| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 50.61 MB | Adobe PDF |
Orientador(es)
Resumo(s)
The twentieth century was the stage for several phenomena which have paved the way for museums to start exhibiting sound and to nurture a vivid and increasing interest in its potentialities. The burgeoning of sound recording technologies stands as a milestone in this respect. These have allowed sound to become a physical object and, hence, new understandings and conceptualizations to emerge. In the wake of these developments, the ways in which museum curators look at sound has gone into a huge reconfiguration. The fact that both new museology and museum practice have been turning their attention to and focus on the visitor has similarly accelerated the curators’ interest in sound as a means to build museum exhibitions. One of the latest and most striking instances in this process has been the role of ethnomusicology and sound studies in demonstrating the cultural, social, political, economic and ethical significance of sound thereby stimulating museum’s interest in dealing with sound as a mode to build both individual subjectivities and communities in museum settings. The development of audio technologies and digital and multisensorial technologies (Virtual Reality, Augmented Reality and Mixed Reality) also plays a part in this process. These have the merit to provide ways to deal with the elusiveness of sound when exhibited in museum galleries and to facilitate interactions underpinned by rationales such as experience, embodiment, and emplacement. During at least the last ten years, there has been a boost in the development of sound-based multimodal museum practices. These practices, nonetheless, have yet to be mapped, and their representational and experiential (emotional and sensorial) opportunities to be closely analysed. My thesis strives to start closing this gap by taking two analytical steps. Based on the analysis of 69 sound-based multimodal museum exhibitions staged in Europe and in the United States of America, I provide a five-use framework categorizing sound-based multimodal museum practices into sound as a “lecturing” mode, sound as an artefact, sound as “ambiance”/soundtrack, sound as art, and sound as a mode for crowd-curation. The case-study of sound art The Visitors, it unravels the communicative potential of sound for museums. In detail, the analysis stresses how sound and space comingle to articulate individual subjectivities and a sense of “togetherness.” The scope of the thesis is clearly multidisciplinary, encompassing ethnomusicology, sound studies, museum studies, and social semiotics. Overall, I seek to contribute towards the development of the study of sound in museums to develop and establish as a cohesive research field. I moreover seek to foster a sensory formation shift from a visual epistemology to one that merges the visual and the auditory.
O século XX foi palco de vários fenómenos que conduziram a que os museus começassem a expor o som e a demonstrar um interesse crescente pelas suas potencialidades comunicativas. O aparecimento das tecnologias de gravação sonora constitui-se como um momento fundamental neste processo. Ao permitirem que o som se estabeleça enquanto objeto físico, vieram potenciar o aparecimento de novos entendimentos e conceptualizações sobre o som. Na sequência destes acontecimentos, a forma como os curadores de exposições começaram a olhar para o som sofreu grandes alterações. Simultaneamente, o facto de tanto os estudos museológicos como a prática museológica estarem cada vez mais preocupados com o visitante veio também acelerar o interesse dos curadores pelo som como meio para construir exposições museológicas. Os estudos musicais, em particular a etnomusicologia e os estudos de som, tiveram igualmente um papel preponderante: ao demonstrarem o valor cultural, social, político, económico e ético do som vieram claramente estimular o interesse dos curadores em usar o som como material para trabalhar noções de identidade, subjectividade e “comunhão.” É ainda de destacar o papel que o desenvolvimento de tecnologias áudio, digitais e multisensoriais (Realidade Virtual, Realidade Aumentada e Realidade Mista) têm no processo. Ao proporcionarem formas de lidar com a imaterialidade do som quando exposto em galerias, vieram também fomentar interações museológicas sustentadas pela experiência. Nos últimos dez anos, os museus têm, pois, assistido ao incrementar das práticas museológicas multimodais baseadas no som. O mapeamento e a categorização destas práticas, bem como o estudo das suas potencialidades narrativas e experienciais (emocionais e sensoriais), no entanto, está claramente por determinar. A minha tese visa dar início ao colmatar desta lacuna através de dois passos: providenciar uma estrutura classificativa das práticas multimodais baseadas em som com base na análise de 69 exposições que tiveram lugar nos últimos dez anos na Europa e nos Estados Unidos da América. A estrutura compreende as seguintes categorias: som como um modo "discursivo," som como artefacto, som como "ambiance"/banda sonora, som como arte, e som como curadoria partilhada. Simultaneamente, dar início ao desvendar do potencial comunicativo do som para exposições museológicas através do estudo de caso de arte sonora The Visitors. A análise deste estudo de caso veio demonstrar que som, em articulação com o espaço permitem trabalhar noções de identidade, subjetividade, e ainda de “comunhão.” O âmbito da tese é claramente multidisciplinar e engloba a etnomusicologia, os estudos de som, os estudos museológicos e a semiótica social. De uma forma geral, com a minha dissertação procuro contribuir para o desenvolvimento e o estabelecimento do estudo do uso do som nos museus como um campo de investigação multidisciplinar e coeso. Procuro ainda potenciar uma mudança de formação sensorial nos museus, em particular, estimular a passagem de uma epistemologia visual para uma epistemologia simultaneamente visual e auditiva.
