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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Os estudos em torno das bibliotecas portuguesas e da sua história não parecem ter
dado importância às questões que as envolvem com a responsabilidade patrimonial e
com a identidade colectiva. As bibliotecas tiveram um processo de afirmação distinto
daquele por que passaram os arquivos; é, pois, importante reunir dados que
clarifiquem quando é que as bibliotecas passaram a ser consideradas um instrumento
do poder na construção do próprio Estado. A análise das fontes remete essa afirmação
das bibliotecas em Portugal para a segunda metade de Setecentos. Assiste-se então à
criação de outras instituições na esfera cultural cujo objectivo central é o de sustentar
o Estado contribuindo para a sua modernização. A Real Biblioteca Pública é uma destas
instituições e a conjugação da sua missão, estrutura e meios visam esse objectivo
maior. Mas a criação e sucesso da Real Biblioteca não resulta da aplicação linear de um
diploma legal nem se pode atribuir a uma individualidade. A Real Biblioteca reflecte
um pensamento e uma vontade que são postos em prática por várias personalidades,
de formas distintas de acordo com os seus interesses, formação e preparação
intelectual e carácter. Sobressaem três figuras ímpares da cena cultural e política
portuguesas as quais projectam para a Real Biblioteca a sua visão para uma instituição
desta envergadura. No decorrer da sua intervenção, as fontes testemunham-no,
assiste-se a uma mudança de procedimentos e de prioridades, permitindo afirmar que
durante o período entre 1796 e 1802, no auge das alterações, a Real Biblioteca
atravessou verdadeiramente a fronteira da modernidade e mudou de paradigma.
Durante esse período, a Real Biblioteca incorporou vastas colecções bibliográficas de
origem diversa, soube organizá-las de acordo com um sistema de classificação e
dispôs-se a iniciar o serviço de leitura em função de regulamentos que preparou. Se
Frei Manuel do Cenáculo defendeu essa ideia desde o tempo da Real Mesa Censória,
se o Doutor António Ribeiro dos Santos logrou organizar o manancial bibliográfico que
encontrou e foi adquirindo, se D. Rodrigo de Sousa Coutinho nunca esmoreceu e
legislou arduamente em defesa da instituição, podemos dizer que é nesta conjugação
de esforços que a Real Biblioteca Pública da Corte se ancora e ganha notoriedade.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção
do grau de Doutor em História Moderna
Palavras-chave
Bibliotecas Século XVIII Responsabilidade patrimonial Identidade
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
