ([-95,2%; -64,9%] com IC 95%) inferior, conforme modelo HD de substituição ou HD de redução. A HD apresenta tempos de internamento superiores no geral e em todos os GDH estudados, representando um aumento de 3,4 dias na demora média ([2,7; 4,1] com IC 95%). Para a readmissão a 30 dias não foram encontradas diferenças significativas entre o IHC e a HD, independentemente do modelo analisado. Conclusão: Em Portugal, à semelhança de outros países, a HD mostra ser uma alternativa viável pois apresenta semelhantes ou melhores resultados que o IHC. Contudo, para confirmar as conclusões tiradas será necessário estudar outros indicadores, nomeadamente complicações, satisfação dos doentes e custos, assim como utilizar populações de maiores dimensões.
- Laparoscopia assistida por robot na prostatectomia radical : desempenho hospitalar e qualidade de vida dos doentesPublication . Fonseca, Joaquim Manuel da Costa daRESUMO - Introdução: A incidência e a mortalidade associada ao cancro, têm vindo a aumentar em todo o mundo. No nosso país o carcinoma da próstata surge na primeira posição no que diz respeito à incidência das doenças oncológicas sendo o segundo que respeita à mortalidade na população adulta masculina. A cirurgia com remoção de toda a próstata e ambas as vesículas seminais (Prostatectomia Radical), é a estratégia de tratamento mais frequente. A utilização da prostatectomia laparoscópica assistida por robot, enquanto abordagem cirúrgica, tem conhecido um grande incremento nos últimos anos, pelo que importa estudar o impacto da sua utilização, quer na qualidade de vida dos doentes, quer no desempenho hospitalar. Metodologia: Estudo retrospetivo, observacional, transversal e quantitativo. Centra a sua atenção nos doentes do CRI de Urologia do CHULC com diagnóstico de carcinoma da próstata localizado, submetidos ao tratamento por prostatectomia radical nos anos de 2019 e 2021. Utiliza os registos clínicos dos doentes, e entrevistas telefónicas aos doentes para aplicar instrumentos de avaliação da função urinária e erétil. Realiza um estudo comparativo entre dois grupos de doentes: prostatectomia radical por via aberta (ORP) (N=30) ou assistida por robot (RALP) (N=30). Efetua uma análise descritiva de médias, medianas, desvio padrão, valores mínimos e máximos, frequências e percentagens, com análise estatística comparativa para as diferenças entre grupos. Resultados: A função urinária surge como a que se apresenta mais preservada, em ambos os grupos, embora o grupo RALP apresente melhores resultados. A função erétil é aquela que se apresenta mais comprometida em ambos os grupos. Verifica-se que os tempos de internamento são menores no grupo RALP. Os tempos de cirurgia apresentam diferenças, entre grupos, estatisticamente significativas, sendo que o grupo ORP tem tempos inferiores em todas as variáveis. Conclusões: Na comparação entre abordagens cirúrgicas, não foi possível encontrar diferenças estatisticamente significativas na dimensão qualidade de vida (função erétil e a urinária). Foi possível encontrar diferenças estatisticamente significativas para os tempos de cirurgia e internamento pré e pós-operatório, sendo a RALP a abordagem que ocupa maior tempo de cirurgia, mas menor tempo de internamento.
- Avaliação do impacto da introdução de um Centro de Responsabilidade Integrada na área de OftalmologiaPublication . Macedo, Mário André Pinheiro de MagalhãesRESUMO - Introdução: O acesso universal a cuidados de saúde da visão é um objetivo bastante comprometido, nomeadamente pelos elevados tempos de espera para consulta ou cirurgia, assim como pelos elevados pagamentos que as famílias efetuam em lentes e armações. A alteração dos modelos de gestão é uma das medidas que podem ser adotadas como solução para este problema. Nesta dimensão, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem efetuado as primeiras experiências com os Centros de Responsabilidade Integrada (CRI) que podem ser caracterizados como unidades de gestão intermédia que procuram sinergias entre a clínica e a gestão. Objetivos: Avaliar o impacto da implementação do Centro de Responsabilidade de Oftalmologia (CRI-OFT) do Hospital Fernando Fonseca, nas seguintes vertentes: i) acesso, ii) qualidade, iii) produtividade e iv) económico-financeiro Metodologia: O presente estudo é do tipo observacional, descritivo e retrospetivo. Foram extraídos dados referentes aos indicadores selecionados, através da informação introduzida no programa informático Soarian, referentes ao primeiro ano de atividade do CRI-OFT (2022), e comparados com os dados de produção referentes aos anos 2018 e 2019. Resultados: Evidencia-se uma melhoria em todas as dimensões analisadas. O CRI apresentou aumento de produção, tanto no número de consultas, exames e de cirurgias, com ganhos de eficiência. Melhorou igualmente o fluxo de utentes, retirando doentes ao serviço de urgência. Conclusão: Este estudo concluiu que a introdução do CRI traduziu-se num aumento do acesso aos cuidados de saúde, via aumento de cirurgias, consultas e maior utilização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica. A experiência do primeiro ano de atividade do Centro de Responsabilidade Integrada de Oftalmologia do Hospital Fernando Fonseca, pode ser considerada como positiva. São precisos mais anos de atividade, para retirar conclusões mais sólidas e definitivas.
