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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
ABSTRACT - The once-surprising observation that ambient air pollution (AAP) adversely affects
the cardiovascular system is now well recognized but there are yet many gaps in
understanding the pathophysiologic mechanisms linking AAP and cardiovascular
diseases (CVD). In this sense, epidemiological studies on the association between AAP
and health conditions that increase the risk to develop CVD may shed some light on the
mechanisms mediating the AAP deleterious effect on the cardiovascular system. The
overall aim of this thesis is to improve our knowledge on the relationship between
exposure to particulate matter and biomarkers of cardiovascular risk. Specifically, this
thesis addresses the association between exposure to ambient particulate matter (PM10)
and biomarkers of dyslipidaemia, diabetes, hypertension and inflammatory response in
the adult Portuguese mainland population, in 2015.
A systematic review and meta-analysis was firstly conducted (Article 1) to
summarise the current state of knowledge about the association between AAP and
biomarkers of dyslipidaemia prior to design the plan of analysis on this topic. Despite the
few studies included, it suggested some epidemiologic evidence supporting the
association between PM10 and increased triglycerides levels (3.14%, 95%CI: 1.36-4.95,
increase per 10µg/m3 PM10 increment). Subsequently, associations between PM10
exposure and each biomarker group was assessed through the linkage between air
quality data collected through air quality monitoring network of the Environmental
Portuguese Agency and individual data from the First Portuguese Health Examination
Survey (Articles 2, 3 and 4).
Globally, the results of this thesis supports the existence of a positive association
between PM10 exposure and some biomarkers of cardiovascular risk, namely those
related to dyslipidaemia (Triglycerides, in people with abdominal obesity: 1.84%, 95%CI:
0.02-3.69, increase per 1µg/m3 PM10 increment) and inflammatory response (White
blood cells in females: 2.76%, 95%CI: 0.65-4.87, increase per 10 µg/m3 PM10 increment
and Red cell distribution width in males: 2.96%, 95%CI: 0.80-5.12, increase per 10 µg/m3
PM10 increment). Consequently, it suggests that reduction of PM10 below current air
quality standards would result in additional cardiovascular health benefits for the
population. Additionally, results of this thesis contribute to provide more knowledge to
establish the biologic plausibility to the previous epidemiologic studies reporting an
association between air pollution and increased cardiovascular mortality and hospital
admissions due to cardiovascular diseases. In future experimental studies, performed in
animal models or in vitro, it would be important to explore deeply the hypothetical biological mechanisms presented in this thesis to explain the identified associations.
In conclusion, exposure to AAP is largely beyond the control of persons and
requires action by public authorities at the national and international levels. Results
obtained within this thesis provide more scientific arguments for taking actions to improve
air quality, even when the standard air quality limits are target. Finally, this thesis
describe a methodological approach, that to my knowledge, was never performed in
Portugal, linking air quality and health data, that could be used to study other
environmental factors and other health outcomes in a perspective to improve the usage
of data already collected and available to all the scientific community.
RESUMO - A observação outrora surpreendente de que a poluição do ar ambiental (PAA) afeta, de forma adversa, o sistema cardiovascular é agora bem reconhecida, mas ainda existem muitas lacunas na compreensão dos mecanismos fisiopatológicos que explicam a associação entre a exposição a PAA e as doenças cardiovasculares (DCV). Nesse sentido, os estudos epidemiológicos de associação entre PAA e as condições de saúde que aumentam o risco de desenvolver DCV podem contribuir para perceber quais os mecanismos que podem mediar o efeito deletério da PAA no sistema cardiovascular. O objetivo geral desta tese foi contribuir para melhorar o conhecimento sobre a associação entre a exposição a partículas e alguns biomarcadores de risco cardiovascular potencialmente desencadeadores de DCV fatais e não fatais. Especificamente, esta tese aborda a associação entre a exposição a partículas ambientais (PM10) e biomarcadores de dislipidemia, diabetes, hipertensão e resposta inflamatória na população adulta Portuguesa do continente, em 2015. Inicialmente, foi realizada uma revisão sistemática da literatura e meta-análise (Artigo 1) para sumarizar o estado atual do conhecimento sobre a associação entre a poluição do ar e os biomarcadores de dislipidemia antes de delinear a estratégia de análise sobre este tópico. Apesar dos poucos estudos incluídos, esta revisão sugeriu a existência de alguma evidência epidemiológica que sustenta a associação entre os níveis de PM10 e os valores dos triglicéridos (3.14%, 95%CI: 1.36-4.95, de aumento por cada incremento de 10µg/m3 de PM10). Posteriormente, através da ligação entre dados da qualidade do ar recolhidos através da rede de monitorização da qualidade do ar da Agência Portuguesa do Ambiente e os dados recolhidos no Inquérito Nacional Saúde com Exame Físico (INSEF, 2015), foram avaliadas as associações entre a exposição a PM10 e os biomarcadores de cada grupo estudado (Artigo 2, 3 e 4). Globalmente, os resultados desta tese suportam a existência de uma associação positiva entre a exposição a PM10 e alguns biomarcadores de risco cardiovascular, nomeadamente aqueles relacionados com a dislipidemia (triglicéridos, em pessoas com obesidade abdominal: aumento de 1.84%, 95%CI: 0.02-3.69, por cada incremento de 1µg/m3 de PM10) e resposta inflamatória (glóbulos brancos no sexo feminino: aumento de 2.76%, 95%CI: 0.65-4.87, por cada incremento de 10µg/m3 de PM10; amplitude de distribuição dos glóbulos vermelhos no sexo masculino: aumento de 2.96%, 95%CI: 0.80-5.12, por cada incremento de 10µg/m3 dePM10). Os resultados desta tese sugerem que a redução de PM10 abaixo dos padrões atuais de qualidade do ar resultaria em benefícios adicionais à saúde da população. Além disso, contribuem para fornecer conhecimento que possa ajudar a encontrar a plausibilidade biológica para os estudos epidemiológicos anteriores que reportaram associações entre a poluição do ar e o aumento da mortalidade e internamentos hospitalares por doenças cardiovasculares. Em estudos experimentais futuros, em modelos animais ou in vitro, seria importante explorar em particular os mecanismos biológicos que são sugeridos nesta tese para explicar as associações identificadas. Em conclusão, a exposição a PAA está em grande parte fora do controlo dos indivíduos e requer ação das autoridades públicas ao nível nacional e internacional. Os resultados obtidos nesta tese fornecem mais argumentos científicos para tomar ações de melhoraria da qualidade do ar, mesmo quando o limite padrão da qualidade do ar é cumprido. Adicionalmente, esta tese descreve uma abordagem metodológica, que do meu conhecimento nunca foi antes realizada em Portugal, ligando dados da qualidade do ar a dados individuais de saúde, a qual poderia ser utilizada para estudar outros fatores ambientais e outros outcomes de saúde numa perspetiva de otimizar a utilização de dados já recolhidos e disponíveis para toda a comunidade científica.
