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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O
modo
como
os
corpos
das
mulheres
são
afectados
pela
desigualdade
de
género
é
um
problema
social
que
tem
vindo
a
ganhar
visibilidade
crescente
nas
sociedades
ocidentais
desde
os
movimentos
feministas
da
Segunda
Vaga.
Nesse
sentido,
o
lema
feminista
dos
anos
1970
«os
nossos
corpos,
nós
mesmas»
reflecte
a
tomada
de
consciência
das
mulheres
de
que
os
corpos
são
o
produto
da
acção
de
valores
e
práticas
sociais,
bem
como
da
necessidade
de
reclamarem
o
controlo
sobre
os
seus
corpos
para
poderem
formar
livremente
as
suas
identidades,
autodeterminando-‐se
e
criando-‐se
a
si
mesmas
como
Sujeitos.
Quatro
décadas
volvidas,
este
mote
continua
a
ser
recorrente,
mantendo
um
lugar
de
destaque
na
videoarte
de
mulheres.
Tendo
por
pano
de
fundo
uma
linha
orientadora
que
cruza
três
vectores
–
a
arte,
o
género,
e
os
movimentos
sociais
feministas
–,
e
os
seus
pensadores
e
académicos
principais
em
diversos
ramos
da
Sociologia
e
das
Artes
Visuais,
bem
como
das
Humanidades,
construímos
o
objecto
de
estudo,
focado
sobre
as
relações
entre
a
videoarte
de
mulheres
centrada
no
corpo
na
identidade
e
na
autodeterminação,
a
dimensão
de
género
e
os
movimentos
sociais
feministas,
no
período
compreendido
de
1965
a
2007,
num
contexto
ocidental.
A
metodologia
usada
teve
como
objectivo
fundamental
efectuar
a
ponte
entre
o
nível
microssociológico
das
expressões,
condutas
e
gestos
corporais
presentes
nos
vídeos
e
o
plano
macrossociológico
das
forças
sociais
mais
amplas,
institucionalizadas
e
origem
de
desigualdades,
como
as
forças
de
género
e
as
de
«raça».
Nesse
sentido,
socorremo-‐nos
da
análise
de
conteúdo
de
um
conjunto
de
vídeos
por
meio
da
contabilização
de
categorias
análise
de
conteúdo
relativas
às
principais
temáticas
relevantes
para
o
objecto
de
estudo,
como
o
corpo,
a
sexualidade,
a
violência,
o
olhar,
as
incorporações
de
masculinidades
e
de
feminilidades,
o
Sujeito
e
o
Não-‐sujeito.
Concluiu-‐se,
deste
estudo,
que
existe,
seguramente
desde
os
anos
1960,
um
trajecto
que
continua
a
ser
percorrido
nos
nossos
dias,
conduzindo
da
dessubjectivação
das
mulheres
à
sua
subjectivação.
Na
realidade,
verifica-‐se
a
denúncia
das
circunstâncias
em
que
vivem
submetidas
as
mulheres
Não-‐
sujeito,
designadamente:
no
casamento
enquanto
mercantilização
do
trabalho
doméstico
feminino,
físico,
emocional
e
afectivo,
não
remunerado;
na
incorporação
das
normas
patriarcais
de
feminilidade;
na
intersecção
das
desigualdades
de
género
com
as
de
«raça»,
e
as
de
idade;
na
comercialização
e
objectificação
dos
seus
corpos
na
publicidade
e
na
pornografia;
na
violência
de
diversos
tipos,
como
a
sociocultural,
a
sexual
e
a
psicológica,
exercida
contra
as
mulheres.
Nota-‐se,
simultaneamente,
um
movimento
progressivo
em
direcção
às
mulheres
Sujeito,
ilustrado,
por
exemplo:
na
capacidade
de
apresentação
de
uma
narrativa
da
representação
de
si
mesmas
auto-‐
reflexiva
e
coerente;
no
controlo
sobre
a
função
reprodutora
do
seu
corpo;
na
promoção
de
uma
sexualidade
plástica
ligada
à
relação
pura
e
ao
amor
confluente
assente
no
mutualismo,
não
subjugada
à
heterossexualidade,
ao
casamento
e
à
família
nuclear;
no
recombinar
dos
pólos
dicotómicos
e
hierarquizados
em
que
se
baseou
toda
a
modernidade
como
os
da
vida
pública
e
os
da
vida
privada.
Tendo,
neste
momento,
como
oponente
aguerrido
o
neoliberalismo
que
procura
dividir,
desigualar
e
hierarquizar
as
sociedades,
as
mulheres
Sujeito
são,
aliás,
as
actrizes
centrais
de
todo
o
movimento
feminista,
sobretudo
preocupado
até
aos
anos
1980
com
reivindicações
pela
paridade
no
seio
do
que
se
poderá
denominar
de
política
da
emancipação,
tendo
depois
disso
passado
a
um
trabalho
em
prol
de
uma
política
da
vida
e
das
sexualidades
impulsionado
pelo
pensamento
Queer
e
feminismos
da
Terceira
Vaga
Descrição
Palavras-chave
Identidade Corpo Autodeterminação Género Movimentos Sociais Feministas Videoarte de Mulheres Identity Body Self-determination Gender Feministe social movements Women's video art
