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Orientador(es)
Resumo(s)
Discutir o papel político de José Norton de Matos (1867-1955) na galáxia
republicana portuguesa entre 1910 e 1955 é o objectivo principal desta tese. A
alteração do prisma de análise mais habitual quando se fala de Norton, do colonial
para o político, foi acompanhada pela opção de privilegiar os seus escritos
contemporâneos, em detrimento das muitas análises retrospectivas posteriormente
publicadas, e de cotejar a sua voz com múltiplas vozes de Portugal e do império, entre
muitas outras com que se cruzou.
Tentámos compreender como é que um liberal como Norton, monárquico de
tradição embora não de filiação, usa as suas credenciais coloniais para entrar na
política republicana à boleia da polémica do cacau escravo e da Sociedade Portuguesa
Anti-Esclavagista. Com a aproximação a Bernardino Machado, aos Jovens Turcos, à
maçonaria e à facção do PRP dominada por Afonso Costa, insere-se na órbita
democrática e afonsista e ganha o cargo de governador-geral de Angola. Aos africanos,
cuja definição legislativa como uma categoria distinta da de cidadão (o indígena)
antecipa em 1913, leva as luzes da educação laica e a liberdade de trabalho mas
paradoxalmente convive com as escolas das missões e o trabalho forçado.
A fibra de político que revela na gestão das tensões entre as elites coloniais e
metropolitanas irá ser apurada como ministro da Guerra. Discutimos, em especial, o
seu papel político num ambicioso projecto: transformar dezenas de milhares de
portugueses, pobres, analfabetos e vindos de meios rurais com parcas simpatias
republicanas, em cidadãos e soldados da República. A improvisação, que possibilitou
que o Corpo Expedicionário Português fosse combater em França ao lado dos
britânicos, teve o rasgo de asa e os problemas inerentes à megalomania que o
caracterizava. No Verão de 1917, o prestígio com que regressa à capital após difíceis
negociações com o governo de Lloyd George torna-o um sério concorrente de Afonso
Costa embora com ele partilhe também o ónus da crescente impopularidade da
guerra. Reencontrar-se-ão, após o exílio sidonista, na Conferência da Paz em Paris mas,
ao contrário de Costa, que não regressará à política activa, Norton tornar-se-á o altocomissário
mais marcante e polémico da nova República do pós-guerra.
Após a queda do regime e dois novos exílios, será Norton de Matos a fazer os
compromissos necessários para permanecer no país e, aí, combater a Ditadura Militar
e o Estado Novo de Salazar. Quando, em 1931, consegue unir a oposição em torno da
Aliança Republicano-Socialista, começa a impor-se como símbolo da I República. É com
esse estatuto que integrará as frentes unidas antifascistas dos anos 40 que culminarão
na sua candidatura à Presidência da República em 1948/1949. O modo como consegue
fazer a ponte entre os vários ciclos e gerações da oposição e, simultaneamente, resistir
às pressões para romper a unidade com os comunistas na fase mais crispada da Guerra
Fria será uma última manifestação do seu talento político, cuja análise poderá ajudar a
enriquecer o debate sobre essa realidade plural e multipolar que foi a galáxia
republicana na primeira metade do século XX.
Descrição
Tese para Edição
Palavras-chave
Primeira República Ditadura Militar Estado Novo Primeira Guerra Mundial Missão civilizadora Portugal Angola Século XX Portuguese First Republic Military Dictatorship New State First World War