O século XX foi palco de vários fenómenos que conduziram a que os museus começassem a expor o som e a demonstrar um interesse crescente pelas suas potencialidades comunicativas. O aparecimento das tecnologias de gravação sonora constitui-se como um momento fundamental neste processo. Ao permitirem que o som se estabeleça enquanto objeto físico, vieram potenciar o aparecimento de novos entendimentos e conceptualizações sobre o som. Na sequência destes acontecimentos, a forma como os curadores de exposições começaram a olhar para o som sofreu grandes alterações. Simultaneamente, o facto de tanto os estudos museológicos como a prática museológica estarem cada vez mais preocupados com o visitante veio também acelerar o interesse dos curadores pelo som como meio para construir exposições museológicas. Os estudos musicais, em particular a etnomusicologia e os estudos de som, tiveram igualmente um papel preponderante: ao demonstrarem o valor cultural, social, político, económico e ético do som vieram claramente estimular o interesse dos curadores em usar o som como material para trabalhar noções de identidade, subjectividade e “comunhão.” É ainda de destacar o papel que o desenvolvimento de tecnologias áudio, digitais e multisensoriais (Realidade Virtual, Realidade Aumentada e Realidade Mista) têm no processo. Ao proporcionarem formas de lidar com a imaterialidade do som quando exposto em galerias, vieram também fomentar interações museológicas sustentadas pela experiência. Nos últimos dez anos, os museus têm, pois, assistido ao incrementar das práticas museológicas multimodais baseadas no som. O mapeamento e a categorização destas práticas, bem como o estudo das suas potencialidades narrativas e experienciais (emocionais e sensoriais), no entanto, está claramente por determinar. A minha tese visa dar início ao colmatar desta lacuna através de dois passos: providenciar uma estrutura classificativa das práticas multimodais baseadas em som com base na análise de 69 exposições que tiveram lugar nos últimos dez anos na Europa e nos Estados Unidos da América. A estrutura compreende as seguintes categorias: som como um modo "discursivo," som como artefacto, som como "ambiance"/banda sonora, som como arte, e som como curadoria partilhada. Simultaneamente, dar início ao desvendar do potencial comunicativo do som para exposições museológicas através do estudo de caso de arte sonora The Visitors. A análise deste estudo de caso veio demonstrar que som, em articulação com o espaço permitem trabalhar noções de identidade, subjetividade, e ainda de “comunhão.” O âmbito da tese é claramente multidisciplinar e engloba a etnomusicologia, os estudos de som, os estudos museológicos e a semiótica social. De uma forma geral, com a minha dissertação procuro contribuir para o desenvolvimento e o estabelecimento do estudo do uso do som nos museus como um campo de investigação multidisciplinar e coeso. Procuro ainda potenciar uma mudança de formação sensorial nos museus, em particular, estimular a passagem de uma epistemologia visual para uma epistemologia simultaneamente visual e auditiva.
Descrição
Palavras-chave
Communication Musical sciences Sound in museums Sound-based multimodal museum practices Sound and representation Experiencing sound Multimodal analysis Som em museus Práticas museológicas multimodais baseadas em som Som e representação A experiência sonora Análise multimodal
