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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A problemática do recurso à luta armada para derrubar a ditadura em Portugal gerou
discussões, debates e rupturas no seio da oposição portuguesa muito antes de terem surgido as
primeiras organizações que realizaram acções armadas. Foi no rescaldo da campanha para as
eleições presidenciais de 1958, perante o apoio popular à campanha de Humberto Delgado,
candidato da oposição, e a constatação da dimensão da fraude eleitoral, que ocorreram as primeiras
discussões acerca da inevitabilidade recorrer à violência armada para derrubar a ditadura.
Porém, apenas na década de 70 as circunstâncias políticas, económicas e sociais no país
favorecem o aparecimento de outras organizações armadas. Os quase dez anos de guerra colonial
tinham desgastado o regime e as manifestações contra a guerra eram cada vez maiores, com o
numero de desertores e refractários a crescer de ano para ano. Ao mesmo tempo, o pais ia-se
industrializando e terciarizando; assistia-se ao crescimento da classe média, da escolarização, da
emigração e a uma mudança de mentalidade, trazida pelo acesso cada vez maior ao que se passava
no mundo. Seria neste contexto que as formas tradicionais de oposição, baseadas em manifestações
pacíficas e abaixo-assinados, são sentidas como ultrapassadas e ineficazes e começam a proliferar
as organizações marxistas-leninistas que teorizavam sobre a luta armada e concebiam planos de
acções armadas contra o regime, aumentando o número daqueles que defendiam que o regime só
cairia com o recurso à violência.
Em 1967, a LUAR, levava a cabo a primeira acção armada contra o regime, o assalto à
agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, para obter dinheiro que seria utilizado no
financiamento de futuras acções armadas. Em 1970, o Partido Comunista Português, depois de um
prolongadíssimo período de maturação, avançava com a ARA que levou a cabo a primeira acção em
Outubro desse ano, a sabotagem ao navio Cunene que participa da logística de apoio à guerra
colonial. Em 1971, foram as Brigadas Revolucionárias que desencadearam a primeira acção, um atentado bombista contra o Quartel da Nato na Fonte da Telha. Até ao 25 de Abril de 1974, várias
acções armadas seriam cometidas por estas organizações, com a particularidade de apenas
atingirem o aparelho repressivo e militar do regime, e de seguirem o princípio irredutível de não
fazer vítimas mortais entre os civis.
O 25 de Abril de 1974, corresponderia ao epílogo de um processo de contestação armada ao
Estado Novo que foi acelerando nos seus derradeiros anos.
Descrição
Palavras-chave
Luta armada Violência política Oposição Esquerda radical Guerra colonial Marcelismo Armed struggle Political violence Radical left Colonial war Opposition
