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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Esta dissertação debruça-se sobre as relações entre o pensamento filosófico e a
fotografia, mediante três eixos que de diferentes modos se entrecruzam: 1) uma
exploração de teorias de cariz fenomenológico que abordam a fotografia ou que são por
esta invocadas; 2) uma releitura do pensamento de Walter Benjamin sobre a fotografia a
partir da noção de exercício; 3) um aprofundamento crítico da questão da semelhança
em fotografia, com um desenvolvimento da teoria mimética de Benjamin. Dois excursos
absorvem e desviam estes eixos.
No primeiro capítulo aborda-se, inicialmente, a fenomenologia de Husserl e suas
análises da consciência de imagem, confrontando-as com as perspectivas de Sartre e
Barthes. Desse confronto despontam o alcance e os limites do quadro conceptual
fenomenológico, bem como a “novidade filosófica” da fotografia, a qual obriga a uma
inflexão conceptual em direcção à magia e às forças do olhar, à acentuação da evidência
e do afecto. A constituição técnica da fotografia provoca uma relação com a realidade
sob a forma de uma queimadura que contém, in nuce, inúmeras consequências e
irradiações. Seguindo de perto a questão da evidência a partir de Fernando Gil, ensaiase
repensá-la ao nível da fotografia, situando-a numa ambiguidade epistemológica plena
de fertilidade. A descrição fenomenológica do gesto de fotografar, segundo Flusser,
marca uma série de traços definidores da fotografia e uma singular afinidade entre gesto
fotográfico e filosófico, introduzindo também a noção de afinação no âmbito de uma
teoria dos gestos.
No segundo capítulo, segue-se o fio condutor da expressão “um atlas em
exercício” (Übungsatlas), com a qual Benjamin se refere às fotografias de August
Sander. Um acesso-chave a esta expressão encontra-se na delicada empiria de Goethe e
nas questões morfológicas por ele exploradas. Mediante as suas repercussões no
pensamento de Benjamin, são abordadas questões afectas à observação fotográfica e à
fisionomia, desenvolvendo-se ainda o papel do corpo e da presença de espírito no
contexto da instância do exercício filosófico-fotográfico. Recomeçar e desviar as
análises precedentes é a consequência necessária da divisa “método é desvio”.
No terceiro capítulo, é avaliada a pertinência da semelhança para a compreensão
da fotografia. Num primeiro momento, situa-se a questão da semelhança na sua
diversidade empírica e conceptual, confrontando-a com algumas ideias feitas da teoria
da fotografia. Propõe-se uma compreensão da fotografia enquanto representação que
apresenta, abrindo-a, seguidamente, ao domínio do vivido, dos seus movimentos e das
suas forças expressivas e artísticas. A teoria mimética de Benjamin permite uma
revisitação da aura e da rememoração, do inconsciente óptico das fotografias de
Bloßfeldt enquanto locus onde se estabelece uma tensão entre pormenor e todo. Por
último, trata-se de pensar a dimensão fantasmagórica e os espíritos que pairam quer ao
nível da mímesis, quer ao nível das suas contaminações fotográficas. A experiência
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de
Doutor em Filosofia, especialidade de Estética
Palavras-chave
Filosofia Fotografia Fenomenologia Olhar Evidência Gesto
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
