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Publicação

A peste que veio do mar

dc.contributor.authorRoque, Ana Cristina
dc.contributor.authorAbrantes Garcia, Ana Catarina
dc.contributor.authorConceição, Gisele C.
dc.contributor.authorAmaral, Isabel
dc.contributor.authorFonseca, Luís Cancela da
dc.contributor.authorPalma, Monique
dc.contributor.institutionCHAM - Centro de Humanidades
dc.contributor.institutionCIUHCT - Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia
dc.contributor.institutionDCSA - Departamento de Ciências Sociais Aplicadas
dc.coverage.spatialPorto
dc.date.accessioned2023-02-02T22:24:40Z
dc.date.available2023-02-02T22:24:40Z
dc.date.issued2022-10
dc.descriptionUIDB/04666/2020 UIDP/04666/2020 UIDB/04059/2020
dc.description.abstractEm meados do século XV, e com o incremento das viagens marítimas europeias, os contactos entre a Europa e o resto do mundo tornaram-se regulares. O barco tornou-se o principal responsável pelas ligações intercontinentais e pela circulação de pessoas e animais, matérias-primas e mercadorias, conhecimento e tecnologias, doenças, agentes patogénicos e práticas de cura.Viagens de longo curso encurtaram distâncias, aproximaram gentes e lugares, tornaram portos e cidades portuárias em espaços privilegiados de contacto, intercâmbio e miscigenação. Na Europa, a localização e natureza híbrida destes espaços, tornava-os propícios à entrada e propagação de doenças até então desconhecidas, exigindo dos poderes locais a criação e implementação de medidas profiláticas e de controlo sanitário.No século XVIII, reflectindo um processo de globalização crescente, estas preocupações extravasaram o espaço europeu. Os territórios coloniais tornaram-se progressivamente espaços de experimentação de medidas de controlo e prevenção. O processo de construção de conhecimento e de práticas médicas beneficiou tanto do desenvolvimento progressivo da ciência médica e prática terapêutica europeia, quanto da incorporação de conhecimentos e práticas não europeias, possibilitada pelos contactos entre povos geográfica e culturalmente diferentes. No Império português, as zonas ribeirinhas emergiram como espaços privilegiados de observação e estudo da construção deste processo, tanto na vertente da identificação e conhecimento de doenças e práticas de cura locais resultantes da interacção com as populações autóctones, quanto na da imposição de práticas biomédicas ligadas à farmacopeia europeia. A situação peculiar destas áreas de interface, mar-terra, permitiu uma melhor percepção do modo como diferentes saberes e práticas se mimetizaram nos diferentes espaços do Império, levando à definição de procedimentos específicos para evitar e/ou controlar a propagação de doenças, sobretudo no caso de epidemias. O mar tornou-se assim, também, veículo de circulação de agentes (humanos e não humanos) que, em determinadas situações, foram centrais, como no caso do programa de erradicação de patologias, viabilizando a reflexão sobre vários aspectos da interacção humano / não humano na construção social das doenças. Se reconhecer uma doença pode ser um processo célere, encontrar causas e tratamentos ou antídotos pode ser moroso e dispendioso, num espaço-tempo marcado por avanços, recuos e realidades díspares que chegam mesmo a comprometera eficácia das soluções encontradas, como atestam os esforços e medidas para conter a actual pandemia COVID-19.Nesta perspectiva, o presente trabalho apresenta uma reflexão sobre a relação das doenças com as áreas litorais apelando também à reflexão sobre a própria “saúde” dos mares, rios e oceanos que não só determinaram e alimentam a sua existência, como contribuíram para gerar novas paisagens e novas relações entre as comunidades humanas e não humanas que as integram, demonstrando a ligação entre os ecossistemas marinhos e costeiros, e a saúde das populações humanas. In the mid-15th century, and with the increase in European sea travels, contacts between Europe and the rest of the world became regular. Ships became primarily responsible for intercontinental connections as well as for the circulation and transport of people and animals, raw materials and goods, knowledge and technology, diseases, pathogens, and healing practices. Long-distance travels shortened distances, brought people and places closer together, made ports and port cities privileged spaces of contact, exchange, and miscegenation. In Europe, the location and the hybrid nature of these spaces made them prone to entry and spread of new diseases, requiring local governments to create and implement prophylactic and health control measures. In the 18th century, reflecting an increasing globalization process, these concerns went far beyond the European universe. Colonial territories have become spaces for experimentation of control and prevention measures.These procedures have been consolidated, participating in a process of construction of medical knowledge and practices that benefited both from the development of European medical and pharmaceutical science, as well as from the incorporation of non-European knowledge and practices, made possible by contacts between geographically and culturally different peoples. In the Portuguese Empire, the coastal areas emerged as privileged spaces for observation and study of the building of this process. In there it was possible to regard identification and knowledge of diseases and local healing practices, resulting from the interaction with the native populations, or regarding the imposition of biomedical practices related to the European pharmacopoeia. The peculiar situation of these sea-land interface areas allowed a better insight into how the interaction between different knowledge and practices was stimulated in the different geographies of the Empire leading to define specific procedures to prevent and/or control spread of diseases, especially in the case of epidemics. Thus the sea also become a vehicle for circulation of agents (human and non-human) that, in certain situations, were central, as in the case of pathologies eradication program, enabling thinking about the various aspects of human/non-human interaction in the social construction of diseases. If recognizing a disease can be a quick process, finding causes and antidotes can be time-consuming and costly, in a space-time marked by advances, setbacks and disparate realities that even compromise the effectiveness of the solutions found, as evidenced by efforts and measures to contain the current COVID-19 pandemic. From this perspective, the true history of diseases in their relationship with coastal areas also calls for a discussion about the “health” of seas, rivers, and oceans that have not only determined and nurtured their existence, but have also contributed to generate new landscapes, and new relationships between human and non-human communities within them, and to demonstrate the link between marine and coastal ecosystems and human populations health.en
dc.description.versionpublishersversion
dc.description.versionpublished
dc.format.extent23
dc.format.extent1064230
dc.identifier.isbn9789898970497
dc.identifier.otherPURE: 52219641
dc.identifier.otherPURE UUID: 4ee22467-9640-459d-b95b-0eb78ba298bd
dc.identifier.otherORCID: /0000-0003-1865-8057/work/127958693
dc.identifier.otherORCID: /0000-0002-5225-5983/work/151990656
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10362/148597
dc.identifier.urlhttps://www.redebraspor.org/liv2022.html
dc.language.isopor
dc.peerreviewedyes
dc.publisherCITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória»
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dc.relationCHAM — Centre for the Humanities
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dc.subjectEpidemias
dc.subjectTráfico
dc.subjectEcossistemas
dc.subjectOceanos
dc.subjectEpidemics
dc.subjectTrafficking
dc.subjectEcosystems
dc.subjectOceans
dc.subjectSDG 3 - Good Health and Well-being
dc.subjectSDG 14 - Life Below Water
dc.subjectSDG 15 - Life on Land
dc.titleA peste que veio do marpt
dc.title.subtitlezonas litorais, doenças e curas (séculos XVI/XXI)pt
dc.typebook part
degois.publication.firstPage43
degois.publication.lastPage65
degois.publication.titleEntre-margens
degois.publication.volumeTomo XI da Rede BRASPOR
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oaire.awardNumberUIDB/04666/2020
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oaire.fundingStream6817 - DCRRNI ID
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project.funder.identifierhttp://doi.org/10.13039/501100001871
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project.funder.nameFundação para a Ciência e a Tecnologia
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relation.isProjectOfPublication5a4bf7c1-2d1e-4b8c-a636-75680f773764
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