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FCSH: IHA - Capítulos de livros nacionais

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  • Permanência e mudança
    Publication . Fernandes, Paulo Manuel Quintas de Almeida; Departamento de História da Arte (DHA); Instituto de História da Arte (IHA)
    Durante séculos, vigorou a regra romana de interdição de sepultamento dentro das cidades, ou no interior de áreas mais densamente ocupadas. Esta imposição, que cessou oficialmente no tempo de Flávio Valério Leão (imperador entre 457 e 474), não foi substituída por normas orientadoras coerentes por parte da hierarquia religiosa cristã. Uma tal indefinição doutrinária motivou a existência de práticas sepulcrais diversas, ao sabor de opções familiares, locais ou regionais. A caracterização da dimensão funerária paleocristã no ocidente peninsular parte de uma dupla evidência hoje mais bem conhecida: por um lado, o deliberado afastamento simbólico das necrópoles pagãs; por outro, a aproximação a outras marcas prestigiantes no território, às quais os primeiros cristãos pretenderam associar a memória dos seus entes queridos. A diversidade de opções relativamente ao lugar de sepultura foi apenas uma das novidades introduzidas pelo cristianismo. Na nova paisagem religiosa da Alta Idade Média cresceu, vagarosamente, o gosto pela tumulação ad sanctos (em associação a uma igreja que continha relíquias). Mudou também a forma das sepulturas, a dimensão epigráfica da memória dos tumulados e os objetos que acompanharam a deposição, propiciadores de uma serena travessia para o Além. No entanto, haveriam também de passar vários séculos até que os cristãos perdessem definitivamente o costume de partilhar refeições com os seus mortos, ou que abandonassem a medida preventiva de colocação de uma moeda na sepultura para pagamento do óbolo a Caronte... Avanços recentes no conhecimento do território olisiponense ajudam a compreender as permanências e as mudanças próprias deste período – um tempo de transição, entre uma realidade histórica pagã que se pretendia afastar, e uma nova era de afirmação do cristianismo, para a qual a mentalidade da morte não havia ainda criado caminhos seguros. For centuries, the Roman interdiction of burials within cities or densely populated areas was enforced. This imposition, which officially ceased during the time of Flavius Valerius Leo (Emperor between 457 and 474), was not replaced by coherent guiding norms dictated by the Christian religious hierarchy. Such doctrinal uncertainty led to the existence of diverse burial practices, influenced by familial, local, or regional choices. The characterization of the Paleochristian funerary dimension in Western Iberia derives from dual evidence that is now better understood: on one hand, the deliberate symbolic distancing from pagan necropolises; on the other, the approximation to other prestigious landmarks in the territory, with which the early Christians intended to associate the memory of their loved ones.The range of options regarding burial places was just one of the novelties introduced by Christianity. In the new religious landscape of the High Middle Ages, there was a slow-increasing preference for ad sanctos burials (in association with a church containing relics). The form of graves also changed, along with the epigraphic dimension of the memory of the deceased, and the objects accompanying the body, which enabled a serene journey to the Afterlife. However, it would take several centuries for Christians to definitively abandon the custom of sharing meals with their dead or the preventive measure of placing a coin in the grave as Charon’s obol... Recent advances in the knowledge of the Lisbon territory help to understand the continuities and changes that characterised this period – a time of transition between a pagan historical reality people wanted to distance themselves from, and a new era of affirmation for Christianity, for which the mentality of death had not yet forged secure paths.
  • A moldura europeia
    Publication . Cabeças, Raquel Luz de Medina Garção; Instituto de História da Arte (IHA)
  • Imaginar História(s) da Arte de artistas de sexualidade dissidente
    Publication . Marques, Bruno; Góis, João; Instituto de História da Arte (IHA)
    A historiografia da arte em Portugal tem negligenciado sistematicamente narrativas queer, refletindo um processo prolongado de dessexualização disciplinar. Esta omissão marginaliza artistas de sexualidade dissidente e limita a compreensão do papel das identidades sexuais na produção artística. O predomínio de um paradigma nacionalista, aliado ao foco em questões estilísticas e formais, contribuiu para silenciar práticas que adotam uma estética da atitude — provocadora, política, transgressora — centrada em questões identitárias e na expressão de corpos e sensibilidades marginalizados. Este ensaio propõe uma reflexão crítica sobre os métodos tradicionais da História da Arte portuguesa e a sua insuficiência para abordar género, identidade e sexualidade fora da norma heterossexual. A partir de autores que desafiam o cânone cisheterossexual, e com base em exemplos internacionais, propomos algumas bases para imaginar uma História da Arte queer em Portugal. A análise desenvolve-se em três eixos: uma introdução à teoria queer e ao surgimento do “outro” como objeto da História da Arte; uma leitura crítica da dessexualização historiográfica no contexto português; e, por fim, uma reflexão sobre como interpretar (e ultrapassar) o silêncio persistente em torno de artistas queer. Ao questionar os paradigmas existentes, o ensaio procura desconstruir a ideia de casos isolados e contribuir para a abertura do campo disciplinar a leituras mais inclusivas da produção artística.
