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Boca da terra - efeito antropocénico e violência ecológica nas práticas artísticas

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Resumo(s)

Se as práticas artísticas podem ser formas de investigação e de criação de saberes, um projeto de investigação pode ser experimentado e atravessado como um processo artístico. Neste trabalho, tento dar forma a estas ideias. Parto da performance e, em particular, da escrita para performance como uma zona erótica e flexível entre arte e teoria, reflexão científica e prática poética, conferência e performance, ecologia e antropologia. Para isso, tomo como ponto de partida os debates e as literaturas das últimas duas décadas em torno da oficialização de uma nova época geológica — o Antropoceno —, cuja definição temporal estaria baseada na inscrição das ações humanas nas camadas estratigráficas da Terra. Ao demonstrar como este conceito abre inúmeros problemas estruturais de representação e representatividade, espacialidade e temporalidade, responsabilidade e responsabilização, natureza e humanidade, contraponho-lhe um gesto especulativo e ficcional que tenta ampliar e sonhar, de forma porosa e frondosa, as relações entre linguagem, escrita, autoria, fala, corpo, género e terra. Ao longo deste texto, assim como do processo artístico-prático da investigação, propus-me a atravessar um conjunto de práticas de escrita, e de projetos de performance e curadoria que desenvolvi entre 2017 e 2023, e que integram, nos seus fazeres e na sua escuta, os efeitos da instabilidade ambiental e da violência ecológica atuais numa perspetiva histórica e crítica. Essa matéria empírica é, passo a passo, trançada e ampliada por um conjunto de vozes que permeiam as humanidades ambientais, a antropologia da viragem ontológica, a antropologia e a arte indígenas no Brasil, a ecologia decolonial, os black studies, a fabulação especulativa e a poesia, ensaiando uma transição da linguagem, poética e teórica, movida por uma perspetiva não-binária e em confronto aberto com os limites históricos dos conceitos hegemónicos de natureza e de humanidade de matriz moderna euro-americana. Um texto para acompanhar a boca da terra que quer falar.
If artistic practices can serve as forms of research and knowledge creation, then a research project can also be experienced and traversed as an artistic process. In this work, I attempt to embody these ideas, focusing on performance — and particularly writing for performance — as an erotic and flexible zone interweaving art and theory, scientific reflection and poetic practice, lecture and performance, ecology and anthropology. My point of departure is the discourse and literature from the past two decades concerning the formalization of a new geological epoch — the Anthropocene — whose temporal definition is based on the inscription of human actions into Earth's stratigraphic layers. By showing how this concept raises numerous structural issues — representation and representativity, spatiality and temporality, responsibility and accountability, nature and humanity — I counter-propose a speculative and fictional gesture that seeks to expansively and imaginatively explore the relationships among language, writing, authorship, speech, body, gender, and earth. Throughout this text, as well as the practical artistic process of the research, I engage with a series of writing practices and performance and curatorial projects developed between 2017 and 2023. These works incorporate, in their making and listening, the effects of current environmental instability and ecological violence from a historical and critical perspective. This empirical matter is, step by step, braided and expanded by a constellation of voices from the environmental humanities, the anthropology of the ontological turn, Indigenous anthropology and art in Brazil, decolonial ecologies, black studies, speculative fabulation, and poetry — rehearsing a linguistic, poetic, and theoretical transition shaped by a non-binary perspective and in open confrontation with the historical limits of hegemonic Euro-American concepts of nature and humanity. A text to accompany the Earth's mouth as it speaks.

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Palavras-chave

Antropoceno Anthropocene Fabulação Fabulation Fóssil Fossil Geologia Geology Performance Poetry Poesia

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