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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O que significa hoje um pensamento do figural? Qual a sua importância no quadro
hegemónico do Arquivo Audiovisual e Multimédia Contemporâneo? Qual a relação
que o cinema, enquanto assimilável ao pensamento do figural, tem com o Arquivo,
tendo em conta a recente apropriação, interpretação, reconfiguração e interrogação
das estruturas arquivísticas e materiais de arquivo, por parte de cineastas que usam o
cinema, ele próprio, uma forma de arquivagem e material de arquivo, como ferramenta
privilegiada de interpelação do Arquivo? Qual a potencial relevância do
cinema, encarado nesta perspectiva, face à necessidade política de conceber um
exterior do Arquivo?
Estas são algumas das perguntas que estão na origem desta tese e a que ela procura
responder, através da proposta de (re)corte de um arquivo de filmes e enunciados teóricos
e da sua interpelação mútua. Com efeito, a imagem ou ideia de figural supõe
uma reconfiguração das relações entre visível e dizível que não só nos serve de topos
inspirador da metodologia da tese, num esforço de procurar inscrever a espacialização
exigida pelo pensamento do figural na sua própria estrutura, como, sobretudo, nos
fornece o quadro teórico de partida para pensar hoje, na senda de autores como Jean-
François Lyotard, Michel Foucault e Gilles Deleuze, a relevância simultaneamente
epistemológica e política da assimilação de certos gestos cinematográficos contemporâneos
a uma imagem do pensamento com estes contornos. Assim, o cinema,
sobretudo na sua forma ensaística, é identificado com a possibilidade de pôr em prática,
um pensamento do interstício figural, que contraria a identidade dominante do
ver e do falar, que rege o paradigma contemporâneo da comunicação, assente na respectiva
conversão mútua - as imagens reduzem-se à sua significação ou conteúdo e as palavras convertem-se em imagens legíveis. Através das possibilidades oferecidas
pela montagem cinematográfica, trata-se, então, de reenviar as imagens a uma leitura
que só elas podem dar, e as palavras a um novo tipo de escuta e entendimento, o que
se traduz, em termos da relação do cinema ao Arquivo contemporâneo, na sugestão de
que o cinema é uma ferramenta de requalificação do saber que aquele supõe. A nossa
hipótese é, pois, a de que o cinema em geral, e certos filmes em particular, ao permitirem
a perscrutação arqueológica do Arquivo, introduzem delay na nossa relação
aos “documentos”, sendo que é aí, nesse intervalo entre o registo e a sua retoma, que
se joga a possibilidade de resistência face ao poder difuso do Arquivo, tal como se
manifesta na internet, na televisão, nas redes que hoje geram a regulação, tratamento e
transmissão da informação; porque possui uma dimensão audiovisual que lhe permite
articular e desarticular arquivos e corpos, e dado que as relações entre dizível e visível
não estão estabilizadas, o cinema torna possível a reescrita das figuras, ou seja, um
pensamento que não dispõe de uma forma já feita de verdade para o encontro das
frases e das experiências, mas que extrai relações essenciais e verdadeiras dos acontecimentos
do nosso presente e da nossa história, precisamente a partir da exploração do
intervalo instável entre discurso e figura, e da experimentação ao nível da recolagem
entre enunciados e visibilidades.
Descrição
Palavras-chave
Figural Imagem do pensamento Trabalho de des-figuração Cinema moderno Imagem audio-visual Figural Image of thought modern cinema Work of de-figuration Audio-visual image