- Morbilidade Materna Severa em Portugal em 2017: principais causas e fatores de riscoPublication . Pinelo, Mariana FerreiraRESUMO - Introdução: Atualmente a taxa de mortalidade materna, nos países desenvolvidos, já se encontra em valores muito baixos. Contudo, muitos autores apontam para o facto da mortalidade materna ser apenas a “ponta do iceberg”, revelando que por cada morte materna existem várias mulheres que sofreram complicações severas durante a gravidez, parto e/ou puerpério. Por esta razão, há um crescente interesse internacional em associar a morbilidade materna severa com a mortalidade materna de modo a otimizar a qualidade dos serviços de saúde prestados a estas mulheres. Metodologia: Inicialmente realizou-se um enquadramento teórico sobre morbilidade materna severa incluída no tema da qualidade dos cuidados prestados às grávidas/puérperas. Posteriormente realizou-se um estudo observacional transversal recorrendo-se aos dados armazenados na Base de Dados de Morbilidade Hospitalar do ano de 2017 dos indivíduos codificados no Grande Categoria de Diagnóstico 14 (Gravidez, Parto e Puerpério). As mulheres foram consideradas como tendo morbilidade materna severa segundo a grelha de avaliação definida por Waterstone et al. Resultados: Numa população de 90.683 mulheres, foram identificados 4765 casos de morbilidade materna severa, cerca 5.25% da população obstétrica. A razão de morbilidade materna severa foi de cerca de 64.5 casos de morbilidade materna severa por cada 1.000 nados-vivos e uma razão de morbilidade materna severa/mortalidade materna de 595.6 casos de morbilidade materna severa por cada morte materna. As perturbações hemorrágicas foram responsáveis por 62.4% dos casos de morbilidade materna severa (3.36% da população). As perturbações hipertensivas foram responsáveis por 34.6%, cerca de 1.87% da população. Verificou-se que a idade superior a 34 anos apresenta uma razão de prevalências de 1.297 com intervalo de confiança (IC) a 95% (1.225-1.374), o parto por cesariana 2.580 (2.418-2.752), o diagnóstico de Hipertensão Arterial 1.784 (1.521-2.092), o diagnóstico de Diabetes Mellitus 2.587 (2.024-3.305) e uma demora média superior ou igual a 4 dias 2.021 (1.970-2.074). Conclusão: Ao sinalizar principais causas e alguns dos fatores de risco da morbilidade materna severa, este estudo sinalizou possíveis pontos de melhoria dos serviços de saúde. Contudo, sabendo que muitos destes fatores são dificilmente modificáveis, este estudo pode ser útil na sinalização precoce de casos de risco com necessidade de vigilância mais apertada, contribuindo assim para um processo de melhoria contínua.
- Doença de Alzheimer : Internamento Hospitalar em PortugalPublication . Constâncio, Telma Sofia Simões PereiraRESUMO - Introdução: Portugal é um país envelhecido e um dos países com mais casos de demência. A doença de Alzheimer representa 60-80% dos casos de demência. O principal fator de risco é a idade, contudo existem doze fatores de risco modificáveis que podem prevenir até 40% das demências. Pretende-se conhecer as características dos utentes, com doença de Alzheimer, internados nos hospitais do SNS em Portugal, em 2017. Metodologia: Foi utilizada a Base de Dados de Morbilidade Hospitalar da ACSS, referente ao ano de 2017. O estudo inclui os episódios de internamento com diagnóstico de doença de Alzheimer, dos utentes com idade igual ou superior a 18 anos. Foi feita uma análise descritiva dos episódios e foram identificados os fatores de risco presentes. Resultados: A população em estudo foi de 8.437 episódios, 65,1% do sexo feminino, 99,5% com idade igual ou superior a 60 anos e uma média de idades de 82,6 anos. Os diagnósticos principais mais frequentes foram pneumonia e fratura do fêmur. A média dos dias de internamento foi de 11 dias. Os fatores de risco mais habituais foram hipertensão e diabetes. Faleceram 17,7% dos utentes, tinham em média 83,8 anos e os diagnósticos principais foram pneumonia e outras septicemias. Conclusão: É necessário existir uma maior coordenação entre os cuidados de saúde primários, os hospitalares, os continuados e os paliativos, evitando internamentos desnecessários e complicações de saúde. Os cuidadores informais podem controlar a saúde desses doentes, evitando internamentos, e antecipando altas, com o apoio da hospitalização domiciliária.
