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Título: Ao fio dos anos e das horas: poética do fragmento em Fernando Lopes-Graça
Autor: Fontes, Fernando Emanuel Cunha
Orientador: Carvalho, Mário Vieira de
Palavras-chave: Lopes-Graça
rasgão
fragmento
rutura
dissonância
fragment
disruption
dissonance
rip off
Data de Defesa: 19-Abr-2016
Resumo: A presente investigação tem por objetivo interrogar o processo criativo de Fernando Lopes-Graça a partir de um corpo de obras de índole fragmentária que oscilam entre a coletânea, o ciclo ou a coleção. Títulos como Bosquejos, Anotações, Lembranças ou Improvisos, entre outros, contrariam em Lopes-Graça a ideia da obra como um plano ou desenvolvimento, remetendo em vez disso para a imprevisibilidade de um gesto formal que se exprime através do fragmento. Procura-se compreender o alcance teórico deste gesto no âmbito da obra do compositor, questionando o que é fragmento quer enquanto termo proveniente da literatura ou da filosofia quer ainda como nomenclatura de desiderato musical. Parte-se dos textos de Pierre Boulez, relativos ao fragmento musical, para uma primeira análise à sua ocorrência segundo perspetivas diferentes. Por falta de uma teorização do modelo do fragmento nos escritos de Fernando Lopes-Graça optou-se por um enfoque analítico do texto musical, em que a presença de exemplos musicais evidenciam as estratégias do fragmento como uma força motriz do seu pensamento compositivo. De entre as obras analisadas, Ao fio dos anos e das horas, La fièvre du temps, os Vinte e quatro Prelúdios, as Melodias Rústicas, as Canções Regionais e as Canções Populares Portuguesas assim como as Oito Bagatelas e As mãos e os frutos, acentuam a imprevisibilidade da forma como um “modus operandi” de Lopes-Graça. O seu cruzamento com uma nova fonte autógrafa, até agora ignorada, de Ao fio dos anos e das horas, proporciona um esclarecimento adicional sobre o gesto disruptivo do fragmento enquanto processo criativo do compositor. A natureza deste gesto de transgressão articula-se com uma leitura crítica da modernidade, onde o fragmento de Lopes-Graça encontra eco nos escritos de Schlegel, Baudelaire, Walter Benjamin e Adorno. O escrutínio destes modelos em sintonia com o modelo do compositor permite chegar a uma noção produtiva de fragmento em Lopes-Graça: o poder contrapor-se ou romper com qualquer totalidade. A articulação do sentido disruptivo deste gesto com o pensamento estético do compositor (levando em conta nomeadamente a discussão da receção crítica dos seus textos e da sua música),  contribui para uma melhor compreensão da sua obra e dos contornos histórico/sociológico/emocionais que a envolvem. Conclui-se que o percurso estético de Lopes-Graça se torna ele próprio fragmento em contraposição a modelos de pensamento teórico totalizante, como o que se manifesta não só em algumas correntes de “vanguarda”, mas também no campo político.
The present research examines the creative process of Fernando Lopes-Graça by inspecting a body of works of fragmentary nature, which range from collectanea, cycle or collection. In Lopes-Graca´s work, titles such as Bosquejos (Sketches), Anotações (Notes), Lembranças (Souvenirs), Improvisos (Impromptus), among others, contradict the idea of the work as a plan or development, referring instead to the unpredictability of a formal gesture that is expressed through the fragment. We attempt to understand the theoretical scope of this gesture in the context of the composer's work by questioning what is a fragment not only in literary and philosophical contexts but also in musical nomenclature. The texts of Pierre Boulez, concerning the musical fragment, provide a first analysis of its occurrence from different perspectives. Due to the lack of a theory of the fragment in the composer writings, a more analytical approach to his works is used where the presence of musical examples highlights the fragment strategies as a driving force of his compositional thinking. Among the analysed works, Ao fio dos anos e das horas, La fièvre du temps, the Twenty-four Preludes, the Rustic Melodies, the Portuguese Regional Songs and Portuguese Folk Songs as well as the Eight Bagatelles and As mãos e os frutos, did emphasize the unpredictability of the form as a "modus operandi" in Lopes-Graça. Its intersection with a new autographed source, so far ignored, from Ao fio dos anos e das horas, provides further clarification on the disruptive gesture of the fragment as a creative process in the composer. The nature of his act of transgression can be structured as a critical reading of modernity, where Lopes-Graça's fragment echoes writings from Schlegel, Baudelaire, Walter Benjamin and Adorno. The examination of these models, in line with the composer's model, enabled a productive notion of fragment in Lopes-Graça: its power to oppose or break with any totality. The articulation of the disruptive effect of this gesture with the composer’s aesthetic thinking (taking into account, particularly, the discussion of the critical reception to his texts and his music), leads to a better understanding of his work and the historical/sociological/emotional circumstances that surround it. We conclude that is the aesthetic route of Lopes-Graça which becomes itself fragment in contraposition to models of totalizing theoretical thinking, not only as manifested in some currents from the "avant-garde", but also in the political realm.
URI: http://hdl.handle.net/10362/18606
Designação: Doutoramento em Ciências Musicais, na especialidade de Ciências Musicais Históricas
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