  • Quando o exílio começa antes da partida
    Publication . Marques, Bruno; Oliveira, José; Instituto de História da Arte (IHA); Departamento de História da Arte (DHA)
    In Salazar's Portugal, where monitored daily life and selective repression invaded all domains of social and cultural life, it becomes essential to inquire whether exile begins before the moment of departure. Drawing from the portraits Fernando Lemos created between 1949 and 1952, this essay explores the sense of exile imposed by the clandestine nature of the "anti-fascist struggle." Instead of a voluntary or involuntary abandonment of the country, this condition of expulsion without displacement, a sort of exile without expatriation, results in the adoption of strategies involving disguises and duplicities to act beyond dictatorial surveillance. Anticipating the words of Jorge de Sena - "I was always an exile, even before leaving Portugal" - Lemos may have been one of the first to grasp the subjective dimension of this type of internal exile preceding his relocation to Brazil in 1953. This essay aims to understand how the dual photographic exposure of 'forbidden' faces takes the form of a strategy to critically unveil a division and duplicity that marks the paradoxical condition of the exiled persona within their own country.
  • O casaco vermelho e outras histórias
    Publication . Barranha, Helena; Instituto de História da Arte (IHA)
  • Quinta das Laranjeiras
    Publication . Carita, Hélder; Instituto de História da Arte (IHA)
  • Cultural Policies in Portugal - The Rythm Beats the Hopes
    Publication . Varanda, Paula; Instituto de História da Arte (IHA)
  • O retrato entre as artes e as letras
    Publication . Marques, Bruno; Ribeiro, Eunice; Instituto de História da Arte (IHA)
  • Da Art Déco à evangelização
    Publication . Corrêa, Gustavo Borges; Lobo, Paula Ribeiro; Departamento de História da Arte (DHA); Instituto de História da Arte (IHA)
    Este artigo centra-se no estudo sobre dois antigos cinemas Art Déco que hoje funcionam como filiais da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), empresa neopentecostal brasileira. Em Lisboa trataremos do Cinema Império, aberto ao público em 1952, fechado na década de 1980 e reinaugurado em 1992 como filial da IURD. No Rio de Janeiro trataremos do Cinema Carioca, onde se exibiram filmes de 1941 a 1999, ano em que foi comprado pela supracitada empresa cristã e teve o mesmo destino do seu congénere lisboeta. O texto propõe uma análise de como o estilo artístico e arquitetónico Art Déco, popularizado a partir da Exposition Internacionale des Artes Décoratifs et Industriels Modernes realizada em Paris, em 1925, se refletiu nos cinemas da capital portuguesa e da antiga capital brasileira, através daqueles dois edifícios que ainda hoje são considerados ícones da arquitectura moderna e cujas caraterísticas ajudam a explicar a sua transformação em templos.
  • Quantos rostos tem Aurélia?
    Publication . Barranha, Helena; Instituto de História da Arte (IHA)
    A reinterpretação constitui um tema transversal na história da arte, com particular visibilidade no campo da pintura. No caso dos auto-retratos, os processos de recontextualização partem, muitas vezes, dos próprios artistas e prologam-se no trabalho criativo de sucessivos autores. Com a crescente digitalização das colecções de museus de arte e as dinâmicas participativas das redes sociais, as possibilidades de reutilização criativa multiplicaram- se exponencialmente. Assim, quando se pesquisa uma obra de referência na Internet, a par das réplicas digitais tendem a surgir diversas propostas derivativas, criadas por artistas consagrados ou por outros autores. Neste cenário, o presente texto procura reflectir acerca da circulação online do Auto-Retrato [com casaco vermelho] de Aurélia de Souza (c. 1900) e da forma como o desdobramento da obra original em múltiplas imagens alternativas pode abrir novas perspectivas sobre o legado da artista e o seu rasto digital. Reinterpretation constitutes a transversal theme in art history, with particular visibility in the field of painting. In the case of self-portraits, the processes of re-contextualisation are often initiated by the artists themselves and continue through the creative work of successive authors. With the increasing digitisation of art museum collections and the participatory dynamics of social media, the possibilities for creative reuse have multiplied exponentially. Therefore, when searching for a reference work on the Internet, along with digital replicas, several derivative proposals tend to emerge, created by renowned artists or by other authors. In this scenario, this text seeks to reflect on the online circulation of Aurélia de Souza’s Self-Portrait [in a red coat] (c. 1900) and the way in which the unfolding of the original work into multiple alternative images may open new perspectives on the artist’s legacy and its digital trail.