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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A sociedade contemporânea, apesar de cultivar religiosamente o passado, perdeu a capacidade de conhecê-lo, ao viver o “presente perpétuo” (Debord, 1995: 80) de um quotidiano marcado pela superficialidade de conceitos e valores, pelo carácter descartável das suas recriações, e pelo estímulo consumista. A “sociedade do espectáculo” (Debord, 1995) do consumo e da fragmentação representa a negação da própria humanidade na procura da felicidade, por meio da destruição da liberdade de escolha, totalmente preenchida no imaginário pela satisfação garantida, a partir de um real fabricado e de um mundo saturado de imagens. O debate que proponho situa-se na diversidade cultural proporcionada pela interacção global entre a cultura mediática, como parte decisiva da hegemonia política, e as práticas culturais contra-hegemónicas preservadas pelas comunidades, como possibilidades alternativas ao futuro das sociedades. Desta forma, trago à discussão as festas carnavalescas na Amareleja (Baixo Alentejo), designadas por estudantinas (ou danças carnavalescas), como práticas culturais que surgem da espontaneidade e criatividade de grupos não institucionalizados nem mediatizados. Estes agrupamentos afirmam-se como protagonistas intemporais de um passado que aspira ao futuro e à transformação da sociedade, por meio da linguagem do corpo, do discurso de resistência à versão oficial do mundo, do espírito ambivalente e regenerador, da alegria e da abundância na celebração da vida colectiva. Os participantes, de ambos os sexos e de diferentes faixas etárias, estão vinculados entre si por laços de parentesco, de vizinhança e de amizade, e criam um repertório caracterizado por temáticas contestatárias, que articulam as problemática reais da comunidade local com as imagens globais da “sociedade do espectáculo”. No contexto socio-político contemporâneo os políticos e as figuras mediáticas são destituídas das suas funções e posições sociais, para surgirem em situações que desafiam o riso colectivo, ambivalente e universal, que nega e afirma o permitido, o proibido, a censura e o excesso. Esta “transgressão” temporária, que não altera a ordem nem as desigualdades sociais, aspira a instaurar a verdade no mundo, ao partilhar colectivamente a alegria e a esperança num futuro renovado.
Descrição
UID/EAT/00472/2013
SFRH/BPD/89108/2012
Palavras-chave
Estudantinas festas carnavalescas Amareleja (Baixo Alentejo) práticas culturais contra-hegemónicas sociedade do espectáculo diversidade cultural