RESUMO - A observação outrora surpreendente de que a poluição do ar ambiental (PAA) afeta, de forma adversa, o sistema cardiovascular é agora bem reconhecida, mas ainda existem muitas lacunas na compreensão dos mecanismos fisiopatológicos que explicam a associação entre a exposição a PAA e as doenças cardiovasculares (DCV). Nesse sentido, os estudos epidemiológicos de associação entre PAA e as condições de saúde que aumentam o risco de desenvolver DCV podem contribuir para perceber quais os mecanismos que podem mediar o efeito deletério da PAA no sistema cardiovascular. O objetivo geral desta tese foi contribuir para melhorar o conhecimento sobre a associação entre a exposição a partículas e alguns biomarcadores de risco cardiovascular potencialmente desencadeadores de DCV fatais e não fatais. Especificamente, esta tese aborda a associação entre a exposição a partículas ambientais (PM10) e biomarcadores de dislipidemia, diabetes, hipertensão e resposta inflamatória na população adulta Portuguesa do continente, em 2015. Inicialmente, foi realizada uma revisão sistemática da literatura e meta-análise (Artigo 1) para sumarizar o estado atual do conhecimento sobre a associação entre a poluição do ar e os biomarcadores de dislipidemia antes de delinear a estratégia de análise sobre este tópico. Apesar dos poucos estudos incluídos, esta revisão sugeriu a existência de alguma evidência epidemiológica que sustenta a associação entre os níveis de PM10 e os valores dos triglicéridos (3.14%, 95%CI: 1.36-4.95, de aumento por cada incremento de 10µg/m3 de PM10). Posteriormente, através da ligação entre dados da qualidade do ar recolhidos através da rede de monitorização da qualidade do ar da Agência Portuguesa do Ambiente e os dados recolhidos no Inquérito Nacional Saúde com Exame Físico (INSEF, 2015), foram avaliadas as associações entre a exposição a PM10 e os biomarcadores de cada grupo estudado (Artigo 2, 3 e 4). Globalmente, os resultados desta tese suportam a existência de uma associação positiva entre a exposição a PM10 e alguns biomarcadores de risco cardiovascular, nomeadamente aqueles relacionados com a dislipidemia (triglicéridos, em pessoas com obesidade abdominal: aumento de 1.84%, 95%CI: 0.02-3.69, por cada incremento de 1µg/m3 de PM10) e resposta inflamatória (glóbulos brancos no sexo feminino: aumento de 2.76%, 95%CI: 0.65-4.87, por cada incremento de 10µg/m3 de PM10; amplitude de distribuição dos glóbulos vermelhos no sexo masculino: aumento de 2.96%, 95%CI: 0.80-5.12, por cada incremento de 10µg/m3 dePM10). Os resultados desta tese sugerem que a redução de PM10 abaixo dos padrões atuais de qualidade do ar resultaria em benefícios adicionais à saúde da população. Além disso, contribuem para fornecer conhecimento que possa ajudar a encontrar a plausibilidade biológica para os estudos epidemiológicos anteriores que reportaram associações entre a poluição do ar e o aumento da mortalidade e internamentos hospitalares por doenças cardiovasculares. Em estudos experimentais futuros, em modelos animais ou in vitro, seria importante explorar em particular os mecanismos biológicos que são sugeridos nesta tese para explicar as associações identificadas. Em conclusão, a exposição a PAA está em grande parte fora do controlo dos indivíduos e requer ação das autoridades públicas ao nível nacional e internacional. Os resultados obtidos nesta tese fornecem mais argumentos científicos para tomar ações de melhoraria da qualidade do ar, mesmo quando o limite padrão da qualidade do ar é cumprido. Adicionalmente, esta tese descreve uma abordagem metodológica, que do meu conhecimento nunca foi antes realizada em Portugal, ligando dados da qualidade do ar a dados individuais de saúde, a qual poderia ser utilizada para estudar outros fatores ambientais e outros outcomes de saúde numa perspetiva de otimizar a utilização de dados já recolhidos e disponíveis para toda a comunidade científica.
Descrição
Palavras-chave
Air pollution particulate matter biomarkers of cardiovascular risk Poluição do ar partículas biomarcadores de risco cardiovascular
