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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Uma porção significativa do nosso conhecimento quotidiano sobre a África Subsaariana provém do trabalho dos repórteres internacionais. Contudo, e ainda que estes actores desempenhem um papel crítico na comunicação do Outro distante, frequentemente criticado pelos seus défices representacionais, a investigação académica sobre o trabalho dos correspondentes internacionais tem sido consideravelmente negligenciada: encontra-se desactualizada em décadas, carecendo de um exame sistemático das realidades efectivas do jornalismo em África e da evolução do trabalho de Pro-Ams e organizações de media dos cidadãos, suportados por meios digitais ligados em rede.
Esta tese tem como objecto a caracterização e análise sociodemográfica destes indivíduos, das suas culturas profissionais e trabalho noticioso. Inspecciona trajectórias de longo curso no jornalismo internacional, combinando-as com desenvolvimentos de curto prazo baseados nas transformações na microelectrónica e digitalização. São delineadas três linhas de inquérito: quem está realmente a reportar em todo o continente, quais são as principais características das culturas ocupacionais e os constrangimentos que impendem sobre as rotinas de produção dos trabalhadores noticiosos.
Avaliamos como estão os repórteres internacionais a reposicionar-se num ambiente comunicacional em transformação, como interpretam a sua própria ocupação e o papel dos actores emergentes na esfera mediática transnacional. Simultaneamente, contribuímos com uma investigação exploratória sobre as actividades das organizações de media dos cidadãos.
Para cumprir estes objectivos, conduzimos o primeiro questionário online Pan-Africano de que há registo sobre o trabalho dos repórteres internacionais, recolhendo respostas de 124 participantes em 41 países. Estes resultados são complementados através de entrevistas semiestruturadas com 43 jornalistas profissionais, em Nairobi, Dakar e Joanesburgo.
Os resultados obtidos desafiam a narrativa que apresenta a reportagem internacional como uma espécie em extinção. Ao invés, suportam uma visão diferenciada entre continuidades localizadas e rupturas localizadas na contemporânea e pós-industrial esfera mediática: a sua sociodemografia expressa uma nova economia da correspondência internacional caracterizada por uma considerável precariedade, particularmente no caso dos trabalhadores independentes (freelance), enquanto a utilização de media digitais ligados em rede conduz o campo a uma confederação de correspondências com múltiplas camadas.
O campo não é já um território exclusivo de profissionais e estes têm agora de lidar com a escala sem precedentes de conteúdos gerados pelos utilizadores e reacções directas. Os profissionais despendem uma muito considerável porção de tempo diário na Internet, o que sugere uma mudança de paradigma nas práticas de recolha informativa e, em última análise, na sua cultura epistemológica.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Media Digitais
Palavras-chave
Correspondentes internacionais Jornalismo em rede. Media dos cidadãos Media sociais Pro-am Rede multidimensional de correspondências Reportagem internacional
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
